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Questão de Português — Numeral — Avança SP 2024

PortuguêsNumeral
Código
qa607413
Banca
Avança SP
Órgão
Pref Caçapava SP
Ano
2024
Cargo
Aux (Pref Caçapava (SP))
Metafísica


   Contam que um admirador de Albert Einstein foi visitar o mestre em sua casa e o encontrou estirado numa poltrona, com a cabeça para trás e os olhos fechados. Não querendo perturbar o aparente repouso do professor, o visitante sentou-se num canto e ficou esperando que ele acordasse.

  Passou meia hora, o professor continuava estirado na poltrona, a cabeça para trás e os olhos fechados. Foi quando o visitante viu um ratinho aparecer debaixo da mesa e dirigir-se para os pés de Albert Einstein. O visitante ficou em pânico. O que fazer? O ratinho se aproximava dos pés do mestre com passinhos curtos mas resolutos. Devia acordar Einstein e avisar do perigo iminente? Ou esperar que o ratinho mudasse de rota? Ou, silenciosamente, sem acordar o professor, enxotar o ratinho?

   Enquanto o visitante decidia o que fazer, o ratinho chegou até o pé direito de Einstein e deu uma mordidinha no seu dedão pelo buraco do chinelo. Einstein nem abriu os olhos. Fez que sim com a cabeça. O ratinho voltou correndo para sua toca. Minutos mais tarde, Einstein abriu os olhos e deu com o visitante no canto. Este desculpou-se, disse que não pretendia acordá-lo, mas Einstein o silenciou com um gesto. Não estava dormindo. Estava pensando.

   Sempre fazia isso. Sentava naquela poltrona, atirava a cabeça para trás, fechava os olhos e deixava o cérebro funcionar. Pensava no universo, pensava no funcionamento do universo, pensava nas explicações para o funcionamento do universo... Mas precisava ter cuidado. Sua mente tinha uma tendência muito grande para a metafísica. Escapava ao controle, disparava, quando ele via ela estava perdida no infinito, em equações fantásticas...

   Felizmente, sempre que isto acontecia, ele sentia uma cosquinha no dedão. Era o sinal para voltar à física, à realidade e às coisas prováveis. Fora assim que desenvolvera a sua teoria da relatividade. Seu cérebro indo em todas as direções, mas a cosquinha no dedão indicando o caminho, alertando-o para os excessos, chamando-o de volta à realidade e à razão.

   O visitante engoliu em seco.

   — E o senhor tem... uma explicação para a cosquinha no dedão?

   Einstein não respondeu em seguida. Suspirou. Coçou a cabeça. Depois disse:

   — Aí é que está. Só pode ser explicada como um sinal divino. Mas eu preciso resistir à metafísica!

   O visitante procurou o ratinho com o olhar mas não o avistou. Além de tudo, era modesto.


VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.
Leia o texto para responder à questão     Em “Passou meia hora, o professor continuava estirado na poltrona (...)”, a palavra “meia” atua gramaticalmente como:
  1. Aadvérbio.
  2. Bsubstantivo.
  3. Cnumeral multiplicativo.
  4. Dnumeral cardinal.
  5. Enumeral fracionário.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — numeral fracionário.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Numeral Fracionário: 'Meia' em 'Passou meia hora'

Gabarito: letra E. A palavra 'meia' em "Passou meia hora" atua como numeral fracionário, pois indica a metade de uma unidade de tempo (hora) e concorda em gênero com o substantivo 'hora'. A pista decisiva está na concordância: 'meia' varia para concordar com o substantivo feminino, o que a distingue do advérbio 'meio', que é invariável.

O Comando

A questão pede a classificação gramatical da palavra 'meia' no trecho destacado. Isso é uma questão de morfologia (classe de palavras), não de interpretação de texto. O foco está em identificar se 'meia' é advérbio, substantivo ou numeral, e, sendo numeral, qual subtipo (cardinal, multiplicativo, fracionário).

O Texto e a Palavra em Foco

No texto, a expressão "Passou meia hora" indica que se passou a metade de uma hora. A palavra 'meia' está diretamente ligada ao substantivo 'hora', concordando com ele em gênero (feminino) e número (singular). Essa concordância é a chave: 'meia' varia, logo não pode ser advérbio (que é invariável).

A Técnica: Concordância como Teste

Para distinguir o numeral fracionário do advérbio, use o teste da concordância:

  • Numeral fracionário 'meio/meia': concorda em gênero e número com o substantivo a que se refere. Ex.: "meia hora" (feminino), "meio copo" (masculino).

  • Advérbio 'meio': é invariável, modifica adjetivos ou verbos. Ex.: "A paciente continuava meio insegura" (meio = um pouco, não varia).

No trecho, 'meia' concorda com 'hora' (feminino), então é numeral fracionário. Se fosse advérbio, seria invariável: "Passou meio hora" (errado).

1Numeral fracionário (metade)
Concorda com 'hora' (feminino)
2Não é advérbio
Invariável ('meio')
Não modifica verbo/adjetivo
3Não é substantivo
Não nomeia (peça de vestuário)
4Não é multiplicativo
Não expressa múltiplo
5Não é cardinal
Não expressa inteiro
'Meia' em "meia hora"
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'Meia' em "meia hora": Numeral fracionário (metade) (Concorda com 'hora' (feminino)); Não é advérbio (Invariável ('meio'), Não modifica verbo/adjetivo); Não é substantivo (Não nomeia (peça de vestuário)); Não é multiplicativo (Não expressa múltiplo); Não é cardinal (Não expressa inteiro)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Advérbio é classe invariável que modifica verbo, adjetivo ou outro advérbio. No trecho, 'meia' varia (meia hora), o que já descarta o advérbio. Além disso, 'meia' não modifica verbo/adjetivo, mas sim determina o substantivo 'hora'. Erro: troca de conceito — confunde numeral com advérbio.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Substantivo nomeia seres, objetos, ideias. 'Meia' aqui não nomeia nada; ela quantifica 'hora'. Se fosse substantivo, seria "a meia" (peça de vestuário) ou "meia dúzia" (redução), mas não é o caso. Erro: troca de conceito — confunde numeral com substantivo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Numeral multiplicativo expressa múltiplo (dobro, triplo, quíntuplo). 'Meia' indica metade, ou seja, uma fração, não um múltiplo. Erro: troca de conceito — confunde fracionário com multiplicativo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Numeral cardinal expressa quantidade inteira (um, dois, três). 'Meia' não é um número inteiro; é a metade de um inteiro. Erro: troca de conceito — confunde fracionário com cardinal.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Numeral fracionário expressa parte de um todo. 'Meia' = metade de hora. A concordância em gênero (meia hora) confirma: é numeral, não advérbio. O texto diz "Passou meia hora", e a palavra 'meia' está diretamente ligada a 'hora', indicando fração.

"Passou meia hora, o professor continuava estirado na poltrona"

Aqui, 'meia' = metade de hora, e concorda com o substantivo feminino 'hora'. Isso é típico de numeral fracionário.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o numeral fracionário 'meia' (que concorda) e o advérbio 'meio' (invariável). Se você viu 'meia' e pensou em advérbio, caiu na armadilha. Lembre-se: advérbio não varia; numeral concorda.

PEGA ESSA DICA!

Sempre teste a concordância: se a palavra varia para concordar com o substantivo, é numeral/adjetivo; se é invariável, é advérbio. Ex.: "meia hora" (numeral) vs. "meio cansada" (advérbio).

Conclusão: A palavra 'meia' em "Passou meia hora" é numeral fracionário, pois indica metade e concorda com o substantivo. As demais alternativas confundem classes ou subtipos. Gabarito: letra E.

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