Questão de Criminalística — Microvestígios e Vestígios Biológicos — INSTITUTO AOCP 2025
Criminalística›Microvestígios e Vestígios Biológicos
Código
qa641207
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
IGP RS
Ano
2025
Cargo
Papis ( )
Corpo de delito pode ser conceituado como o conjunto de vestígios materiais derivados da infração penal. Assinale a alternativa que apresenta um exemplo de exame de corpo de delito direto.
AAnálise de impressão digital por meio de fotografia.
BAvaliação da extensão das lesões no corpo da vítima por meio do prontuário médico.
CEstimativa da quantidade de cocaína consumida em determina região a partir da análise qualitativa e quantitativa da substância benzoilecgonina encontrada na rede de esgoto e que é excretada pela urina após metabolização.
DCarta coletada em local de suposto suicídio que será objeto de exame grafotécnico.
EAferição das características de arma de fogo usada em local de roubo por meio da degravação de imagens de câmera de monitoramento.
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GabaritoD — Carta coletada em local de suposto suicídio que será objeto de exame grafotécnico.
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Exame de corpo de delito: direto × indireto
Gabarito: letra D. O exame de corpo de delito direto é aquele realizado sobre o próprio vestígio material deixado pela infração penal, sem intermediação de outra fonte de prova. A carta coletada em local de suposto suicídio, submetida a exame grafotécnico, é o próprio vestígio — o documento em si —, portanto exame direto. As demais alternativas envolvem exames indiretos, pois partem de representações, registros ou inferências sobre o vestígio, e não do vestígio em si.
O conceito de corpo de delito é central no processo penal brasileiro. Trata-se do conjunto de vestígios materiais deixados pela infração penal, ou seja, tudo aquilo que, de forma sensível, demonstra a existência do crime. A distinção entre exame direto e indireto é uma das mais cobradas em provas de Criminalística e Direito Processual Penal, e a banca explora exatamente a confusão entre "examinar o vestígio" e "examinar algo que fala sobre o vestígio".
O exame direto é aquele realizado sobre o próprio corpo de delito, ou seja, sobre o vestígio material em si. O perito analisa diretamente o objeto, a substância, o documento ou o corpo da vítima. Já o exame indireto é aquele que se vale de elementos que não são o vestígio em si, mas que dele dão notícia — como fotografias, prontuários médicos, filmagens, relatos ou inferências científicas. A diferença é a intermediação: no direto, o perito tem contato imediato com o vestígio; no indireto, ele examina uma representação ou consequência do vestígio.
Vejamos um exemplo prático para fixar. Imagine um homicídio com lesões por arma branca. O exame direto seria a necropsia, na qual o médico-legista examina o corpo da vítima e as feridas. O exame indireto seria a análise do prontuário médico do hospital, que descreve as lesões, ou a análise de fotografias do corpo. No primeiro caso, o perito examina o vestígio (o corpo); no segundo, examina um registro sobre o vestígio.
A pegadinha desta questão está em identificar qual alternativa trabalha diretamente com o vestígio material. A carta é o vestígio — o documento que, em tese, foi escrito pelo autor do suposto suicídio. O exame grafotécnico incide sobre a própria carta, analisando a escrita, a pressão, os traços. Não há intermediação: o perito examina o objeto em si. Nas demais alternativas, o exame recai sobre fotografias, prontuários, esgoto ou imagens de câmera — todos elementos que representam ou derivam do vestígio, mas não são o vestígio em si.
Guarde o critério decisivo: exame direto = o perito examina o próprio vestígio; exame indireto = o perito examina uma representação, registro ou consequência do vestígio. É exatamente essa fronteira que separa as alternativas desta questão.
Critério
Exame Direto
Exame Indireto
Objeto examinado
O próprio vestígio material (corpo de delito)
Representação, registro ou consequência do vestígio
Carta coletada submetida a exame grafotécnico (letra D)
Análise de foto de impressão digital; prontuário médico; metabólito no esgoto; degravação de imagens (letras A, B, C, E)
Exame de corpo de delito
1Direto
Sobre o próprio vestígio
Ex.: carta → exame grafotécnico
2Indireto
Representação do vestígio
Fotografia
Prontuário médico
Imagem de câmera
Consequência do vestígio
Metabólito no esgoto
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A análise de impressão digital por meio de fotografia é exame indireto. O vestígio é a impressão digital deixada no local; a fotografia é apenas uma representação desse vestígio. O perito não examina a impressão em si, mas sua imagem. Se o exame fosse feito diretamente sobre o objeto que contém a impressão (o copo, a superfície), aí sim seria direto. A intermediação da fotografia torna o exame indireto.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A avaliação da extensão das lesões por meio do prontuário médico é exame indireto. O vestígio é o corpo da vítima com as lesões; o prontuário é um registro documental feito por terceiros (médicos do hospital). O perito não examina as lesões diretamente, mas a descrição delas no prontuário. Há dupla intermediação: o prontuário foi produzido por outra pessoa e descreve o vestígio. O exame direto seria a perícia médica no corpo da vítima.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A estimativa da quantidade de cocaína consumida a partir da análise de benzoilecgonina no esgoto é exame indireto. O vestígio seria a droga em si ou o corpo do usuário; a benzoilecgonina no esgoto é uma consequência metabólica do consumo, e a análise parte de uma inferência científica para estimar o consumo. O perito não examina a cocaína nem o usuário, mas um subproduto excretado e diluído na rede de esgoto. É um exame indireto por excelência, baseado em raciocínio estatístico e toxicológico.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A carta coletada em local de suposto suicídio, submetida a exame grafotécnico, é exame direto. A carta é o próprio vestígio material — o documento que, em tese, foi escrito pelo autor do suposto suicídio. O exame grafotécnico incide sobre a própria carta, analisando a escrita, a pressão, os traços, a autenticidade. Não há intermediação: o perito examina o objeto em si, o corpo de delito. É exatamente o caso de exame direto.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A aferição das características de arma de fogo por meio da degravação de imagens de câmera de monitoramento é exame indireto. O vestígio é a arma de fogo; as imagens são uma representação visual do momento do crime, que podem até mostrar a arma, mas não são a arma em si. O perito não examina a arma diretamente, mas as imagens que a retratam. Se a arma fosse apreendida e examinada diretamente, aí sim seria exame direto. A intermediação das imagens torna o exame indireto.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre "examinar o vestígio" e "examinar algo que fala sobre o vestígio". Nas alternativas A, B e E, há uma representação do vestígio (fotografia, prontuário, imagem de câmera); na C, uma consequência do vestígio (metabólito no esgoto). Só a D examina o próprio vestígio — a carta. O candidato que não domina a distinção direto × indireto tende a marcar a B, por associar "corpo de delito" a lesões corporais, ou a C, por ser a mais técnica. Mas a regra é clara: direto é o exame sobre o vestígio em si.
Gabarito: letra D — exame de corpo de delito direto é aquele realizado sobre o próprio vestígio material, como a carta submetida a exame grafotécnico.