Questão de Criminalística — Microvestígios e Vestígios Biológicos — INSTITUTO AOCP 2025
Criminalística›Microvestígios e Vestígios Biológicos
Código
qa641206
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
IGP RS
Ano
2025
Cargo
Papis ( )
A análise pericial deve sempre seguir o método científico. Em relação aos métodos da criminalística, assinale a alternativa correta.
AOs testes colorimétricos são considerados exames definitivos para análise de entorpecentes.
BSais de nitritos produzidos pela combustão do disparo de arma de fogo são prova definitiva para indicar se a arma foi utilizada nos últimos sete dias.
CO método de uso do reagente rodizonato de sódio para busca de resíduos de disparo de arma de fogo nas mãos dos suspeitos é menos dispendioso e mais confiável, sendo, portanto, o mais recomendado.
DO teste ideal para verificar a presença de sangue e confirmar se este é de origem humana ou animal é denominado Kastle-Meyer.
EOs métodos usados para extração, quantificação e amplificação das amostras de material genético permitem resultados confiáveis de amostras coletadas contendo células epiteliais deixadas em um objeto quando este é manuseado por um suspeito.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoE — Os métodos usados para extração, quantificação e amplificação das amostras de material genético permitem resultados confiáveis de amostras coletadas contendo células epiteliais deixadas em um objeto quando este é manuseado por um suspeito.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Métodos da Criminalística: testes presuntivos, confirmatórios e análise de DNA
Gabarito: letra E. A alternativa correta trata da análise de DNA forense: os métodos de extração, quantificação e amplificação (PCR) permitem obter perfis genéticos confiáveis a partir de células epiteliais deixadas em objetos manuseados — o chamado DNA de contato, fundamentado no Princípio da Troca de Locard. As demais alternativas erram ao atribuir caráter definitivo a testes presuntivos (colorimétricos, rodizonato de sódio, Kastle-Meyer) ou ao afirmar que sais de nitritos indicam com certeza o uso da arma nos últimos sete dias.
A Criminalística é a disciplina que aplica o método científico à investigação de vestígios, buscando estabelecer a materialidade do fato e, quando possível, sua autoria. Seus dois postulados fundamentais são o Princípio de Locard — "todo contato deixa um traço" — e o Princípio da Individualidade — não existem dois objetos absolutamente idênticos. É a combinação desses princípios que torna possível a identificação e a prova científica. No exame de vestígios, o perito utiliza o chamado "Heptâmetro de Quintiliano", que busca responder: o quê, quem, quando, como, onde, com que meio e por quê.
No que tange aos métodos analíticos, é essencial distinguir testes presuntivos (ou de triagem) de testes confirmatórios (ou definitivos). Os testes presuntivos são rápidos, sensíveis e de baixo custo, mas podem gerar falsos positivos — por isso, servem apenas para indicar a possível presença de uma substância, exigindo confirmação por método mais específico. Os testes confirmatórios, por sua vez, são aqueles que identificam a substância com alto grau de certeza, como a cromatografia acoplada à espectrometria de massas (GC-MS, LC-MS) para entorpecentes, ou a análise de DNA para identificação humana.
A análise de DNA forense é um exemplo de método confirmatório de alta confiabilidade. O fluxo básico envolve: (1) extração do DNA das células presentes no vestígio; (2) quantificação para verificar a quantidade e a qualidade do material; e (3) amplificação por PCR (reação em cadeia da polimerase), que copia regiões específicas do DNA (STRs) para gerar um perfil genético. Esse perfil pode ser comparado com amostras de referência. O DNA de contato — células epiteliais deixadas ao tocar um objeto — é uma realidade pericial: mesmo pequenas quantidades podem gerar perfis utilizáveis, embora exijam cuidados para evitar contaminação e interpretar misturas.
A pegadinha central desta questão é a confusão entre testes presuntivos e confirmatórios. A banca apresenta testes de triagem (colorimétricos, rodizonato de sódio, Kastle-Meyer) como se fossem definitivos, quando na verdade são apenas indicativos. O único método que, na prática forense, permite resultados confiáveis a partir de vestígios de contato é a análise de DNA — exatamente o que a alternativa E afirma. Guarde essa fronteira: presuntivo = triagem, não conclusivo; confirmatório = definitivo, como o DNA.
Método
Tipo
Finalidade
Confiabilidade
Testes colorimétricos (ex.: Scott, Marquis)
Presuntivo (triagem)
Indicar possível presença de entorpecentes
Baixa (pode gerar falsos positivos)
Pesquisa de nitritos (GSR)
Presuntivo
Indicar possível resíduo de disparo
Baixa (não é definitivo; outras fontes possíveis)
Rodizonato de sódio
Presuntivo
Detectar chumbo em resíduos de disparo
Baixa (reage com outros metais)
Kastle-Meyer
Presuntivo
Indicar possível presença de sangue
Baixa (não distingue origem humana/animal)
Análise de DNA (extração, quantificação, PCR)
Confirmatório
Identificar perfil genético (inclusive DNA de contato)
Alta (método definitivo e confiável)
Testes na Criminalística
1Presuntivos (triagem)
Colorimétricos (entorpecentes)
Rodizonato de sódio (chumbo/GSR)
Kastle-Meyer (sangue)
2Confirmatórios (definitivos)
GC-MS / HPLC (entorpecentes)
MEV/EDS (resíduo de disparo)
Análise de DNA (identificação)
3DNA de contato
Células epiteliais (Locard)
Extração → quantificação → PCR
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ❌ Incorreta
Os testes colorimétricos (como o teste de Scott para cocaína ou o de Marquis para opiáceos) são testes presuntivos, não definitivos. Eles indicam a possível presença de uma substância, mas podem reagir com outras compostos (falsos positivos). Para análise definitiva de entorpecentes, são necessários métodos confirmatórios, como cromatografia gasosa acoplada à espectrometria de massas (GC-MS) ou cromatografia líquida de alta eficiência (HPLC). O erro está em atribuir caráter definitivo a um teste de triagem.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Os sais de nitritos (nitritos e nitratos) são produtos da combustão da pólvora e podem ser detectados em resíduos de disparo (GSR). No entanto, sua presença não é prova definitiva de que a arma foi disparada, pois podem originar-se de outras fontes (adubos, explosivos, certos medicamentos) e não há um prazo fixo de sete dias para sua detecção — a persistência do GSR nas mãos é de poucas horas (geralmente até 4-6 horas), não dias. Além disso, a análise de GSR moderna prioriza a detecção de chumbo, antimônio e bário por MEV/EDS (microscopia eletrônica de varredura com espectroscopia de energia dispersiva), que é mais específica que a simples pesquisa de nitritos.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O rodizonato de sódio é um reagente usado em teste presuntivo para chumbo (Pb) em resíduos de disparo. A alternativa afirma que é "menos dispendioso e mais confiável, sendo o mais recomendado" — isso é duplamente errado: (1) é um teste presuntivo, não confirmatório, portanto menos confiável que métodos como MEV/EDS; (2) embora seja de baixo custo, sua baixa especificidade (pode reagir com outros metais) faz com que não seja o mais recomendado. O método mais confiável para GSR é a microscopia eletrônica de varredura com espectroscopia de raios X (MEV/EDS), que identifica partículas características (Pb, Sb, Ba) com morfologia típica.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O teste de Kastle-Meyer é um teste presuntivo para sangue, baseado na atividade peroxidase da hemoglobina. Ele indica a possível presença de sangue, mas não distingue origem humana de animal — reage com sangue de qualquer espécie. Para confirmar origem humana, utiliza-se a análise imunológica (como o teste de precipitação com anti-soro humano) ou a análise de DNA. A alternativa erra ao atribuir ao Kastle-Meyer a capacidade de diferenciar origem humana/animal, o que ele não faz.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa descreve corretamente a aplicação da análise de DNA forense: os métodos de extração, quantificação e amplificação (PCR) permitem obter perfis genéticos confiáveis a partir de células epiteliais deixadas em objetos manuseados. Isso é o DNA de contato (touch DNA), fundamentado no Princípio de Locard — ao tocar um objeto, o suspeito deixa células epiteliais que podem ser coletadas e analisadas. A técnica é amplamente utilizada e aceita na perícia criminal, com protocolos validados para pequenas quantidades de material. A confiabilidade depende de cuidados na coleta, prevenção de contaminação e interpretação adequada dos resultados.
Gabarito: letra E — a única alternativa que descreve corretamente um método confirmatório e confiável na prática pericial.