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Questão de Português — Questões Mescladas de Sintaxe — FUNDATEC 2025

PortuguêsQuestões Mescladas de Sintaxe
Código
qa667067
Banca
FUNDATEC
Órgão
CM Candiota
Ano
2025
Cargo
Cont ( )

Caminhos da Reportagem trata dos 60 anos do golpe militar no Brasil

 

Por Agência Brasil

 

O Caminhos da Reportagem foi ao ar em março de 2024 e tratou dos desdobramentos, ainda presentes, do golpe militar no Brasil, que há 60 anos colocou fim ao governo de João Goulart. Uma após a outra, tropas do exército aderiram à sublevação iniciada em Juiz de Fora, na madrugada daquele 31 de março de 1964.

 

O golpe teve apoio de setores conservadores da política e da sociedade, de empresários, da Igreja Católica e das Forças Armadas. Castello Branco assumiu a presidência em 15 de abril, tornando-se o primeiro dos cinco presidentes-generais. A ditadura civil-militar ali iniciada durou 21 anos. A atriz Dulce Muniz lembra bem daquele dia. Ela ouviu o anúncio pelo rádio: “Veio uma voz… A partir deste instante, a Rádio Nacional passa a fazer parte da cadeia da legalidade.

 

Pronto. Estava dado o golpe. Eu tinha 16 anos”.

 

Até hoje, são raros os espaços de memória que contam a história dos anos de repressão.

 

O principal deles é o Memorial da Resistência, criado no prédio que abrigava o temido Departamento de Ordem Política e Social, o Deops, em São Paulo. Para a diretora técnica do Memorial, Ana Pato, “a criação de centros culturais dedicados à memória dessa violência do Estado são fundamentais para que as gerações seguintes não só aprendam com isso, mas que a própria sociedade consiga elaborar o trauma”. No Rio Grande do Sul, o projeto Marcas da Memória tenta demarcar, identificar e explicar a história de importantes espaços repressivos em Porto Alegre; dos 39 aparatos da ditadura conhecidos no estado, apenas nove ganharam placas, algumas delas já apagadas.

 

Segundo Jair Krischke, coordenador do Movimento de Direitos Humanos e um dos idealizadores do projeto, não há interesse por parte do poder público em iniciativas como esta: “Nós, como organização privada, estamos fazendo aquilo que o Estado deveria fazer. Como não faz, nós fizemos, provocamos.”. O desejo de Krischke, e de todos que trabalham e lutam para que as marcas da ditadura não sejam esquecidas, é transformar esses espaços pelo Brasil em museus e memoriais. Uma das grandes referências no tema é o Museu da Memória e Direitos Humanos de Santiago, no Chile. Para María Fernanda García, diretora do museu, “é muito importante dizer que aqui houve atropelos do Estado. É preciso dar visibilidade e dignidade às vítimas, o que não lhes foi dado durante aquele período nem depois, durante muitos anos”.

 

Não prestar contas com o passado faz com que a democracia brasileira se torne frágil e que a violência do Estado ainda seja recorrente. “A questão da impunidade é altamente contagiosa. A violência que constatamos ainda hoje é fruto disso, da impunidade. A tortura ainda é usada pelas polícias e nos presídios. É uma herança que nós não conseguimos nos livrar”, afirma Jair Krischke.

 

(Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2024-03/caminhos-da-reportagem-

trata-dos-60-anos-do-golpe-militar-no-brasil – texto adaptado especialmente para esta prova).

Acerca do trecho “O golpe teve apoio de setores conservadores da política e da sociedade, de empresários, da Igreja Católica e das Forças Armadas. Castello Branco assumiu a presidência em 15 de abril, tornando-se o primeiro dos cinco presidentes-generais”, analise as assertivas a seguir:

 

I. Em “Castello Branco assumiu a presidência em 15 de abril”, o verbo “assumiu” classifica-se como transitivo direto.

 

II. A frase “tornando-se o primeiro dos cinco presidentes-generais” expressa uma circunstância de modo em relação à oração principal.

 

III. O trecho “de setores conservadores da política e da sociedade, de empresários, da Igreja Católica e das Forças Armadas” exemplifica um caso de adjunto adverbial de companhia.

 

Quais estão corretas?

  1. AApenas I.
  2. BApenas II.
  3. CApenas III.
  4. DApenas I e II.
  5. EI, II e III.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Apenas I e II.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Análise sintática: transitividade, oração reduzida e adjunto adverbial

Gabarito: letra D (Apenas I e II). A assertiva I está correta porque "assumiu" é verbo transitivo direto, exigindo complemento sem preposição ("a presidência" = objeto direto). A assertiva II está correta porque "tornando-se o primeiro dos cinco presidentes-generais" é uma oração subordinada adverbial reduzida de gerúndio, que expressa circunstância de modo (como Castello Branco assumiu). A assertiva III está incorreta porque o trecho "de setores conservadores..." não é adjunto adverbial de companhia, mas sim complemento nominal do substantivo "apoio".

O comando pede análise sintática de trechos específicos do texto, exigindo conhecimento de transitividade verbal, orações reduzidas e termos da oração. Não se trata de interpretação de sentido, mas de classificação gramatical — o que muda a estratégia: é preciso aplicar a regra ao trecho, não buscar pistas de sentido.

No trecho analisado, o texto afirma que "O golpe teve apoio de setores conservadores da política e da sociedade, de empresários, da Igreja Católica e das Forças Armadas". A palavra "apoio" é um substantivo abstrato que exige complemento — "de setores..." completa o sentido de "apoio", funcionando como complemento nominal, não como adjunto adverbial. Já em "Castello Branco assumiu a presidência em 15 de abril", o verbo "assumir" pede objeto direto ("a presidência"), e a locução "em 15 de abril" é adjunto adverbial de tempo. A oração "tornando-se o primeiro dos cinco presidentes-generais" é reduzida de gerúndio e indica o modo como a ação principal ocorreu.

A técnica central aqui é testar a transitividade verbal (perguntar "o quê?" ou "quem?" após o verbo) e identificar a função do termo preposicionado (se completa um nome, é complemento nominal; se completa um verbo, é objeto indireto; se indica circunstância, é adjunto adverbial). A banca explora a confusão entre complemento nominal e adjunto adverbial, que é uma das pegadinhas mais comuns em provas de sintaxe.

Análise sintática
  • 1Transitividade verbal
    • VTD (assumiu a presidência)
    • VTI
    • VTDI
  • 2Oração reduzida de gerúndio
    • Circunstância de modo
  • 3Termo preposicionado
    • Completa nome → complemento nominal
    • Completa verbo → objeto indireto
    • Indica circunstância → adjunto adverbial
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Item I — ✅ Correto

"Castello Branco assumiu a presidência em 15 de abril"

O verbo "assumiu" é transitivo direto porque exige complemento sem preposição: "assumiu o quê?" → "a presidência". O termo "a presidência" é o objeto direto. A transitividade se confirma pelo teste da pergunta: o verbo "assumir" pede um alvo direto, sem preposição obrigatória. A assertiva está correta.

Item II — ✅ Correto

"tornando-se o primeiro dos cinco presidentes-generais"

Esta é uma oração subordinada adverbial reduzida de gerúndio. A forma "tornando-se" (gerúndio) indica circunstância de modo em relação à oração principal: Castello Branco assumiu a presidência de que maneira? → tornando-se o primeiro dos cinco presidentes-generais. A oração responde à pergunta "como?", caracterizando adjunto adverbial de modo. A assertiva está correta.

Item III — ❌ Incorreto

"de setores conservadores da política e da sociedade, de empresários, da Igreja Católica e das Forças Armadas"

Este trecho é complemento nominal do substantivo "apoio", não adjunto adverbial de companhia. O termo "de setores..." completa o sentido do nome "apoio" (apoio de quem?), funcionando como complemento nominal. Adjunto adverbial de companhia indicaria "com quem" algo é feito (ex.: "foi com os aliados"), o que não ocorre aqui. A assertiva está incorreta.

Conclusão: Apenas os itens I e II estão corretos, o que corresponde à letra D. A pegadinha central foi confundir complemento nominal com adjunto adverbial — lembre-se: complemento nominal completa um nome; adjunto adverbial indica circunstância (tempo, modo, companhia, etc.).

PEGA ESSA DICA!

Para diferenciar complemento nominal de adjunto adverbial, pergunte: o termo completa o sentido de um nome (complemento nominal) ou indica uma circunstância do verbo (adjunto adverbial)? No trecho, "de setores..." completa "apoio" (nome), logo é complemento nominal.

Gabarito: letra D

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