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Questão de Português — Sinônimos e Antônimos — FUNDATEC 2025

PortuguêsSinônimos e Antônimos
Código
qa667391
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref Tangará da S
Ano
2025
Cargo
Adm (Tangará S)

Depois de massacre, povo Juma luta para sobreviver em meio a invasões e desmatamento 

 

Por Puré Juma

 

A Terra Indígena (TI) Juma está a apenas 5 quilômetros da BR-230, que termina na cidade amazonense Lábrea. Isso significa que, por terra, invasores só precisam andar por cerca de três horas na floresta amazônica para chegar ao território onde vivem os Juma, um povo de recente contato que, em 1964, sofreu um massacreI). Mais de 60 pessoas morreram. Exatos 60 anos depois, os sobreviventes, seus filhos e netos, seguem ameaçados. Desta vez, pelo avanço do desmatamento no sul do Amazonas, antes considerado uma das áreas mais preservadas do estado. Como são poucos, se sentem em risco. 

 

“Os invasores entram e alegam que não sabem os limites do território do povo indígena Juma”, afirmou a cacica Boreá Juma à Agência Pública. Ela conversou com a reportagem em sua língua nativa, a Kagwahiva, da família Tupi-Guarani, falada por sete povos na Amazônia. Boreá sabe bem o que está acontecendo em seu território e nas redondezas de sua terra tradicional, na qual nasceu, cresceu e viu seus ancestrais partirem e deixarem legado e histórias para contar. 

 

De acordo com a cacica, as derrubadas de mata e as queimadas feitas ao redor da TI “são para fazer grandes pastos de fazendas e criação de gado”. O foco dos grileiros, pessoas que desmatam e se apossam de terras públicas, são áreas não destinadas, ou seja, regiões sob responsabilidade de governos estaduais ou federais que ainda não tiveram sua finalidade definida. 

 

“Hoje a gente está passando ameaças que vêm do grileiro e do fazendeiro. Naquele tempo que aconteceu o massacre era do sorveiro (pessoas que entravam na floresta para extrair sorva e seiva de árvores raras)”, explicou Mandeí Juma, vice-presidente da associação Jawara Pina, que representa seu povo. “A gente vem passando, sobrevivendo, desde o começo”, finalizou. 

 

Ainda que o desmatamento na Amazônia tenha reduzido 30,63% entre agosto de 2023 e julho deste ano, a maior taxa de redução em 15 anos, os números seguem altos, com o sul do Amazonas se consolidando como a nova fronteira do desmatamento. No ano passado, por exemplo, a cidade de Lábrea, que fica a pouco mais de 90 quilômetros da TI Juma, superou Altamira, no Pará, como a líder no ranking de municípios com maior área desmatada no Brasil. Mesmo quando ocorrem fora dos limites do território Juma, os crimes ambientais afetam a sobrevivência dos povos originários, pois geram a escassezII) de alimento, com a fuga de animais, além de levar poluição a lugares sagrados.

 

“Aqui na aldeia tinha muitas araras-azuis, mas elas desapareceram. Talvez foi por causa do calor, ou falta de alimento, ou a derrubada (de árvores) que afastou as araras. Não foi só arara, também os porcos-do-mato não aparecem mais, os peixes diminuíram, os nambu e os jacamim não se encontram mais, e as frutas estão produzindo em época diferente”, finalizou a cacica. 

 

Além do caminho pela floresta, também é possível chegar à TI Juma pelo rio Assuã, um afluente do rio Purus, em um trajeto de cerca de 40 minutos de barco. A facilidadeIII) de acesso ao território deixa os indígenas cercados e expostos a diversos perigos, como o próprio desmatamento e a possibilidade de confronto, verbal ou físico, com suas lideranças. 

 

(Disponível em: https://apublica.org/2024/12/depois-de-massacre-povo-juma-luta-contra-desmatamento/ – 

texto adaptado especialmente para esta prova).

Analise as seguintes assertivas sobre palavras e expressões do texto: 

 

I. O vocábulo “massacre” poderia ser substituído por “chacina”, sem prejuízo ao sentido e à correção gramatical do parágrafo. 

 

II. O termo “escassez” poderia ser substituído por “carência”, sem prejuízo ao sentido e à correção gramatical do parágrafo. 

 

III. O vocábulo “facilidade” poderia ser substituído por “complexidade”, sem prejuízo ao sentido e à correção gramatical do parágrafo.

 

Quais estão corretas?

  1. AApenas I.
  2. BApenas II.
  3. CApenas I e III.
  4. DI, II e III.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Apenas II.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Sinônimos no texto: massacre, escassez e facilidade

Gabarito: letra B (Apenas II). A única substituição que preserva o sentido e a correção gramatical é a do item II: “escassez” por “carência”, pois ambas indicam falta, privação. O item I falha porque “chacina” e “massacre” não são sinônimos perfeitos no contexto — “chacina” refere-se a matança de pessoas, enquanto “massacre” no texto abrange também a destruição em massa (como o desmatamento). O item III falha porque “facilidade” e “complexidade” são antônimos, não sinônimos. A resposta se ancora no trecho: “os crimes ambientais afetam a sobrevivência dos povos originários, pois geram a escassez de alimento”.

O comando

A questão pede para analisar se a substituição de uma palavra por outra “sem prejuízo ao sentido e à correção gramatical” é válida. Isso exige dois testes simultâneos: (1) semântico — a palavra substituta deve ter sentido equivalente no contexto; (2) gramatical — a troca não pode quebrar a estrutura da frase (regência, concordância, classe gramatical). Não se trata de interpretação de texto, mas de semântica vocabular aplicada ao texto.

O texto

O texto trata da luta do povo Juma contra invasões e desmatamento. As palavras em questão aparecem em contextos específicos:

  • “massacre” (1º parágrafo): “em 1964, sofreu um massacre. Mais de 60 pessoas morreram.”

  • “escassez” (5º parágrafo): “geram a escassez de alimento, com a fuga de animais”.

  • “facilidade” (7º parágrafo): “A facilidade de acesso ao território deixa os indígenas cercados”.

A técnica

Para cada item, pergunte: a palavra substituta é sinônima no contexto? E a troca mantém a correção gramatical?

  • Item I — massacre → chacina: “Chacina” é matança de pessoas, mas “massacre” também pode significar destruição em massa (de animais, de ecossistemas). No texto, “massacre” é usado para o evento de 1964 (morte de pessoas), mas o termo também ecoa a destruição ambiental. A troca por “chacina” restringiria o sentido a “matança de pessoas”, perdendo a amplitude. Além disso, “chacina” é mais específica e coloquial. Não é sinônimo perfeito no contexto.

  • Item II — escassez → carência: Ambas significam “falta, privação, insuficiência”. No contexto, “escassez de alimento” = “carência de alimento”. A troca preserva o sentido e a gramática (substantivo feminino + complemento nominal). É sinônimo válido.

  • Item III — facilidade → complexidade: São antônimos (opostos). “Facilidade” = ausência de dificuldade; “complexidade” = presença de dificuldade. Trocar inverteria o sentido do texto. Não é sinônimo.

Item

Substituição

Relação semântica

Válida?

I

massacre → chacina

Sinônimo imperfeito (restringe sentido)

❌ Não

II

escassez → carência

Sinônimo perfeito (falta, privação)

✅ Sim

III

facilidade → complexidade

Antônimos (opostos)

❌ Não

Item I — ❌ Incorreto

A substituição de “massacre” por “chacina” não é válida sem prejuízo de sentido. Embora ambos possam designar matança, “massacre” no texto tem sentido mais amplo (destruição em massa, incluindo a devastação ambiental), enquanto “chacina” é restrita a matança de pessoas. O texto usa “massacre” para o evento de 1964, mas também o associa à luta atual contra o desmatamento. A troca restringiria o sentido.

Item II — ✅ Correto

“Escassez” e “carência” são sinônimos no contexto: ambas indicam falta, privação. O trecho “geram a escassez de alimento” poderia ser reescrito como “geram a carência de alimento” sem alteração de sentido ou de correção gramatical. A substituição é válida.

Item III — ❌ Incorreto

“Facilidade” e “complexidade” são antônimos (opostos). Trocar uma pela outra inverteria o sentido do texto: “A facilidade de acesso” viraria “A complexidade de acesso”, o que contradiz o que o texto afirma (o acesso é fácil, por isso os indígenas estão cercados). A substituição contradiz o texto.

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura sinônimos verdadeiros (item II) com falsos sinônimos (item I) e antônimos (item III). O candidato que não atenta ao contexto marca o item I como correto, pois “chacina” parece sinônimo de “massacre”.

PEGA ESSA DICA!

Ao testar substituição, pergunte: a palavra substituta tem o mesmo sentido no contexto? E a troca mantém a gramática? Se a palavra for antônima ou restringir o sentido, está errada.

Conclusão: apenas o item II está correto, pois “escassez” e “carência” são sinônimos no contexto. Os itens I e III falham: o primeiro por restringir o sentido, o terceiro por inverter o sentido. Gabarito: letra B.

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