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Questão de Português — Pronomes Possessivos — Avança SP 2024

PortuguêsPronomes Possessivos
Código
qa607373
Banca
Avança SP
Órgão
Pref Caçapava SP
Ano
2024
Cargo
Ag (Pref Caçapava (SP))

O bacana

 

A rua ainda era a mesma. As mesmas casas. As mesmas árvores, só mais troncudas. Até o armazém do Espanhol (assim chamado por razões misteriosas, pois o dono sempre fora português) continuava lá. Ele desceu do carro e começou a caminhar pela calçada esburacada. Parou em frente à casa que tinha sido a dele. Era a maior da rua. Puxa. Sentiu um aperto na garganta. Quanta lembrança! O muro com as marcas da bola.

 

Lembrou-se, então, com uma intensidade que quase o sufocou, do time. O Valores da Zona. Que tempo bom. Nunca mais fora tão feliz. A ideia do time tinha sido dele. Ele é que tinha bola. Ele é que contribuíra com a maior parcela, tirada de sua mesada, para a compra das camisetas. Lembrava ainda a formação do ataque: Venancinho, Alemão, ele, Mangola e Tobias da dona Ester, para diferenciar do Tobias da dona Inácia, que era beque.

 

O Venancinho morava numa casa de madeira em frente à dele. Será que... Atravessou a rua e bateu na porta. Apareceu uma menina dos seus oito anos.

 

— Quié.

 

— O Venancinho ainda mora aqui?

 

— Quem?

 

— Venâncio. Venâncio, ahn...

 

Tentou se lembrar do sobrenome. Inútil. Só se lembrava de Venancinho. Vulgo Bicudo.

 

— Peraí — disse a menina, e fechou a porta.

 

Nunca mais, desde aquele tempo, tivera tantos amigos. O grito de guerra do time era “Valores da Zona — Unidos! Unidos! Unidos!”. E eram unidos. Com eles provara o primeiro cigarro. Comprara as primeiras revistas de sacanagem. Lembrava das reuniões no galpão atrás da casa do Chico Babão. Os concursos de... Apareceu uma senhora.

 

— Quer falar com quem?

 

— O Venâncio ainda mora aqui?

 

— Mora.

 

— Ele está?

 

— Está aposentado — disse a mulher, como se dissesse “só pode estar em casa”. E apontou para o próprio peito — Pulmão.

 

— Será que eu posso falar com ele?

 

— Qual é sua graça?

 

Ele disse. Explicou quem era. A mulher tornou a fechar a porta. Ele ouviu a mulher gritando para alguém. Seu nome e sua descrição. E ouviu a voz de um homem exclamando:

 

— Ih. É o Bacana...

 

Não sabia que aquele era o seu apelido. Compreendeu tudo. Era como o chamavam pelas costas. Só porque sua casa era maior e ele tinha mesada. Segundos antes de se virar e voltar para o carro, teve um pensamento definitivo.

 

— Só me deixavam jogar de centroavante porque a bola era minha…

 

VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.

Leia o texto para responder à questão   Considere o excerto a seguir para responder à questão   Não sabia que aquele era o seu apelido.   O pronome “seu”, empregado no excerto apresentado, remete:
  1. Aao Venâncio.
  2. Bà senhora.
  3. Cà menina de oito anos.
  4. Dao Bacana.
  5. Eao Chico Babão.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — ao Bacana.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Pronome Possessivo "Seu" — Referência no Texto

Gabarito: letra D. O pronome "seu" em "Não sabia que aquele era o seu apelido" remete ao Bacana, o personagem principal da crônica. A pista decisiva está no trecho imediatamente anterior: "E ouviu a voz de um homem exclamando: — Ih. É o Bacana... Não sabia que aquele era o seu apelido." O possessivo "seu" retoma o termo "Bacana", que acabou de ser mencionado, indicando que o apelido pertence a ele.

A questão cobra a coesão referencial — mais especificamente, a capacidade de identificar o referente de um pronome possessivo de 3ª pessoa. Diferentemente dos pronomes de 1ª e 2ª pessoa ("meu", "teu"), que têm referência clara, o possessivo "seu" pode gerar ambiguidade, pois pode se referir a qualquer elemento de 3ª pessoa mencionado no texto. Para resolver, é preciso rastrear o antecedente mais próximo e logicamente compatível no contexto.

No excerto, a sequência narrativa é clara: o personagem (o Bacana) se identifica para a mulher, ela transmite a informação a alguém dentro de casa, e esse alguém exclama "Ih. É o Bacana...". O narrador então comenta: "Não sabia que aquele era o seu apelido." O pronome "seu" só pode se referir ao sujeito da narrativa, o Bacana — é o apelido dele. A palavra "apelido" reforça a ligação: o apelido é algo que pertence a uma pessoa, e a única pessoa cujo apelido está em discussão é o Bacana.

A banca explora exatamente a ambiguidade potencial do possessivo "seu". Em "João encontrou Thiago em sua casa", por exemplo, não sabemos de quem é a casa. Aqui, porém, o contexto desfaz a ambiguidade: o apelido "Bacana" é atribuído ao personagem principal, e é dele que se fala. As demais alternativas citam personagens que aparecem no texto, mas nenhum deles é o possuidor do apelido.

PEGA ESSA DICA!

Ao resolver questões de referência pronominal, pergunte: "quem é o possuidor?" e "qual é o antecedente mais próximo e coerente?". O possessivo "seu" sempre aponta para o ser a que se refere, e o contexto imediato é a chave.

Alternativa A — ❌ Incorreta

O pronome "seu" não remete ao Venâncio. Embora Venâncio seja mencionado no texto, o apelido "Bacana" não é dele. O trecho "Ih. É o Bacana..." é dito por um homem dentro da casa, referindo-se ao visitante, não a Venâncio. O possessivo "seu" está ligado ao apelido, que pertence ao Bacana, não a Venâncio. Erro: troca de referente — a banca tenta confundir com um personagem que aparece na cena, mas não é o possuidor.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A senhora é a mulher que atende à porta e transmite o recado. Ela não tem relação com o apelido "Bacana". O pronome "seu" não pode se referir a ela, pois o apelido não é dela. Erro: troca de referente — a banca insere um personagem secundário para testar se o candidato confunde o possuidor.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A menina de oito anos é quem atende à porta inicialmente, mas não participa da cena em que o apelido é revelado. Ela não é o possuidor do apelido. Erro: troca de referente — personagem distante do trecho em análise.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O pronome "seu" remete ao Bacana. A prova está no trecho: "E ouviu a voz de um homem exclamando: — Ih. É o Bacana... Não sabia que aquele era o seu apelido." O possessivo "seu" retoma "Bacana", indicando que o apelido é dele. O contexto imediato desfaz qualquer ambiguidade: o apelido é atribuído ao personagem principal, e é dele que se fala.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O Chico Babão é mencionado apenas como dono do galpão onde o time se reunia. Ele não tem relação com o apelido "Bacana". O pronome "seu" não pode se referir a ele, pois o apelido não é dele. Erro: troca de referente — personagem citado em outro contexto, sem ligação com o trecho.

Conclusão: A questão testa a habilidade de identificar o referente de um pronome possessivo em contexto. A resposta correta é a letra D, pois o pronome "seu" retoma "Bacana", o personagem cujo apelido é revelado. As demais alternativas citam personagens que não são o possuidor do apelido, configurando troca de referente.

Gabarito: letra D

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