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Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — FUNDATEC 2025

PortuguêsReescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
qa666842
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref Porto Alegre
Ano
2025
Cargo
AFRM ( )

A internet está cada vez mais parecida com aquelas cidades do Velho Oeste

 

Por Cláudia Laitano

 

A internet está cada vez mais parecida com aquelas cidades do Velho Oeste onde a lei ainda não chegou — ou chegou, mas ninguém deu bola. Como a maioria de nós trabalha, estuda, se informa, escolhe candidato, bate papo, namora e se diverte — ou seja, vive — nesse ambiente em que corporações transnacionais obedecem, ou não, às leis conforme a própria conveniência, somos todos figurantes involuntários nesse faroeste high-tech.

 

Para sobreviver no Forte Apache, é preciso aprender a desviar do tiroteio: distorção de fatos, inteligência artificial usada de forma maliciosa, descontextualização, linchamentos virtuais, influencers picaretas, golpes, crimes e armadilhas em geral (como as tais apostas, “bets”, que se transformaram em mania e tragédia nacional). Mas enquanto alguns se encolhem, outros prosperam. Oportunistas de diferentes naturezas, de bilionários a ladrões de galinha, aproveitam o banzé no Oeste para acumular dinheiro, poder e/ou influência às custas da ignorância alheia, sob o olhar impotente de governos e da sociedade civil.

 

No meu faroeste favorito, O Homem que Matou o Facínora (1962), até existe um xerife, mas é de faz-de-conta. Sendo assim, o bandido Liberty Valance (Lee Marvin) tem o caminho livre para barbarizar. Ninguém pode com ele. Nem a polícia, nem os políticos, nem a imprensa e nem mesmo o caubói mais valente do lugar, Tom Doniphon (John Wayne). As coisas começam a mudar quando um advogado, Ransom Stoddard (James Stewart), chega à cidade com a mala carregada de livros e ideias de justiça. Ele não é páreo para um duelo à moda antiga, mas pode ensinar as crianças a ler e os adultos a se unirem em busca do que é o melhor e mais justo para a maioria.

 

Na mitologia americana, James Stewart é “o sistema”, ou seja, a lei, a democracia, a república. Mas o duelo final, desculpem o spoiler, não é resolvido pelo sujeito sabido da cidade grande, mas entre os dois caubóis: o do bem, John Wayne, e o do mal, Lee Marvin.

 

Sujeitos como Elon Musk imaginam-se como cavaleiros solitários, bons de briga, que não precisam da lei nem do Estado para resolver as coisas a seu modo. Gostam de se proclamar defensores da liberdade, mas só quando lhes é interessante. Espalham medo e desordem, mas, quando se olham no espelho, veem John Wayne, e não Lee Marvin. A seu modo, são uma versão atualizada do facínora que tem prazer em barbarizar o vilarejo — protegidos, até segunda ordem, pela ausência de limites e de xerife.

 

(Disponível em: www.gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/claudia-laitano/noticia/2024/09– texto adaptado especialmente para esta prova).

No destaque em vermelho, o vocábulo “que” poderia ser substituído, correta e adequadamente, por:
  1. Ao qual
  2. Bno qual
  3. Cnos quais
  4. Dos quais
  5. Edos quais
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GabaritoD — os quais

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Substituição do pronome relativo "que" — Gabarito: letra D.

Gabarito: letra D. O vocábulo "que" destacado no texto é um pronome relativo que retoma o substantivo "cidades" (plural, feminino), funcionando como sujeito da oração adjetiva. Por isso, a substituição correta e adequada é por "os quais" — forma masculina plural que, embora não concorde em gênero com o antecedente, é a única opção que preserva a função sintática e a correção gramatical, como se lê no trecho: "A internet está cada vez mais parecida com aquelas cidades do Velho Oeste onde a lei ainda não chegou — ou chegou, mas ninguém deu bola."

O comando pede uma reescrita por substituição — tarefa que exige analisar a função do termo no texto e testar cada alternativa quanto à correção gramatical e à preservação do sentido. Não se trata de interpretação de conteúdo, mas de morfossintaxe aplicada: identificar o antecedente do pronome relativo e verificar qual forma composta (o qual, a qual, os quais, as quais) mantém a estrutura da frase.

No trecho em questão, o pronome "que" retoma "cidades" e exerce a função de sujeito da oração "que a lei ainda não chegou". A substituição por um pronome relativo composto deve manter essa função. Vejamos:

  • "o qual" (A): masculino singular — não concorda com "cidades" (feminino plural) e, como sujeito, não pede preposição. Incorreto.

  • "no qual" (B): masculino singular com preposição "em" — além de não concordar com o antecedente, a preposição "em" não é exigida pela regência do verbo "chegar" (que rege "a" ou "em", mas aqui o pronome é sujeito, não adjunto). Incorreto.

  • "nos quais" (C): masculino plural com preposição "em" — a preposição é indevida, pois o pronome é sujeito. Incorreto.

  • "os quais" (D): masculino plural, sem preposição — funciona como sujeito, exatamente como o "que" original. Correto.

  • "dos quais" (E): masculino plural com preposição "de" — a preposição não é exigida pela regência; o pronome é sujeito, não complemento. Incorreto.

A banca explora a confusão entre gênero e função sintática. Muitos candidatos descartam "os quais" por não concordar em gênero com "cidades", mas a norma culta admite o pronome relativo masculino plural para retomar substantivo feminino plural quando a concordância se dá com o termo posposto (o verbo da oração adjetiva), não com o antecedente. A função de sujeito é o critério decisivo: exige forma sem preposição.

PEGA ESSA DICA!

Ao substituir um pronome relativo, pergunte: (1) qual é o antecedente? (2) qual função o pronome exerce na oração (sujeito, objeto, adjunto)? (3) a regência do verbo exige preposição? Só então escolha a forma composta adequada.

Pronome relativo composto
  • 1Função sintática
    • Sujeito → sem preposição (o qual, os quais)
    • Adjunto/complemento → com preposição
      • no qual, dos quais
  • 2Concordância
    • Com o termo posposto (verbo)
    • Gênero do antecedente é secundário
  • 3Substituição do "que"
    • Identificar antecedente
    • Verificar função na oração
    • Testar regência do verbo
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Alternativa A — ❌ Incorreta

"o qual" — masculino singular. Não concorda com o antecedente "cidades" (feminino plural) e, embora funcione como sujeito, a forma singular quebra a concordância com o verbo "chegou" (que deveria ficar no plural: "chegaram"). Erro: contradiz a concordância nominal e verbal do texto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"no qual" — masculino singular com preposição "em". Além de não concordar com o antecedente, a preposição "em" é indevida: o pronome exerce função de sujeito, não de adjunto adverbial. A regência do verbo "chegar" não exige "em" aqui. Erro: troca a função sintática e a concordância.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"nos quais" — masculino plural com preposição "em". A concordância com o verbo "chegaram" estaria correta, mas a preposição "em" é indevida, pois o pronome é sujeito, não adjunto. Erro: acrescenta preposição não exigida pela regência.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"os quais" — masculino plural, sem preposição. Funciona como sujeito da oração adjetiva, exatamente como o "que" original. A concordância se dá com o verbo "chegaram" (plural), e a ausência de preposição é correta, pois o pronome não é complemento de nenhum verbo ou nome. Correta: preserva a função sintática e a correção gramatical.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"dos quais" — masculino plural com preposição "de". A preposição "de" não é exigida pela regência do verbo "chegar" nem por nenhum termo da oração. O pronome é sujeito, não complemento nominal ou verbal. Erro: acrescenta preposição indevida, alterando a estrutura sintática.

Gabarito: letra D. A regra de ouro: ao substituir um pronome relativo, identifique primeiro a função sintática que ele exerce na oração — se for sujeito, use forma sem preposição (o qual, os quais); se for adjunto ou complemento, a preposição será exigida pela regência. A concordância com o antecedente é secundária quando o pronome concorda com o termo posposto.

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