Pular para o conteúdo principal

Questão de Direito Processual Penal — Questões Mescladas sobre a Prova (arts. 155 a 250 do CPP) — INSTITUTO AOCP 2025

Direito Processual PenalQuestões Mescladas sobre a Prova (arts. 155 a 250 do CPP)
Código
qa647482
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
PM PR
Ano
2025
Cargo
Cad ( )
Quanto às provas e às medidas cautelares de natureza pessoal, assinale a alternativa correta.
  1. AA confissão extrajudicial somente será admissível no processo judicial se feita formalmente e de maneira documentada dentro de um estabelecimento estatal público e oficial. Tais garantias não podem ser renunciadas pelo interrogado e, se alguma delas não for cumprida, a prova será inadmissível.
  2. BA confissão extrajudicial, além de possuir plena eficácia probatória, podendo, por si só, embasar a sentença condenatória, também pode servir como meio de obtenção de provas, indicando à polícia ou ao Ministério Público possíveis fontes de provas na investigação.
  3. CEm caso de fuga repentina ao avistar a polícia, presume-se a legalidade da busca pessoal realizada, cabendo ao suposto infrator demonstrar que não havia justo motivo para a abordagem, uma vez que a palavra dos policiais goza de fé pública.
  4. DÀ luz do princípio da isonomia, é compatível com a Constituição Federal a previsão contida no Código de Processo Penal que concede o direito a prisão especial, até decisão penal definitiva, a pessoas com diploma de ensino superior.
  5. EEm razão do advento da Lei nº 13.964/2019, pode o juiz, de ofício ou a requerimento das partes legitimadas, decretar ou converter prisão em flagrante em prisão preventiva.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — A confissão extrajudicial somente será admissível no processo judicial se feita formalmente e de maneira documentada dentro de um estabelecimento estatal público e oficial. Tais garantias não podem ser renunciadas pelo interrogado e, se alguma delas não for cumprida, a prova será inadmissível.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Provas e medidas cautelares pessoais no CPP

Gabarito: letra A. A alternativa correta trata da confissão extrajudicial, que, para ser admitida no processo judicial, deve ser feita formalmente e de maneira documentada, em estabelecimento estatal público e oficial, sendo tais garantias irrenunciáveis — a inobservância torna a prova inadmissível. Esse entendimento decorre da interpretação sistemática do art. 155 do CPP (que veda a fundamentação exclusiva em elementos informativos da investigação) e do art. 197 do CPP (que exige o confronto da confissão com as demais provas), além da jurisprudência do STJ sobre a necessidade de formalidade e documentação da confissão extrajudicial.

A questão mescla temas de provas (confissão, busca pessoal) e de medidas cautelares pessoais (prisão especial, prisão preventiva), cobrando do candidato o domínio de regras específicas do CPP e da jurisprudência consolidada. Vamos analisar cada alternativa em detalhe.

Confissão extrajudicial
  • 1Requisitos de validade
    • Formal
    • Documentada
    • Estabelecimento estatal oficial
    • Garantias irrenunciáveis
  • 2Eficácia probatória
    • Não basta por si só
    • Confronto com demais provas (art. 197)
    • Não fundamenta decisão isoladamente (art. 155)
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A confissão extrajudicial, para ser utilizada como prova no processo judicial, deve observar requisitos formais: ser feita formalmente, de maneira documentada, e em estabelecimento estatal público e oficial (como uma delegacia de polícia). Essas garantias são irrenunciáveis pelo interrogado, pois visam assegurar a voluntariedade e a autenticidade da declaração. Se alguma dessas formalidades não for cumprida, a prova será considerada inadmissível, não podendo embasar uma condenação.

O art. 155 do CPP estabelece que o juiz não pode fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos informativos colhidos na investigação, o que inclui a confissão extrajudicial. Além disso, o art. 197 do CPP determina que o valor da confissão deve ser aferido em confronto com as demais provas do processo, verificando-se a compatibilidade entre elas.

Art. 155CPP

Art. 155 — "O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida em contraditório judicial, não podendo fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos informativos colhidos na investigação, ressalvadas as provas cautelares, não repetíveis e antecipadas"

Art. 197CPP

Art. 197 — "O valor da confissão se aferirá pelos critérios adotados para os outros elementos de prova, e para a sua apreciação o juiz deverá confrontá-la com as demais provas do processo, verificando se entre ela e estas existe compatibilidade ou concordância"

A exigência de formalidade e documentação da confissão extrajudicial, bem como a irrenunciabilidade dessas garantias, é reforçada pela jurisprudência do STJ, que considera inadmissível a confissão obtida sem a observância desses requisitos, pois isso violaria as garantias do devido processo legal e da ampla defesa.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A confissão extrajudicial não possui, por si só, plena eficácia probatória para embasar uma sentença condenatória. Conforme o art. 155 do CPP, o juiz não pode fundamentar sua decisão exclusivamente em elementos informativos colhidos na investigação, o que inclui a confissão extrajudicial. Além disso, o art. 197 do CPP exige que a confissão seja confrontada com as demais provas do processo. Portanto, a confissão extrajudicial, isoladamente, não é suficiente para uma condenação; ela precisa ser corroborada por outras provas produzidas sob o crivo do contraditório judicial.

A alternativa também afirma que a confissão pode servir como meio de obtenção de provas, indicando fontes de prova à polícia ou ao Ministério Público. Isso é parcialmente verdadeiro, mas a afirmação principal — de que a confissão extrajudicial tem plena eficácia probatória e pode, por si só, embasar a condenação — está incorreta.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A fuga repentina ao avistar a polícia não presume, por si só, a legalidade da busca pessoal. A busca pessoal exige fundada suspeita, conforme o art. 244 do CPP, que deve ser demonstrada com base em elementos objetivos. A fuga pode ser um indício, mas não é suficiente para justificar a busca sem outros elementos que indiquem a prática de crime. Além disso, a palavra dos policiais não goza de fé pública absoluta; ela é um elemento de prova que deve ser avaliado pelo juiz em conjunto com os demais.

A jurisprudência do STJ tem consolidado o entendimento de que a busca pessoal sem fundada suspeita é ilegal, e as provas obtidas dessa forma são consideradas ilícitas. Portanto, a alternativa está incorreta ao afirmar que a fuga presume a legalidade da busca e que cabe ao suposto infrator demonstrar a ausência de justo motivo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A previsão do CPP que concede prisão especial, até decisão penal definitiva, a pessoas com diploma de ensino superior foi declarada incompatível com a Constituição Federal pelo STF. O princípio da isonomia (art. 5º, caput, CF) veda tratamento diferenciado sem justificativa razoável, e a prisão especial com base apenas no nível de escolaridade não encontra fundamento constitucional. O STF, no julgamento do RE 964.959 (Tema 915), decidiu que a prisão especial para portadores de diploma de ensino superior é inconstitucional, pois viola o princípio da igualdade.

Portanto, a alternativa está incorreta ao afirmar que a previsão é compatível com a Constituição.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Com o advento da Lei nº 13.964/2019 (Pacote Anticrime), o juiz não pode decretar ou converter a prisão em flagrante em prisão preventiva de ofício. A nova redação do art. 311 do CPP estabelece que a prisão preventiva somente poderá ser decretada ou convertida em preventiva a requerimento do Ministério Público, do querelante ou do assistente de acusação, sendo vedada a decretação de ofício pelo juiz. Essa mudança visa reforçar o sistema acusatório e a imparcialidade do juiz.

Portanto, a alternativa está incorreta ao afirmar que o juiz pode decretar ou converter a prisão em flagrante em preventiva de ofício.

Gabarito: letra A

Link permanente: /questoes/qa647482