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Questão de Português — Partícula "Se" — Avança SP 2025

PortuguêsPartícula "Se"
Código
qa667429
Banca
Avança SP
Órgão
Pref SM Arcanjo
Ano
2025
Cargo
Prof (SM Arcanjo)

A tarde a multidão

 

Todos estão tristes às 4h25 da tarde, na avenida Nossa Senhora de Copacabana. São muitas pessoas e todos os rostos são apreensivos. É como se houvesse uma causa comum, essencial, anterior. Todos caminham amargurados às 4h25 da tarde, na avenida Nossa Senhora de Copacabana.

 

Por quê, se não vai chover e se o mar não vai transbordar? Por que esse ar de todos, tão aflito, de quem não se sabe achar?

 

Tempos atrás, passei pela avenida Nossa Senhora de Copacabana, todos eram felizes. O amargurado era eu. Hoje, na multidão, não tenho mais que dois problemas. Dói-me a botina nova, no pé esquerdo, e vou comprar um ferro elétrico. Quanto à botina, bastará descalçá-la quando chegar em casa. E sentir a dor passando, que é um prazer muito maior que o de nunca ter tido dor nenhuma. Mas, o ferro elétrico? E o ferro elétrico? Como é que se compra um ferro elétrico?

 

Pergunta-me o homem do balcão:

 

— Como é que o senhor quer o ferro elétrico?

 

Hesito e respondo, na medida do possível:

 

— Um que seja bem elétrico.

 

Sim, porque se vou comprar um ferro elétrico, quanto mais elétrico for, melhor. Se fosse comprar um quadro-negro, tinha que ser o mais negro de todos.

 

Volto à rua e as pessoas estão ainda mais aflitas às 5h15 da tarde, na avenida Nossa Senhora de Copacabana. A tarde vã, desperdiçada, no rosto de cada semelhante. Como se cada um tivesse uma coisa sem remédio na parte alta da cavidade torácica. Uma angústia, uma falta de ar, malgrado a tarde estival.

 

Falta de exercício respiratório. Nada mais que isso. O homem se desentende consigo mesmo porque se esquece de respirar. É preciso aspirar, no mínimo, quatro litros de oxigênio em cada tomada de ar. O homem de hoje não respira, ofega. Como os cachorros. E isto altera o equilíbrio moral de cada um.

 

Aflige-me o pobre olhar das multidões. Por nada. Não há culpa ou causa comum. Cada qual carrega o seu deserto, seu calvário particular, porque na angústia, no fundo da grande angústia, há uma cômoda preguiça, um estágio de lânguido torpor como o do ópio. Não há nada a fazer pelas pessoas da tarde, na avenida Nossa Senhora de Copacabana.

 

MARIA, A. A tarde e a multidão. In: TAUIL, G.

(Org.) Vento vadio: as crônicas de Antônio Maria, 2021, p. 122-123.

Leia o texto a seguir para responder à questão.

 

Analise o emprego do vocábulo “se” nas sentenças a seguir, retiradas do texto:

 

I. Por que esse ar de todos, tão aflito, de quem não se sabe achar?

 

II. Como é que se compra um ferro elétrico?

 

III. Sim, porque se vou comprar um ferro elétrico, quanto mais elétrico for, melhor.

 

IV. O homem se desentende consigo mesmo porque se esquece de respirar. 

 

V. Se fosse comprar um quadro-negro, tinha que ser o mais negro de todos. 

 

Verifica-se o emprego do vocábulo como conjunção condicional apenas em:

  1. A I e II.
  2. B II e III.
  3. C III e V
  4. D IV e V.
  5. EI, II, IV.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — III e V

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Funções do "Se": Conjunção Condicional

Gabarito: letra C. O vocábulo "se" é conjunção condicional apenas nas sentenças III e V, pois ambas introduzem uma hipótese/condição para que algo ocorra, equivalendo a "caso". Nas demais, o "se" exerce outras funções: pronome apassivador (I), partícula de indeterminação do sujeito (II) e pronome reflexivo (IV). A banca cobra a distinção clássica das funções do "se", e a pista decisiva é o modo subjuntivo do verbo na oração condicional.

O Comando

A questão pede para identificar em quais sentenças o "se" é conjunção condicional. Isso é uma tarefa de classificação morfossintática — não se trata de interpretar o texto, mas de aplicar a regra gramatical ao contexto de cada frase. O comando "verifica-se o emprego... apenas em" delimita que devemos marcar somente as ocorrências em que o "se" estabelece uma relação de condição.

A Técnica que Decide

A conjunção condicional "se" introduz uma oração subordinada adverbial condicional, que expressa a condição necessária para que o fato da oração principal ocorra. A forma mais segura de identificá-la é substituir "se" por "caso" — se a frase continuar fazendo sentido, é condicional. Além disso, o verbo da oração condicional vem, via de regra, no modo subjuntivo (presente ou futuro do subjuntivo), pois expressa hipótese.

Aplicando o teste:

  • III. "Sim, porque se vou comprar um ferro elétrico, quanto mais elétrico for, melhor." → Substituindo: "Sim, porque caso eu vá comprar um ferro elétrico..." → Mantém o sentido de condição. O verbo "for" (futuro do subjuntivo) confirma.

  • V. "Se fosse comprar um quadro-negro, tinha que ser o mais negro de todos." → Substituindo: "Caso fosse comprar um quadro-negro..." → Mantém o sentido. O verbo "fosse" (pretérito imperfeito do subjuntivo) confirma.

Nas demais, o teste falha:

  • I. "de quem não se sabe achar?" → "não caso sabe achar" não faz sentido. Aqui, "se" é pronome apassivador (voz passiva sintética): "não se sabe" = "não é sabido".

  • II. "Como é que se compra um ferro elétrico?" → "como é que caso compra" não faz sentido. Aqui, "se" é índice de indeterminação do sujeito (IIS), pois o verbo "comprar" é transitivo direto, mas o objeto "um ferro elétrico" está presente, e o sujeito é indeterminado.

  • IV. "O homem se desentende consigo mesmo porque se esquece de respirar." → O primeiro "se" é pronome reflexivo (a ação recai sobre o sujeito: o homem desentende a si mesmo). O segundo "se" é parte integrante do verbo (verbo pronominal "esquecer-se").

Análise das Alternativas

1Teste: substituir por "caso"
2Verbo no subjuntivo
3III. "se vou comprar" → caso vá comprar
4V. "se fosse comprar" → caso fosse comprar
5"Se" pronome
I. Apassivador (não se sabe = não é sabido)
II. Índice de indeterminação do sujeito (se compra)
IV. Reflexivo (se desentende = a si mesmo)
"Se" conjunção condicional
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"Se" conjunção condicional: Teste: substituir por "caso"; Verbo no subjuntivo; III. "se vou comprar" → caso vá comprar; V. "se fosse comprar" → caso fosse comprar; "Se" pronome (I. Apassivador (não se sabe = não é sabido), II. Índice de indeterminação do sujeito (se compra), IV. Reflexivo (se desentende = a si mesmo))

Alternativa A — ❌ Incorreta

Inclui as sentenças I e II, ambas com "se" pronominal (apassivador e IIS, respectivamente). A banca tenta confundir o candidato que não aplica o teste da substituição por "caso".

Alternativa B — ❌ Incorreta

Inclui II (IIS) e III (condicional). Erra ao considerar o "se" de "se compra" como condicional, quando ele indetermina o sujeito.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Apenas III e V apresentam "se" como conjunção condicional, comprovado pela substituição por "caso" e pelo modo subjuntivo dos verbos "for" e "fosse".

Alternativa D — ❌ Incorreta

Inclui IV (reflexivo/PIV) e V (condicional). Erra ao classificar o "se" reflexivo como condicional.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Inclui I (apassivador), II (IIS) e IV (reflexivo/PIV), nenhum deles condicional.

Conclusão

A questão se resolve com o teste da substituição por "caso" e a observação do modo subjuntivo. Sempre que o "se" puder ser trocado por "caso" sem prejuízo de sentido, é conjunção condicional. Nas demais funções (apassivador, IIS, reflexivo, PIV), a substituição não funciona.

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura funções pronominais do "se" (apassivador, IIS, reflexivo) com a conjunção condicional, explorando a confusão entre "se" pronome e "se" conjunção. O teste da substituição por "caso" elimina todas as distratoras.

PEGA ESSA DICA!

Ao classificar o "se", pergunte: "posso trocar por 'caso'?" Se sim, é condicional. Se não, teste as funções pronominais (apassivador, IIS, reflexivo, PIV).

Gabarito: letra C

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