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Questão de Português — Conjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais — Avança SP 2025

PortuguêsConjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais
Código
qa667310
Banca
Avança SP
Órgão
Pref Vinhedo
Ano
2025
Cargo
Prof (Vinhedo)

A tarde 

 

Desde cedo soprara tão forte o noroeste com seu cheiro de mar, com seu ímpeto de espumas e de cavalos empinados, mas ele amainou antes do fim da tarde, e a tarde de repente ficou mansa. Tão mansa que as pessoas mais distraídas que iam pelas ruas tiveram a impressão de ouvir, no meio de todos os ruídos urbanos, um pequeno silêncio – que era um sinal de sossego.

 

As nuvens começaram a se mover devagar, e eram leves e brancas, e era como se a tarde tivesse pena da cidade e de sua aflição e quisesse dizer aos homens: “eu sou vossa mãe e vossa irmã e estou aqui; tende calma”. Então me deu uma grande calma, porque eu ouvi essa mansa voz da tarde; ouvi e obedeci. 

 

Passaram dois homens discutindo, um gesticulava, o outro tinha a cara vermelha; também a mim me acontece andar com outro homem na rua, e discutir; entretanto, eles me pareceram absurdos, e tive tanta pena porque estavam nervosos que pensei em lhes dizer: “Desculpe interrompê-los, cavalheiros”.

 

Um deles deteria o gesto que fazia com a mão que tinha um jornal; o outro me olharia por sobre os óculos; e então me sentiria tímido para dar o meu recado, e talvez dissesse: “desculpem, eu me enganei”. Mas quando eles fossem se afastando e o de jornal começasse a dizer ao outro: “olhe só uma coisa…” é possível que eu tomasse coragem, e dissesse: “Por favor, eu queria lhes dar uma informação…”.

 

Então, o de óculos, tendo ouvido mal, talvez me perguntasse um pouco irritado: “qual é a informação que o senhor deseja?”; e eu diria que não queria ter, mas sim dar uma informação. “Dar uma informação?”, perguntaria quase asperamente ou, quem sabe, asperamente, o de jornal na mão. E eu então diria baixo: “a tarde chegou”. 

 

– “Quem chegou?” – perguntaria o de óculos, pensando talvez em Ademar (de Barros?), talvez em Carmem (Miranda). 

 

– A tarde.

 

Eles me olhariam estupefatos. Mas, olhando suas caras, eu veria que nelas próprias já ia se refletindo a mansa luz da tarde pálida; e naquele instante em que as caras ficassem imóveis me olhando, a tarde, mãe de todos, faria um pequeno carinho com sua mão de luz pálida e de leve brisa, uma carícia de mãe e de irmã. Vendo isso eu sorriria um instante; e, muito embaraçado, me afastaria depressa. Eles me olhariam e começariam a rir de mim, mas depois de rir se sentiriam mais mansos e quase amigos e quase felizes, na doçura da tarde. 

 

BRAGA, R. A tarde. Correio da Manhã. Disponível em

<https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/10109/a-tarde>.

Leia o texto a seguir para responder à questão.

   

Verbos conjugados no pretérito imperfeito do modo subjuntivo e no futuro do pretérito do modo indicativo em algumas partes do texto, como em “é possível que eu tomasse coragem” e “Eles me olhariam e começariam a rir de mim”, são empregados para:

  1. ADescrever fatos concretos e já finalizados no passado.
  2. BDescrever fatos hipotéticos em um cenário imaginado pelo narrador do texto.
  3. CDescrever fatos concretos e habituais em um tempo passado.
  4. DDescrever fatos concretos e contínuos no presente.
  5. EDescrever fatos hipotéticos que podem ocorrer em um futuro próximo.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Descrever fatos hipotéticos em um cenário imaginado pelo narrador do texto.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Emprego do Pretérito Imperfeito do Subjuntivo e do Futuro do Pretérito do Indicativo

Gabarito: letra B. Os verbos "tomasse" e "olhariam/começariam" descrevem fatos hipotéticos em um cenário imaginado pelo narrador, pois o texto constrói uma cena inteiramente fictícia — o narrador imagina como seria abordar dois homens na rua. A passagem que ancora essa leitura é: "é possível que eu tomasse coragem" e "Eles me olhariam e começariam a rir de mim", ambas inseridas em um contexto de pura especulação, marcado por expressões como "talvez" e "é possível que".

O Comando

A questão pede que se identifique o efeito de sentido do emprego de dois tempos verbais específicos: o pretérito imperfeito do subjuntivo (tomasse) e o futuro do pretérito do indicativo (olhariam, começariam). Não se trata de classificar morfologicamente os verbos, mas de compreender por que o autor os escolheu — qual valor expressivo eles carregam no texto. Isso exige atenção ao contexto: o modo subjuntivo, por natureza, expressa dúvida, hipótese, possibilidade; o futuro do pretérito, por sua vez, indica um fato futuro em relação a outro fato passado, frequentemente ligado a uma condição hipotética.

O Texto

O cronista Rubem Braga descreve uma tarde que "amanheceu" mansa e, a partir daí, imagina uma cena: abordar dois homens que discutem na rua para lhes dizer "a tarde chegou". Toda a sequência é construída no campo da imaginação — o narrador não relata o que aconteceu, mas o que poderia acontecer. As marcas textuais dessa hipótese são claras: "é possível que eu tomasse coragem", "talvez me perguntasse", "quem sabe, asperamente". Os verbos no pretérito imperfeito do subjuntivo e no futuro do pretérito do indicativo são exatamente os tempos que materializam essa especulação.

A Técnica que Decide

A distinção central está entre fato e hipótese. O modo indicativo, em geral, expressa certeza; o subjuntivo, dúvida ou possibilidade. O futuro do pretérito, embora seja do indicativo, é o tempo da consequência imaginada, daquilo que ocorreria se uma condição se cumprisse. No texto, não há nenhum fato concreto sendo narrado — há uma projeção mental. A alternativa correta precisa capturar exatamente isso: hipótese em cenário imaginado. As demais alternativas ou falam de fatos concretos (A, C, D) ou de hipóteses em tempo futuro próximo (E), o que não corresponde ao valor dos tempos empregados.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o futuro do pretérito (que é do indicativo, mas expressa hipótese) e o futuro do presente (que expressa fato futuro). A letra E tenta atrair o candidato com "fatos hipotéticos que podem ocorrer em um futuro próximo", mas o futuro do pretérito não indica futuro próximo — indica uma possibilidade ligada a uma condição, geralmente irreal ou imaginada.

1Pretérito imperfeito do subjuntivo
Ex.: "tomasse"
Expressa dúvida/possibilidade
2Futuro do pretérito do indicativo
Ex.: "olhariam", "começariam"
Consequência imaginada
3Efeito de sentido
Fatos hipotéticos
Cenário imaginado
Tempos verbais da hipótese
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Tempos verbais da hipótese: Pretérito imperfeito do subjuntivo (Ex.: "tomasse", Expressa dúvida/possibilidade); Futuro do pretérito do indicativo (Ex.: "olhariam", "começariam", Consequência imaginada); Efeito de sentido (Fatos hipotéticos, Cenário imaginado)

Alternativa A — ❌ Incorreta

"Descrever fatos concretos e já finalizados no passado" — Erro: contradiz o texto. Os verbos "tomasse", "olhariam" e "começariam" não descrevem fatos finalizados; descrevem ações imaginadas, que não ocorreram. O pretérito perfeito do indicativo (ex.: "tomei", "olharam") é que indicaria fatos concretos e acabados. O texto não narra a abordagem como algo real, mas como uma fantasia.

Alternativa B — ✅ Correta

"Descrever fatos hipotéticos em um cenário imaginado pelo narrador do texto" — É a única que captura o valor semântico dos tempos verbais no contexto. O trecho "é possível que eu tomasse coragem" mostra o subjuntivo expressando possibilidade; "Eles me olhariam e começariam a rir de mim" mostra o futuro do pretérito indicando uma consequência imaginada. Todo o parágrafo é uma projeção mental, como se lê em "é possível que eu tomasse coragem, e dissesse".

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Descrever fatos concretos e habituais em um tempo passado" — Erro: contradiz o texto e confunde tempos. Fatos habituais no passado são expressos pelo pretérito imperfeito do indicativo (ex.: "eu tomava coragem todos os dias"). O pretérito imperfeito do subjuntivo não indica habitualidade, e o futuro do pretérito não indica passado habitual. Além disso, os fatos não são concretos, mas hipotéticos.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Descrever fatos concretos e contínuos no presente" — Erro: contradiz o texto e confunde tempos. Fatos contínuos no presente são expressos pelo presente do indicativo (ex.: "eu tomo coragem"). Os tempos empregados são do passado (subjuntivo) e do futuro (pretérito), não do presente. A cena é imaginada, não atual.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Descrever fatos hipotéticos que podem ocorrer em um futuro próximo" — Erro: troca de tempo verbal. O futuro do pretérito não indica futuro próximo; indica uma possibilidade ligada a uma condição passada ou imaginada. O futuro do presente (ex.: "tomarei coragem", "olharão") é que poderia indicar futuro próximo. A hipótese aqui é atemporal, inserida em um cenário imaginário, não em um futuro iminente.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar o valor de um tempo verbal, pergunte-se: "o que o autor quer comunicar?" Se a cena é imaginada, os tempos da hipótese (subjuntivo e futuro do pretérito) são os esperados. Desconfie de alternativas que usam palavras como "concreto", "habitual" ou "futuro próximo" — elas quase sempre apontam para outros tempos verbais.

Gabarito: letra B.

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