Questão de Criminalística — Locais de Crime — INSTITUTO AOCP 2025
Criminalística›Locais de Crime
Código
qa641209
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
IGP RS
Ano
2025
Cargo
Papis ( )
Segundo dados da Polícia Rodoviária Federal, em 2024 foram registrados 73.156 acidentes nas rodovias federais, resultando em 6.160 mortos. Os números representam um aumento de 10% com relação ao ano anterior. O isolamento e a preservação em rodovias federais de alto fluxo que não ostentam iluminação pública podem ser um desafio adicional aos agentes de segurança pública. Tendo isso em vista, considere que ocorreu um acidente de trânsito com vítima fatal em rodovia federal ausente de iluminação pública e dotada de sinalização indicativa de velocidade máxima permitida de 110 Km/h. Acerca do isolamento e da preservação nessas condições, assinale a alternativa correta.
AOs policiais militares não poderão tocar em nada antes do levantamento do local por parte da equipe de perícia criminal, exceto na colheita de documentos pessoais no local para fins de qualificação da vítima.
BServidores envolvidos na ocorrência e familiares da vítima são os únicos autorizados a adentrar no local de crime.
CProfissionais dos meios de comunicação não poderão adentrar no local de crime imediato, devendo se deslocar para as adjacências deste.
DO isolamento de local de crime e a preservação não são absolutos. Quando o bem jurídico “vida” de pessoas ou dos agentes públicos estiver em risco, esse bem prevalece sobre o isolamento e a preservação.
EA preservação é a barreira propriamente formada pelos agentes públicos para impedir o acesso de terceiros, e o isolamento é a garantia da não alteração do estado das coisas.
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GabaritoD — O isolamento de local de crime e a preservação não são absolutos. Quando o bem jurídico “vida” de pessoas ou dos agentes públicos estiver em risco, esse bem prevalece sobre o isolamento e a preservação.
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Isolamento e Preservação do Local de Crime
Gabarito: letra D. O isolamento e a preservação do local de crime não são absolutos: quando há risco ao bem jurídico "vida" de pessoas ou dos agentes públicos, este prevalece sobre a preservação do local. Essa é a regra de ouro da atuação em locais de crime, especialmente em rodovias de alto fluxo, onde o socorro às vítimas e a segurança dos envolvidos são prioridade.
O isolamento e a preservação do local de crime são medidas essenciais para garantir a integridade dos vestígios e, consequentemente, a qualidade da perícia. O isolamento consiste em delimitar fisicamente a área onde ocorreu o fato, impedindo o acesso de pessoas não autorizadas. A preservação, por sua vez, é a garantia de que o estado das coisas no local não seja alterado, mantendo os vestígios intactos até a chegada da equipe pericial. Essas medidas são fundamentais para que o perito possa analisar a cena e reconstruir a dinâmica dos fatos com precisão.
No entanto, a regra não é absoluta. Em situações de emergência, como em um acidente de trânsito com vítimas, o socorro imediato e a preservação da vida humana se sobrepõem à necessidade de preservar o local. O agente de segurança pública deve, nesses casos, priorizar o atendimento às vítimas e a segurança de todos os envolvidos, mesmo que isso implique na alteração de alguns vestígios. Essa exceção é reconhecida pela doutrina e pela prática pericial, que entendem que a vida é o bem jurídico mais importante e deve prevalecer em situações de conflito.
A atuação do agente público em um local de crime envolve uma série de procedimentos que visam equilibrar a necessidade de preservar os vestígios com a urgência de socorrer vítimas e garantir a segurança. Em rodovias de alto fluxo, como a descrita no enunciado, esse desafio é ainda maior, pois o tráfego de veículos e a ausência de iluminação pública podem dificultar o isolamento e aumentar os riscos para os envolvidos. Nesses casos, o agente deve agir com bom senso e priorizar a vida, adotando medidas de segurança adicionais, como sinalização do local e desvio do tráfego.
A banca explora exatamente essa tensão entre a preservação do local e a proteção da vida. A alternativa correta reconhece que a preservação não é um fim em si mesmo, mas um meio para a obtenção de provas, e que a vida humana sempre terá prioridade. As demais alternativas apresentam distorções sobre os conceitos de isolamento e preservação, ou sobre quem pode acessar o local, e serão analisadas a seguir.
Isolamento e preservação
1Isolamento
Barreira física
Impede acesso de terceiros
2Preservação
Garante estado das coisas
Mantém vestígios intactos
3Regra de ouro
Não são absolutos
Vida prevalece
Socorro imediato
Segurança dos agentes
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que os policiais militares não poderão tocar em nada antes do levantamento do local, exceto na colheita de documentos pessoais para qualificação da vítima. Isso está incorreto, pois a prioridade em um acidente com vítima fatal é o socorro e a preservação da vida. Os agentes podem e devem prestar os primeiros socorros, remover vítimas com vida e adotar medidas para garantir a segurança no local, mesmo que isso implique em tocar em objetos ou alterar o estado das coisas. A colheita de documentos pessoais não é a única exceção; a exceção principal é a proteção à vida.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa restringe o acesso ao local de crime apenas a servidores envolvidos na ocorrência e familiares da vítima. Isso é incorreto, pois o acesso ao local deve ser controlado, mas não se limita a esses grupos. Autoridades, equipe de perícia, e outros profissionais que necessitem adentrar o local para o cumprimento de suas funções podem ter acesso autorizado. Familiares da vítima, em regra, não devem adentrar o local, pois podem alterar vestígios ou sofrer abalo emocional. O controle de acesso é feito pelos agentes responsáveis pelo isolamento, que devem permitir a entrada apenas de quem for estritamente necessário.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que profissionais dos meios de comunicação não poderão adentrar no local de crime imediato, devendo se deslocar para as adjacências. Embora seja verdade que a imprensa não deve ter acesso ao local de crime, a alternativa está incorreta ao afirmar que eles "não poderão adentrar no local de crime imediato". A regra é que a imprensa nunca deve adentrar o local de crime, pois sua presença pode comprometer a preservação dos vestígios e a investigação. Eles devem permanecer em áreas adjacentes, fora do perímetro isolado, e aguardar informações oficiais. A palavra "imediato" sugere que após um tempo eles poderiam entrar, o que não é correto.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa está correta ao afirmar que o isolamento e a preservação não são absolutos e que, quando o bem jurídico "vida" de pessoas ou dos agentes públicos estiver em risco, esse bem prevalece sobre o isolamento e a preservação. Essa é a regra fundamental que orienta a atuação dos agentes de segurança pública em locais de crime. Em um acidente de trânsito com vítimas, por exemplo, o socorro imediato é prioritário, mesmo que isso signifique alterar o local. A vida humana é o bem jurídico mais importante e deve ser protegida acima de qualquer outra consideração.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa inverte os conceitos de isolamento e preservação. Afirma que "a preservação é a barreira propriamente formada pelos agentes públicos para impedir o acesso de terceiros, e o isolamento é a garantia da não alteração do estado das coisas". Na verdade, o isolamento é a barreira física que impede o acesso de terceiros ao local, enquanto a preservação é a garantia de que o estado das coisas não seja alterado. A alternativa troca os termos, o que configura um erro conceitual clássico.