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Questão de Português — Questões Mescladas sobre Pronomes — FUNDATEC 2024

PortuguêsQuestões Mescladas sobre Pronomes
Código
qa607367
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref Londrina
Ano
2024
Cargo
Proc ( )

STJ na luta contra o juridiquês

 

Por Superior Tribunal de Justiça

 

Se o idioma oficial do Brasil é o português, a língua predominante na Justiça, ao longo dos tempos, tem sido o "juridiquês" – uma mistura de palavreado técnico com estilo rebuscado e doses abundantes de termos em latim, muito ao gosto dos profissionais do direito, mas de difícil compreensão para o público leigo.

 

No dia a dia dos processos, uma norma que se aplica a situações passadas tem efeito ex tunc; a repetição de uma situação jurídica é bis in idem; e, se for apenas para argumentar, pode-se dizer ad argumentandum tantum. E nem só de latim vive a complicação: denúncia virou exordial increpatória; inquérito policial, caderno indiciário; petição inicial, peça incoativa.

 

Ciente da importância da informação para o exercício da cidadania, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) tem adotado, ao longo do tempo, uma série de medidas para levar o conhecimento sobre as decisões judiciais para além dos profissionais especializados, tornando mais abrangente sua comunicação com a sociedade – o que inclui a opção por uma linguagem bem diferente daquela que se consagrou no cotidiano forense.

 

A mais recente iniciativa da corte nessa direção foi o lançamento de uma nova ferramenta em seu portal na internet, destinada a facilitar a compreensão dos julgamentos pelo público não familiarizado com a linguagem jurídica: agora, as notícias trazem um resumo simplificado, que apresenta o ponto principal da matéria em termos acessíveis para o leigo e está disponível em um ícone logo abaixo do título de cada texto.

 

A medida está alinhada com as diretrizes do Pacto Nacional do Judiciário pela Linguagem Simples, lançado em dezembro de 2023 pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), mas integra uma política de aproximação com o cidadão que o STJ já vem seguindo há bastante tempo.

 

A simplificação da linguagem é uma preocupação constante da Secretaria de Comunicação Social (SCO), em respeito à Política de Comunicação Institucional do STJ, especialmente ao disposto em seus artigos 11 e 13, que exigem clareza, precisão, qualidade e acessibilidade na divulgação de informações sobre as decisões, a jurisprudência, os serviços, os projetos e as ações da corte.

 

Atenta às necessidades de democratização da informação, a SCO tem apresentado, em suas diferentes plataformas, produtos que facilitam a compreensão da atividade jurisdicional pelo público não especializado.

 

O Pacto Nacional do Judiciário pela Linguagem Simples materializa os esforços para atender a Estratégia Nacional do Poder Judiciário 2021-2026, especificamente no que diz respeito à adoção de uma linguagem direta e compreensível pelo público leigo, tanto nas decisões judiciais quanto nas comunicações em geral.

 

Ao anunciar o pacto durante o 17º Encontro Nacional do Poder Judiciário, em Salvador, o ministro Luís Roberto Barroso – presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do CNJ – apontou a relevância de aprimorar a comunicação com os jurisdicionados. "A linguagem codificada e inacessível torna-se um instrumento de e...clusão; precisamos ser capazes de usar uma linguagem mais compreensível e inclusiva para todas as pessoas", declarou.

 

O pacto dispõe que o uso de vocabulário técnico não deve representar uma barreira ao entendimento das decisões judiciais. Assim, simplificar a linguagem nas decisões, sem deixar de lado a precisão técnica, passa a ser mais um dos desafios da magistratura para ampliar o acesso à Justiça e à informação – direitos previstos na Constituição Federal de 1988.

 

(Disponível em: www.stj.jus.br/sites/portalp/Paginas/Comunicacao/Noticias/2024/24032024-STJ-na-luta contra-o-juridiques-e-por-uma-comunicacao-mais-eficiente-com-a-sociedade.aspx – texto adaptado especialmente para esta prova)

Considerando o emprego de elementos coesivos, analise as assertivas a seguir e assinale V, se verdadeiras, ou F, se falsas.   (   ) o pronome demonstrativo “daquela” substitui a palavra “linguagem” , que está elíptica.   (   ) , o pronome relativo “que” tem como referente a palavra “cidadão”.   (   ) , o pronome relativo “que” tem como referente a palavra “artigos” .   A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
  1. AV – V – V.
  2. BV – F – V.
  3. CV – F – F.
  4. DF – V – F.
  5. EF – V – V.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — V – F – V.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Coesão referencial: rastreando o antecedente dos pronomes

Gabarito: letra B (V – F – V). A primeira assertiva é verdadeira, pois o pronome demonstrativo "daquela" retoma a palavra "linguagem", que está elíptica (oculta) após o demonstrativo. A segunda assertiva é falsa, pois o pronome relativo "que" não tem como referente a palavra "cidadão", mas sim "medidas" (ou "série de medidas"). A terceira assertiva é verdadeira, pois o pronome relativo "que" retoma corretamente a palavra "artigos". A sequência correta é V – F – V, como se comprova nos trechos do texto citados abaixo.

O comando da questão

O enunciado pede que se analise o emprego de elementos coesivos, ou seja, que se identifique corretamente o referente de cada pronome destacado. Isso é uma questão de coesão referencial: entender a que termo do texto o pronome remete. Não se trata de interpretar o sentido global, mas de localizar, no próprio texto, o antecedente de cada pronome. A habilidade exigida é a de rastrear a cadeia de referência.

O texto e a localização dos pronomes

O texto trata da iniciativa do STJ de simplificar a linguagem jurídica. Os pronomes analisados aparecem em trechos específicos:

  • "daquela" aparece no 3º parágrafo: "...tornando mais abrangente sua comunicação com a sociedade – o que inclui a opção por uma linguagem bem diferente daquela que se consagrou no cotidiano forense."

  • O primeiro "que" (da assertiva II) aparece no 4º parágrafo: "...uma série de medidas para levar o conhecimento sobre as decisões judiciais para além dos profissionais especializados, tornando mais abrangente sua comunicação com a sociedade – o que inclui a opção por uma linguagem bem diferente daquela que se consagrou no cotidiano forense."

  • O segundo "que" (da assertiva III) aparece no 6º parágrafo: "...especialmente ao disposto em seus artigos 11 e 13, que exigem clareza, precisão, qualidade e acessibilidade..."

A técnica: como achar o referente

Para achar o referente de um pronome relativo, pergunte: quem pratica a ação do verbo da oração adjetiva? Ou: qual termo foi substituído pelo pronome? No caso de "daquela", o pronome demonstrativo substitui um substantivo já mencionado, mas que não se repete — ocorre elipse.

Análise das assertivas

1Pronome demonstrativo "daquela"
Retoma "linguagem" (elíptica)
Assertiva I verdadeira
2Pronome relativo "que" (1º)
Referente: "medidas"
Assertiva II falsa
3Pronome relativo "que" (2º)
Referente: "artigos"
Assertiva III verdadeira
Coesão referencial
LEVELsoulevel.com.br
Coesão referencial: Pronome demonstrativo "daquela" (Retoma "linguagem" (elíptica), Assertiva I verdadeira); Pronome relativo "que" (1º) (Referente: "medidas", Assertiva II falsa); Pronome relativo "que" (2º) (Referente: "artigos", Assertiva III verdadeira)

Assertiva I — ✅ Verdadeira

O pronome demonstrativo "daquela" é a contração de "de + aquela". No trecho:

"...a opção por uma linguagem bem diferente daquela que se consagrou no cotidiano forense."

A expressão "daquela" retoma "linguagem", que está elíptica (oculta). Se escrevêssemos por extenso, teríamos: "uma linguagem bem diferente daquela linguagem que se consagrou...". O substantivo "linguagem" não é repetido, mas é recuperado pelo demonstrativo. Portanto, a assertiva está correta.

Assertiva II — ❌ Falsa

O pronome relativo "que" na frase "...uma série de medidas para levar o conhecimento..." tem como referente "medidas", não "cidadão". Veja o trecho:

"...o Superior Tribunal de Justiça (STJ) tem adotado, ao longo do tempo, uma série de medidas para levar o conhecimento sobre as decisões judiciais para além dos profissionais especializados..."

O "que" retoma "medidas" (ou "série de medidas"), pois são as medidas que levam o conhecimento. A palavra "cidadão" aparece em outro contexto: "aproximação com o cidadão". A banca tenta confundir o candidato, fazendo-o acreditar que o pronome se refere ao termo imediatamente anterior, mas o referente é o núcleo do sintagma. Portanto, a assertiva é falsa.

Assertiva III — ✅ Verdadeira

O pronome relativo "que" na frase "...especialmente ao disposto em seus artigos 11 e 13, que exigem clareza..." tem como referente "artigos". Veja o trecho:

"...especialmente ao disposto em seus artigos 11 e 13, que exigem clareza, precisão, qualidade e acessibilidade..."

Os artigos é que exigem clareza, precisão, etc. O pronome "que" retoma "artigos" corretamente. Portanto, a assertiva é verdadeira.

Conclusão

A sequência correta é V – F – V, correspondente à letra B. A pegadinha da banca está na assertiva II, em que o candidato pode ser levado a pensar que "que" se refere a "cidadão" por proximidade, mas o referente é "medidas". Sempre que houver pronome relativo, identifique o verbo da oração adjetiva e pergunte quem pratica a ação.

PEGA ESSA DICA!

Para achar o referente de um pronome relativo, substitua o pronome pelo termo suspeito e veja se a frase faz sentido. Ex.: "as medidas que levam o conhecimento" — faz sentido; "o cidadão que levam o conhecimento" — não faz.

Gabarito: letra B

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