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Questão de Português — Conjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais — Avança SP 2024

PortuguêsConjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais
Código
qa607414
Banca
Avança SP
Órgão
Pref Caçapava SP
Ano
2024
Cargo
Aux (Pref Caçapava (SP))

O bacana

 

A rua ainda era a mesma. As mesmas casas. As mesmas árvores, só mais troncudas. Até o armazém do Espanhol (assim chamado por razões misteriosas, pois o dono sempre fora português) continuava lá. Ele desceu do carro e começou a caminhar pela calçada esburacada. Parou em frente à casa que tinha sido a dele. Era a maior da rua. Puxa. Sentiu um aperto na garganta. Quanta lembrança! O muro com as marcas da bola.

 

Lembrou-se, então, com uma intensidade que quase o sufocou, do time. O Valores da Zona. Que tempo bom. Nunca mais fora tão feliz. A ideia do time tinha sido dele. Ele é que tinha bola. Ele é que contribuíra com a maior parcela, tirada de sua mesada, para a compra das camisetas. Lembrava ainda a formação do ataque: Venancinho, Alemão, ele, Mangola e Tobias da dona Ester, para diferenciar do Tobias da dona Inácia, que era beque.

 

O Venancinho morava numa casa de madeira em frente à dele. Será que... Atravessou a rua e bateu na porta. Apareceu uma menina dos seus oito anos.

 

— Quié.

 

— O Venancinho ainda mora aqui?

 

— Quem?

 

— Venâncio. Venâncio, ahn...

 

Tentou se lembrar do sobrenome. Inútil. Só se lembrava de Venancinho. Vulgo Bicudo.

 

— Peraí — disse a menina, e fechou a porta.

 

Nunca mais, desde aquele tempo, tivera tantos amigos. O grito de guerra do time era “Valores da Zona — Unidos! Unidos! Unidos!”. E eram unidos. Com eles provara o primeiro cigarro. Comprara as primeiras revistas de sacanagem. Lembrava das reuniões no galpão atrás da casa do Chico Babão. Os concursos de... Apareceu uma senhora.

 

— Quer falar com quem?

 

— O Venâncio ainda mora aqui?

 

— Mora.

 

— Ele está?

 

— Está aposentado — disse a mulher, como se dissesse “só pode estar em casa”. E apontou para o próprio peito — Pulmão.

 

— Será que eu posso falar com ele?

 

— Qual é sua graça?

 

Ele disse. Explicou quem era. A mulher tornou a fechar a porta. Ele ouviu a mulher gritando para alguém. Seu nome e sua descrição. E ouviu a voz de um homem exclamando:

 

— Ih. É o Bacana...

 

Não sabia que aquele era o seu apelido. Compreendeu tudo. Era como o chamavam pelas costas. Só porque sua casa era maior e ele tinha mesada. Segundos antes de se virar e voltar para o carro, teve um pensamento definitivo.

 

— Só me deixavam jogar de centroavante porque a bola era minha…

 

VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.

Leia o texto para responder à questão   Analise o excerto a seguir quanto às formas verbais empregadas: “Era como o chamavam pelas costas.” O verbo “chamavam”, que ocorre no excerto indicado, exprime uma ação:
  1. Aem curso no presente.
  2. Bocorrida e terminada antes de outra ação no passado.
  3. Chabitual no passado.
  4. Dpontual e terminada no passado.
  5. Ehipotética no passado.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — habitual no passado.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Valor Semântico do Pretérito Imperfeito em "chamavam"

Gabarito: letra C. O verbo "chamavam" está no pretérito imperfeito do indicativo e exprime uma ação habitual no passado — exatamente o que a alternativa C afirma. No texto, o narrador descobre que era chamado de "Bacana" pelas costas, e o uso do imperfeito indica que essa era uma prática repetida, contínua no tempo em que convivia com o time. A passagem que ancora essa leitura é o trecho em que ele compreende o apelido: "Era como o chamavam pelas costas." — o imperfeito "chamavam" descreve um hábito, não um evento pontual.

O Comando da Questão

A questão pede que você reconheça o valor semântico de uma forma verbal específica dentro do texto. Não se trata de interpretar o sentido global da crônica, mas de identificar qual noção temporal/aspectual o pretérito imperfeito "chamavam" carrega naquele contexto. O comando "exprime uma ação" direciona para o aspecto verbal — ou seja, como a ação é apresentada: pontual, contínua, habitual, anterior a outra, etc.

O Texto e a Forma Verbal

O narrador, ao revisitar a rua da infância, lembra do time "Valores da Zona" e, ao ser reconhecido pelo apelido "Bacana", tem um insight: "Era como o chamavam pelas costas." O verbo "chamavam" está na 3ª pessoa do plural do pretérito imperfeito do indicativo. Esse tempo verbal, no modo indicativo, tem como um de seus usos principais justamente expressar fatos habituais, repetitivos ou contínuos no passado.

"Era como o chamavam pelas costas."

Aqui, o imperfeito "chamavam" indica que o apelido era usado repetidamente, sempre que se referiam a ele pelas costas — não uma única vez. É o valor de habitualidade que a alternativa C captura.

A Técnica: Reconhecendo o Pretérito Imperfeito

O pretérito imperfeito do indicativo é um dos tempos mais cobrados em provas, justamente por sua riqueza de valores. Veja os principais usos:

  • Ação habitual ou repetitiva no passado: "Quando eu era criança, eu brincava na rua." (brincava = hábito)

  • Ação contínua em andamento no passado: "Eu estudava quando ele chegou." (estudava = ação em curso, simultânea a outra)

  • Ação planejada, esperada, que não se realizou: "Eu pretendia viajar, mas não deu." (pretendia = intenção frustrada)

  • Cortesia: "Boa tarde, o que queria?" (queria = forma polida)

No caso de "chamavam", o contexto é claro: o apelido era usado sempre que se referiam a ele pelas costas. Não há indicação de ação pontual (como "chamaram" no pretérito perfeito) nem de ação anterior a outra (como "tinham chamado" no mais-que-perfeito).

Análise das Alternativas

Pretérito imperfeito do indicativo
  • 1Valores semânticos
    • Ação habitual no passado
    • Ação contínua em andamento
    • Ação planejada não realizada
    • Cortesia
  • 2Confusões comuns
    • Pretérito perfeito (ação pontual)
    • Mais-que-perfeito (anterioridade)
    • Futuro do pretérito (hipótese)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: troca de tempo verbal. "Chamavam" está no passado, não no presente. A alternativa A afirma que a ação está "em curso no presente", o que contradiz a forma verbal. O presente do indicativo seria "chamam". O texto, porém, narra um fato passado — a descoberta do apelido — e o imperfeito remete a um hábito pretérito.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: confunde com o pretérito mais-que-perfeito. A alternativa B descreve uma ação "ocorrida e terminada antes de outra ação no passado", que é o valor do pretérito mais-que-perfeito (ex.: "ele já partira quando cheguei"). O imperfeito "chamavam" não indica anterioridade em relação a outro fato passado; indica simultaneidade ou habitualidade. No texto, não há outra ação passada que sirva de referência para essa anterioridade.

Alternativa C — ✅ Correta

Valor habitual no passado. Como vimos, o imperfeito "chamavam" expressa uma ação que se repetia no passado — o apelido era usado sempre que se referiam a ele pelas costas. O texto confirma: "Era como o chamavam pelas costas." O verbo "era" (também imperfeito) reforça a ideia de estado habitual. A alternativa C é a única que descreve corretamente o valor aspectual da forma.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: confunde com o pretérito perfeito. A alternativa D fala em ação "pontual e terminada no passado", que é o valor do pretérito perfeito (ex.: "chamaram"). O imperfeito, ao contrário, indica ação não concluída, contínua ou habitual. No texto, "chamavam" não é um evento único e acabado; é uma prática recorrente.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: confunde com o futuro do pretérito ou com o subjuntivo. A alternativa E fala em ação "hipotética no passado", que seria expressa pelo futuro do pretérito (ex.: "chamariam") ou pelo pretérito imperfeito do subjuntivo (ex.: "se chamassem"). O imperfeito do indicativo "chamavam" expressa fato real, não hipótese. No texto, o apelido era de fato usado; não há qualquer condição ou suposição.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os valores do pretérito imperfeito (habitual, contínuo, planejado, cortesia) e os outros tempos passados (perfeito, mais-que-perfeito). A chave é identificar o aspecto da ação: se é repetida, contínua, pontual ou anterior.

PEGA ESSA DICA!

Ao analisar o valor de um tempo verbal, pergunte: "A ação é única ou repetida? Está em andamento ou concluída? É real ou hipotética?" Isso elimina as alternativas erradas rapidamente.

Conclusão: O verbo "chamavam" está no pretérito imperfeito do indicativo e expressa uma ação habitual no passado — o apelido era usado repetidamente. Portanto, a alternativa correta é a letra C.

Gabarito: letra C

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