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Questão de Português — Formação e Estrutura das Palavras — Avança SP 2024

PortuguêsFormação e Estrutura das Palavras
Código
qa607388
Banca
Avança SP
Órgão
Pref Caçapava SP
Ano
2024
Cargo
Ag (Pref Caçapava (SP))

Serena

 

Serena tinha oito anos. Quando os pais de Serena começavam a brigar na mesa, ela fechava os olhos e tentava pensar em outra coisa. Pensava na sua casa de bonecas. Os pais de Serena brigavam na mesa porque era a única hora do dia em que ficavam cara a cara. No resto do dia ia cada um para o seu lado, queixar-se do outro.

 

Na mesa, não paravam de brigar. Serena fechava os olhos.

 

— Passa a cenoura? — disse Serena, interrompendo uma frase da mãe.

 

— O quê? — disse a mãe de Serena, rispidamente.

 

— Passa a cenoura?

 

— Ora, não comece você também! — disse a mãe de Serena, e voltou a xingar o marido.

 

Serena saiu da mesa. Foi para o seu quarto e fechou a porta. Ajoelhou-se na frente da sua casa de bonecas. A casa tinha tudo que uma casa de verdade tem, em miniatura. Moveizinhos. Tapetinhos. Um telefonezinho. Em volta da mesinha da sala de jantar da casa de bonecas estavam sentados três bonequinhos. Um pai, uma mãe e uma menina. Serena enfiou a mão na casa e tirou a menina da mesa.

 

O pai e a mãe de Serena nem notaram que Serena não estava mais na mesa. Continuavam brigando. Foi só quando virou-se para ordenar que Serena comesse a cenoura que a mãe viu que ela não estava mais ali. E viu outra coisa. Viu que uma parede inteira da casa tinha simplesmente desaparecido.

 

O pai de Serena viu a expressão de horror no rosto da mulher e também virou o rosto, e viu que a parede tinha desaparecido, e viu que do lado de fora da casa tinha um monstro, um monstro gigantesco vestido de criança, uma criança gigantesca, maior que a casa. E só quando o pai e a mãe de Serena pularam da mesa e se achataram contra a outra parede da sala, apavorados, se deram conta de que a criança era a Serena. Mas a Serena era maior do que eles, maior que a casa!

 

— Meu Deus! — gritou a mãe de Serena.

 

— Calma, calma — disse o marido.

 

— Calma o quê? Faz alguma coisa! Telefona para a polícia. Telefona para os bombeiros!

 

O pai de Serena correu para o telefone e tentou em vão fazer uma ligação.

 

— Este telefone. É... É de brinquedo!

 

— Serena! — gritou a mãe. — O que que...

 

— Sshhh! — fez Serena de fora da casa, e o deslocamento de ar quase derrubou os dois.

 

Serena enfiou a mão na casa, pegou a mãe e a colocou no seu lugar na mesa. Depois pegou o pai e fez a mesma coisa. Mandou que eles comessem. Em silêncio. Sorrindo, mas em silêncio. Só então ela se ergueu, saiu do seu quarto e voltou para a mesa.

 

— Serena... — começou a dizer a mãe, ainda de olhos arregalados.

 

— Sssh — fez Serena.

 

E se serviu de cenouras.

 

VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.

Leia o texto para responder à questão     O elemento mórfico -inho, que ocorre nas palavras “moveizinhos”, “tapetinhos”, “telefonezinho”, “bonequinhos” e “mesinha”, é incorporado às palavras por meio do processo de:
  1. Aderivação prefixal.
  2. Bderivação sufixal.
  3. Cderivação parassintética.
  4. Dderivação regressiva.
  5. Ederivação imprópria.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — derivação sufixal.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Derivação Sufixal — Sufixo -inho

Gabarito: letra B. O elemento mórfico -inho é um sufixo, pois é acrescentado após o radical das palavras, formando novas palavras por derivação sufixal. Como se vê em "moveizinhos", "tapetinhos", "telefonezinho", "bonequinhos" e "mesinha", o sufixo é posposto ao radical, caracterizando o processo de derivação sufixal.

O Comando

A questão pede para identificar o processo de formação de palavras que incorpora o elemento -inho às palavras listadas. Trata-se de uma questão de morfologia — mais especificamente, de estrutura e formação de palavras. O comando é direto: não pede interpretação de texto, mas sim o reconhecimento de um processo morfológico. Para resolvê-la, é preciso saber distinguir os tipos de derivação: prefixal, sufixal, parassintética, regressiva e imprópria.

O Texto

O texto-base é uma crônica de Luis Fernando Verissimo, mas não é relevante para a resolução — a questão usa apenas palavras retiradas do texto como exemplo. O foco está na análise morfológica das palavras destacadas: "moveizinhos", "tapetinhos", "telefonezinho", "bonequinhos" e "mesinha". Todas elas são formadas por um radical + o sufixo diminutivo -inho (com variações -zinho, -inha).

A Técnica

Derivação sufixal é o processo em que se acrescenta um sufixo (afixo posposto ao radical) para formar uma nova palavra. O sufixo pode alterar o sentido (como o diminutivo -inho) ou a classe gramatical (como -ção, -mento, -eiro). No caso, o sufixo -inho é um sufixo diminutivo, que se acrescenta ao radical para indicar tamanho reduzido ou afetividade.

"Moveizinhos. Tapetinhos. Um telefonezinho. Em volta da mesinha da sala de jantar da casa de bonecas estavam sentados três bonequinhos."

Aqui, o sufixo -inho (e suas variantes -zinho, -inha) é claramente posposto ao radical: móvel + -zinho, tapete + -inho, telefone + -zinho, boneco + -inho, mesa + -inha. Não há prefixo, nem acréscimo simultâneo de prefixo e sufixo, nem redução de verbo, nem mudança de classe gramatical. Portanto, o processo é derivação sufixal.

Derivação sufixal
  • 1Sufixo posposto ao radical
  • 2Ex.: mesinha (mesa + -inha)
  • 3Pode alterar sentido ou classe
  • 4Outros tipos de derivação
    • Prefixal (afixo antes do radical)
    • Parassintética (prefixo + sufixo simultâneos)
    • Regressiva (redução de verbo)
    • Imprópria (mudança de classe)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Derivação prefixal ocorre quando se acrescenta um prefixo (afixo antes do radical), como em injusto (in- + justo) ou desleal (des- + leal). Nas palavras do texto, o elemento -inho está depois do radical, não antes. A alternativa confunde a posição do afixo: prefixo vem antes, sufixo vem depois. Como o -inho é posposto, não há derivação prefixal.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Derivação sufixal é o processo em que se acrescenta um sufixo (afixo posposto ao radical) para formar uma nova palavra. Nas palavras "moveizinhos", "tapetinhos", "telefonezinho", "bonequinhos" e "mesinha", o sufixo -inho (e suas variantes) é claramente posposto ao radical: móvel + -zinho, tapete + -inho, telefone + -zinho, boneco + -inho, mesa + -inha. Não há prefixo, nem acréscimo simultâneo de prefixo e sufixo, nem redução de verbo, nem mudança de classe gramatical. Portanto, o processo é derivação sufixal.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Derivação parassintética ocorre quando há acréscimo simultâneo de prefixo e sufixo a uma palavra primitiva, como em emagrecer (e- + magro + -ecer) ou anoitecer (a- + noite + -ecer). A retirada de um dos afixos resulta em palavra inexistente. Nas palavras do texto, há apenas sufixo, sem prefixo. A alternativa extrapola ao exigir um prefixo que não existe nas palavras analisadas.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Derivação regressiva ocorre quando se forma um substantivo a partir de um verbo, por redução da terminação verbal, como canto (de cantar) ou abalo (de abalar). Nas palavras do texto, não há redução de verbo; há acréscimo de sufixo a um radical nominal. A alternativa troca o conceito: confunde a formação de substantivos por redução com a formação por acréscimo de sufixo.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Derivação imprópria (ou conversão) ocorre quando há mudança de classe gramatical sem alteração na forma, como em o olhar (verbo → substantivo) ou o jantar (verbo → substantivo). Nas palavras do texto, não há mudança de classe: "moveizinhos", "tapetinhos", "telefonezinho", "bonequinhos" e "mesinha" continuam sendo substantivos. A alternativa tangencia o tema ao falar de um processo que não se aplica às palavras analisadas.

NÃO CAIA NESSA!

A banca oferece os outros tipos de derivação (prefixal, parassintética, regressiva, imprópria) para confundir com a sufixal. A chave é identificar a posição do afixo: se está antes do radical, é prefixo; se está depois, é sufixo. No caso, -inho está sempre depois do radical.

PEGA ESSA DICA!

Para diferenciar derivação sufixal de parassintética, retire o prefixo ou o sufixo. Se a palavra continuar existindo com sentido, é sufixal (ou prefixal); se não, é parassintética. Ex.: mesinhamesa (existe) → sufixal; emagrecermagrecer (não existe) → parassintética.

Conclusão: a única alternativa inteiramente sustentada pela análise morfológica é a letra B, pois o sufixo -inho é posposto ao radical, caracterizando derivação sufixal. As demais alternativas ou confundem a posição do afixo, ou exigem elementos que não existem nas palavras analisadas.

Gabarito: letra B

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