Questão de Criminalística — Criminalística (Aspectos Gerais) — INSTITUTO AOCP 2025
Criminalística›Criminalística (Aspectos Gerais)
Código
qa641217
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
IGP RS
Ano
2025
Cargo
Papis ( )
A criminalística, considerada um ramo das ciências forenses, surge com forte influência da medicina legal e tem por objetivo o reconhecimento e a interpretação dos vestígios extrínsecos derivados das infrações penais. No processo histórico dessa disciplina, o professor e criminologista francês Alexandre Lacassagne ficou conhecido por sua contribuição em assuntos relacionados à área da criminologia, da medicina legal e da criminalística. Nesse sentido, assinale a alternativa que apresenta a contribuição de Alexandre Lacassagne na área da criminalística.
AEstudo relacionado à balística forense, por ter vinculado os estriamentos de projéteis de arma de fogo com os respectivos canos de alma raiada.
BEstudo relacionado ao aprimoramento das técnicas envolvendo confronto de material genético.
CEstudo acerca da imutabilidade dos desenhos digitais.
DEstudo na área da palinologia forense demonstrando a importância dos pólens e esporos de plantas na elucidação de delitos.
ECriação do primeiro laboratório de perícia criminal da França, conhecido como “Laboratoire d’Expertise Judiciaire de Lyon”.
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GabaritoA — Estudo relacionado à balística forense, por ter vinculado os estriamentos de projéteis de arma de fogo com os respectivos canos de alma raiada.
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Contribuição de Alexandre Lacassagne à Criminalística
Gabarito: letra A. Alexandre Lacassagne, professor e criminologista francês, é reconhecido na criminalística por seus estudos em balística forense, especialmente por ter vinculado os estriamentos presentes nos projéteis de arma de fogo aos respectivos canos de alma raiada, estabelecendo uma das bases do confronto balístico. Essa contribuição é um marco histórico da disciplina, pois permitiu a individualização da arma utilizada em um delito a partir da análise do projétil.
A criminalística, como ramo das ciências forenses, dedica-se ao reconhecimento e à interpretação dos vestígios extrínsecos derivados das infrações penais. Diferentemente da medicina legal, que estuda os vestígios intrínsecos (no corpo da vítima), a criminalística analisa os indícios materiais externos, como marcas, manchas, objetos e projéteis, com o objetivo de reconstruir a dinâmica do crime e, quando possível, identificar seu autor. Essa distinção é fundamental para compreender o papel de cada ciência no processo de investigação.
A balística forense, área em que Lacassagne se destacou, é o estudo dos fenômenos e efeitos dos projéteis de arma de fogo. Ela se divide em três fases principais: balística interna (estudo do comportamento do projétil dentro do cano da arma), balística externa (estudo da trajetória do projétil no ar) e balística terminal (estudo dos efeitos do projétil no alvo). A contribuição de Lacassagne está diretamente ligada à balística interna e ao exame de confronto, pois os estriamentos (sulcos e cristas) presentes no interior do cano de alma raiada imprimem marcas características no projétil durante o disparo. Essas marcas são únicas para cada arma, funcionando como uma "impressão digital" que permite vincular o projétil encontrado no local do crime à arma que o disparou.
Para entender a importância dessa descoberta, é preciso considerar que, antes dela, a análise de projéteis era limitada. A percepção de que as irregularidades do cano deixam marcas individualizadoras no projétil revolucionou a perícia criminal, tornando possível o confronto balístico. Esse confronto é realizado por meio de microscópios de comparação, que permitem ao perito analisar lado a lado o projétil questionado (encontrado no crime) e um projétil teste (disparado pela arma suspeita), verificando se as marcas coincidem. Essa técnica é um dos pilares da balística forense e é amplamente utilizada até hoje.
A banca explora a confusão entre as contribuições de diferentes cientistas e estudiosos da área forense. É comum que o candidato confunda Lacassagne com outros nomes importantes, como Hans Gross (considerado o pai da criminalística), Edmond Locard (princípio da troca) ou até mesmo com avanços mais recentes, como o confronto de material genético. A chave para acertar a questão é lembrar que Lacassagne é especificamente associado à balística forense e ao estudo dos estriamentos dos projéteis.
Alexandre Lacassagne
1Contribuição
Balística forense
Estriamentos do projétil
Canos de alma raiada
Base do confronto balístico
2Confusões comuns
Hans Gross (pai da criminalística)
Edmond Locard (princípio da troca)
Alec Jeffreys (DNA)
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta alternativa está correta porque descreve com precisão a contribuição de Alexandre Lacassagne. Ele foi um dos pioneiros no estudo da balística forense, estabelecendo a relação entre os estriamentos dos projéteis e os canos de alma raiada das armas de fogo. Essa descoberta é fundamental para o confronto balístico, permitindo a identificação da arma utilizada em um crime.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Esta alternativa está incorreta porque o aprimoramento das técnicas de confronto de material genético (DNA) é uma contribuição muito mais recente, associada a cientistas como Alec Jeffreys, na década de 1980. Não há relação entre essa técnica e os estudos de Lacassagne, que viveu no século XIX e início do século XX.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Esta alternativa está incorreta porque o estudo da imutabilidade dos desenhos digitais (papiloscopia) é atribuído a outros pesquisadores, como Marcelo Malpighi, Juan Vucetich e Edward Henry. Lacassagne não é conhecido por contribuições nessa área específica da identificação humana.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Esta alternativa está incorreta porque a palinologia forense, que estuda a importância dos pólens e esporos de plantas na elucidação de delitos, é uma área especializada que não está associada a Lacassagne. Essa contribuição é atribuída a outros cientistas, como o botânico suíço Heinrich Zoller.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Esta alternativa está incorreta porque a criação do primeiro laboratório de perícia criminal da França, conhecido como "Laboratoire d'Expertise Judiciaire de Lyon", é atribuída a Edmond Locard, não a Lacassagne. Locard, que foi aluno de Lacassagne, fundou esse laboratório em 1910 e é famoso pelo princípio da troca, que estabelece que todo contato deixa um vestígio.