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Questão de Português — Denotação e Conotação — Avança SP 2025

PortuguêsDenotação e Conotação
Código
qa667425
Banca
Avança SP
Órgão
Pref SM Arcanjo
Ano
2025
Cargo
Prof (SM Arcanjo)

A tarde a multidão

 

Todos estão tristes às 4h25 da tarde, na avenida Nossa Senhora de Copacabana. São muitas pessoas e todos os rostos são apreensivos. É como se houvesse uma causa comum, essencial, anterior. Todos caminham amargurados às 4h25 da tarde, na avenida Nossa Senhora de Copacabana.

 

Por quê, se não vai chover e se o mar não vai transbordar? Por que esse ar de todos, tão aflito, de quem não se sabe achar?

 

Tempos atrás, passei pela avenida Nossa Senhora de Copacabana, todos eram felizes. O amargurado era eu. Hoje, na multidão, não tenho mais que dois problemas. Dói-me a botina nova, no pé esquerdo, e vou comprar um ferro elétrico. Quanto à botina, bastará descalçá-la quando chegar em casa. E sentir a dor passando, que é um prazer muito maior que o de nunca ter tido dor nenhuma. Mas, o ferro elétrico? E o ferro elétrico? Como é que se compra um ferro elétrico?

 

Pergunta-me o homem do balcão:

 

— Como é que o senhor quer o ferro elétrico?

 

Hesito e respondo, na medida do possível:

 

— Um que seja bem elétrico.

 

Sim, porque se vou comprar um ferro elétrico, quanto mais elétrico for, melhor. Se fosse comprar um quadro-negro, tinha que ser o mais negro de todos.

 

Volto à rua e as pessoas estão ainda mais aflitas às 5h15 da tarde, na avenida Nossa Senhora de Copacabana. A tarde vã, desperdiçada, no rosto de cada semelhante. Como se cada um tivesse uma coisa sem remédio na parte alta da cavidade torácica. Uma angústia, uma falta de ar, malgrado a tarde estival.

 

Falta de exercício respiratório. Nada mais que isso. O homem se desentende consigo mesmo porque se esquece de respirar. É preciso aspirar, no mínimo, quatro litros de oxigênio em cada tomada de ar. O homem de hoje não respira, ofega. Como os cachorros. E isto altera o equilíbrio moral de cada um.

 

Aflige-me o pobre olhar das multidões. Por nada. Não há culpa ou causa comum. Cada qual carrega o seu deserto, seu calvário particular, porque na angústia, no fundo da grande angústia, há uma cômoda preguiça, um estágio de lânguido torpor como o do ópio. Não há nada a fazer pelas pessoas da tarde, na avenida Nossa Senhora de Copacabana.

 

MARIA, A. A tarde e a multidão. In: TAUIL, G.

(Org.) Vento vadio: as crônicas de Antônio Maria, 2021, p. 122-123.

Leia o texto a seguir para responder à questão.

 

A expressão “calvário particular”, que ocorre no texto ‒ “Cada qual carrega o seu deserto, seu calvário particular” ‒, se refere:

  1. Aà personalidade única de cada indivíduo.
  2. Bao sofrimento carregado por cada indivíduo.
  3. Cà alegria experienciada por cada indivíduo.
  4. Dà esperança carregada por cada indivíduo.
  5. Eà individualidade de cada ser humano.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — ao sofrimento carregado por cada indivíduo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Sentido Conotativo de "Calvário Particular"

Gabarito: letra B. A expressão "calvário particular" refere-se ao sofrimento carregado por cada indivíduo, pois "calvário" é empregado em sentido conotativo (figurado), remetendo à provação e à dor — e não ao monte onde Jesus foi crucificado (sentido denotativo). O próprio texto ancora essa leitura ao associar a expressão à "angústia" e à "coisa sem remédio":

"Cada qual carrega o seu deserto, seu calvário particular, porque na angústia, no fundo da grande angústia, há uma cômoda preguiça..."

A alternativa B é a única que capta esse sentido figurado de sofrimento individual.

O Comando da Questão

O enunciado pergunta a que a expressão "calvário particular" se refere. Isso é uma questão de compreensão de sentido contextual: precisamos identificar o significado da expressão dentro do texto, não em seu sentido literal de dicionário. A banca quer que você perceba o uso conotativo da palavra — ou seja, o sentido figurado que depende do contexto frásico.

O Texto e o Movimento Argumentativo

O cronista descreve a multidão triste e angustiada na avenida. No trecho final, ele afirma que cada pessoa carrega seu próprio fardo:

"Aflige-me o pobre olhar das multidões. Por nada. Não há culpa ou causa comum. Cada qual carrega o seu deserto, seu calvário particular, porque na angústia, no fundo da grande angústia, há uma cômoda preguiça..."

Observe a sequência: "deserto" e "calvário" são usados como metáforas para o sofrimento íntimo de cada um. O texto não fala de alegria, esperança ou personalidade — fala de angústia, de "coisa sem remédio", de "falta de ar". A expressão "calvário particular" sintetiza essa ideia: cada um tem o seu próprio sofrimento, sua própria via-crúcis.

A Técnica que Decide: Denotação × Conotação

Denotação é o sentido literal, dicionarizado, que independe do contexto (ex.: "O Calvário é um monte em Jerusalém"). Conotação é o sentido figurado, que depende do contexto (ex.: "Meu trabalho é um calvário"). Aqui, "calvário" está claramente em sentido conotativo: ninguém carrega um monte físico; carrega-se uma dor, uma provação. A palavra "particular" reforça a individualidade do sofrimento — cada um tem o seu.

NÃO CAIA NESSA!

A banca oferece alternativas que parecem plausíveis (personalidade, individualidade) mas que extrapolam o texto, acrescentando ideias que não estão nele. A única que se ancora no sentido figurado de "calvário" é a que fala em sofrimento.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar uma expressão metafórica, pergunte: "o que ela significa neste contexto?" — não no dicionário. O texto é a chave.

1Significado
Sofrimento individual
Provação, dor
2Âncora no texto
Angústia
Coisa sem remédio
3Oposições (denotação)
Monte em Jerusalém (literal)
Alegria (contradiz)
Esperança (contradiz)
Calvário particular (sentido conotativo)
LEVELsoulevel.com.br
Calvário particular (sentido conotativo): Significado (Sofrimento individual, Provação, dor); Âncora no texto (Angústia, Coisa sem remédio); Oposições (denotação) (Monte em Jerusalém (literal), Alegria (contradiz), Esperança (contradiz))

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito. "Personalidade única" refere-se ao conjunto de características psicológicas de cada um, mas o texto não fala disso. O trecho fala de "angústia" e "coisa sem remédio", não de traços de caráter. A alternativa extrapola ao introduzir um conceito psicológico ausente do texto.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Correta. "Calvário particular" = sofrimento carregado por cada indivíduo. O texto associa a expressão a "angústia" e "coisa sem remédio":

"Cada qual carrega o seu deserto, seu calvário particular, porque na angústia, no fundo da grande angústia..."

A palavra "calvário" está em sentido conotativo (figurado), significando provação, dor. A alternativa B é a única que capta esse sentido.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. O texto fala de "rostos apreensivos", "amargurados", "angústia", "falta de ar" — tudo remete a sofrimento, não a alegria. A alternativa C inverte o sentido do texto ao falar em "alegria experienciada".

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. "Esperança" é o oposto do que o texto descreve. O cronista diz que "não há nada a fazer pelas pessoas da tarde" — não há esperança, há desalento. A alternativa D contradiz o tom do texto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: tangencia o tema. "Individualidade" é uma ideia próxima (cada um tem o seu), mas o texto não fala de individualidade como conceito — fala de sofrimento individual. A alternativa E tangencia o tema ao trocar o foco: não é a individualidade em si, mas o sofrimento que cada um carrega.

Conclusão: a expressão "calvário particular" é uma metáfora para o sofrimento individual. A única alternativa que capta esse sentido é a B. Ao resolver questões de sentido conotativo, pergunte sempre: "o que a expressão significa neste contexto?" — e desconfie de alternativas que introduzem ideias de fora do texto.

Gabarito: letra B

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