Questão de Criminalística — Patologia Forense — Avança SP 2025
Criminalística›Patologia Forense
Código
qa641179
Banca
Avança SP
Órgão
Pref Caieiras
Ano
2025
Cargo
Med ( )
Em relação à análise técnica de tomografia computadorizada de crânio em paciente vítima de traumatismo cranioencefálico fechado com escala de Glasgow 13, anisocoria e deterioração neurológica nas últimas 2 horas, apresentando lesão hiperdensa em formato crescente adjacente à tábua óssea temporal direita, com desvio das estruturas da linha média de 8mm e obliteração parcial da cisterna perimesencefálica ipsilateral, analise a correlação entre achados imaginológicos e interpretação neurorradiológica:
AA hiperdensidade adjacente à tábua óssea temporal caracteriza exclusivamente hematoma epidural em fase aguda, independentemente do mecanismo do trauma.
BO desvio das estruturas da linha média deve ser mensurado exclusivamente ao nível do septo pelúcido, desconsiderando o deslocamento pineal.
CO apagamento da cisterna perimesencefálica sugere necessariamente herniação transtentorial descendente, sem necessidade de correlação com outros achados tomográficos.
DA mensuração da densidade da coleção em unidades Hounsfield é suficiente para determinar a idade do sangramento, independentemente do quadro clínico.
EA interpretação deve correlacionar localização e volume da coleção, grau de efeito de massa e sinais de herniação, considerando a evolução clínica do paciente.
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GabaritoE — A interpretação deve correlacionar localização e volume da coleção, grau de efeito de massa e sinais de herniação, considerando a evolução clínica do paciente.
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Análise de Tomografia Computadorizada em Traumatismo Cranioencefálico
Gabarito: letra E. A interpretação de uma TC de crânio em trauma fechado exige correlação integrada entre os achados tomográficos (localização, volume, densidade), o efeito de massa (desvio de linha média, obliteração de cisternas) e a evolução clínica do paciente — exatamente o que a alternativa E descreve. As demais alternativas erram ao propor leituras isoladas, absolutas ou exclusivas de cada achado, ignorando a complexidade da correlação neurorradiológica.
A tomografia computadorizada é o exame de escolha na avaliação inicial do traumatismo cranioencefálico (TCE), pois permite identificar rapidamente coleções hemorrágicas, fraturas e sinais de herniação. No caso descrito — paciente com Glasgow 13, anisocoria e deterioração neurológica — há um quadro de TCE fechado com provável hematoma extra-axial agudo. A lesão hiperdensa em formato crescente adjacente à tábua óssea temporal é o achado clássico de hematoma epidural agudo, mas a interpretação não pode parar aí: é preciso avaliar o efeito de massa (desvio de 8 mm da linha média), a obliteração da cisterna perimesencefálica (sinal de herniação) e correlacionar com o quadro clínico para decidir a conduta, que pode ser cirúrgica de urgência.
A densidade em unidades Hounsfield (UH) ajuda a estimar a idade do sangramento — hematomas agudos são hiperdensos (60-80 UH), subagudos isodensos e crônicos hipodensos — mas essa estimativa é apenas um dos elementos, nunca determinante isoladamente. O mesmo vale para o desvio da linha média: pode ser medido no septo pelúcido ou na glândula pineal, e ambos os pontos são válidos, sendo o desvio um marcador de gravidade, não um dado absoluto. A obliteração da cisterna perimesencefálica é um sinal de herniação transtentorial, mas deve ser interpretada em conjunto com outros achados, como o desvio de linha média e o nível de consciência.
A banca explora aqui a tendência do candidato a tratar cada achado tomográfico como um diagnóstico fechado em si mesmo. Na prática forense e na emergência, o laudo deve integrar todos os elementos: localização e volume da coleção, grau de efeito de massa, sinais de herniação e a evolução clínica. Essa é a abordagem que orienta a conduta — por exemplo, um hematoma epidural com desvio de linha média > 5 mm e deterioração neurológica indica craniotomia de urgência, independentemente da densidade exata.
Guarde o critério decisivo: a interpretação neurorradiológica é sempre correlacional e integrada, nunca baseada em um único achado isolado. É exatamente essa lógica que separa a alternativa correta das demais.
Interpretação de TC no TCE: Achados tomográficos (Localização da coleção, Volume, Densidade (UH)); Efeito de massa (Desvio de linha média, Obliteração de cisternas); Correlação clínica (Escala de Glasgow, Evolução neurológica); Conduta (Cirúrgica de urgência)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a hiperdensidade adjacente à tábua óssea caracteriza exclusivamente hematoma epidural agudo, independentemente do mecanismo do trauma. O erro está na palavra "exclusivamente": a hiperdensidade em formato crescente é típica de hematoma epidural, mas o hematoma subdural agudo também pode ser hiperdenso e, em alguns casos, apresentar morfologia semelhante. Além disso, o mecanismo do trauma influencia o diagnóstico — o epidural geralmente decorre de trauma localizado (fratura com laceração da artéria meníngea média), enquanto o subdural está associado a aceleração/desaceleração. A interpretação não pode ignorar o mecanismo nem tratar o achado como patognomônico absoluto.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que o desvio da linha média deve ser mensurado exclusivamente ao nível do septo pelúcido, desconsiderando o deslocamento pineal. Na prática, o desvio pode ser medido tanto no septo pelúcido quanto na glândula pineal — ambos são estruturas da linha média e servem como referência válida. A alternativa impõe uma exclusividade que não existe na rotina neurorradiológica. O importante é medir o desvio de forma consistente e correlacioná-lo com o quadro clínico, não restringir o ponto de mensuração.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que o apagamento da cisterna perimesencefálica sugere necessariamente herniação transtentorial descendente, sem necessidade de correlação com outros achados. O apagamento dessa cisterna é um sinal importante de herniação, mas não é patognomônico — pode ocorrer em outras situações, como edema cerebral difuso. Além disso, a palavra "necessariamente" e a dispensa de correlação com outros achados tornam a afirmação incorreta. A herniação transtentorial é diagnosticada pela combinação de sinais: obliteração das cisternas, desvio de linha média, dilatação do corno temporal contralateral, entre outros.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que a mensuração da densidade em unidades Hounsfield é suficiente para determinar a idade do sangramento, independentemente do quadro clínico. A densidade é um parâmetro útil — hematomas agudos são hiperdensos, subagudos isodensos e crônicos hipodensos — mas não é suficiente isoladamente. Fatores como hematócrito do paciente, uso de anticoagulantes e o próprio quadro clínico influenciam a interpretação. A idade do sangramento é estimada pela combinação de densidade, morfologia e evolução clínica, nunca por um único parâmetro.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa descreve corretamente a abordagem integrada da interpretação tomográfica: correlacionar localização e volume da coleção, grau de efeito de massa e sinais de herniação, considerando a evolução clínica do paciente. No caso apresentado, a lesão hiperdensa temporal com desvio de 8 mm e obliteração da cisterna perimesencefálica, associada à deterioração neurológica, configura um quadro de urgência que exige essa análise integrada para decidir a conduta. É exatamente essa correlação que define a gravidade e orienta o tratamento — a alternativa espelha o raciocínio neurorradiológico correto.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de TCE com TC, desconfie de alternativas com palavras absolutas como "exclusivamente", "necessariamente" ou "suficiente" — a interpretação radiológica é sempre integrada. Memorize a tríade: localização + efeito de massa + correlação clínica. Essa é a chave para acertar esse tipo de questão.