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Questão de Português — Conjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais — Avança SP 2025

PortuguêsConjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais
Código
qa667436
Banca
Avança SP
Órgão
Pref SM Arcanjo
Ano
2025
Cargo
Prof (SM Arcanjo)

A tarde a multidão

 

Todos estão tristes às 4h25 da tarde, na avenida Nossa Senhora de Copacabana. São muitas pessoas e todos os rostos são apreensivos. É como se houvesse uma causa comum, essencial, anterior. Todos caminham amargurados às 4h25 da tarde, na avenida Nossa Senhora de Copacabana.

 

Por quê, se não vai chover e se o mar não vai transbordar? Por que esse ar de todos, tão aflito, de quem não se sabe achar?

 

Tempos atrás, passei pela avenida Nossa Senhora de Copacabana, todos eram felizes. O amargurado era eu. Hoje, na multidão, não tenho mais que dois problemas. Dói-me a botina nova, no pé esquerdo, e vou comprar um ferro elétrico. Quanto à botina, bastará descalçá-la quando chegar em casa. E sentir a dor passando, que é um prazer muito maior que o de nunca ter tido dor nenhuma. Mas, o ferro elétrico? E o ferro elétrico? Como é que se compra um ferro elétrico?

 

Pergunta-me o homem do balcão:

 

— Como é que o senhor quer o ferro elétrico?

 

Hesito e respondo, na medida do possível:

 

— Um que seja bem elétrico.

 

Sim, porque se vou comprar um ferro elétrico, quanto mais elétrico for, melhor. Se fosse comprar um quadro-negro, tinha que ser o mais negro de todos.

 

Volto à rua e as pessoas estão ainda mais aflitas às 5h15 da tarde, na avenida Nossa Senhora de Copacabana. A tarde vã, desperdiçada, no rosto de cada semelhante. Como se cada um tivesse uma coisa sem remédio na parte alta da cavidade torácica. Uma angústia, uma falta de ar, malgrado a tarde estival.

 

Falta de exercício respiratório. Nada mais que isso. O homem se desentende consigo mesmo porque se esquece de respirar. É preciso aspirar, no mínimo, quatro litros de oxigênio em cada tomada de ar. O homem de hoje não respira, ofega. Como os cachorros. E isto altera o equilíbrio moral de cada um.

 

Aflige-me o pobre olhar das multidões. Por nada. Não há culpa ou causa comum. Cada qual carrega o seu deserto, seu calvário particular, porque na angústia, no fundo da grande angústia, há uma cômoda preguiça, um estágio de lânguido torpor como o do ópio. Não há nada a fazer pelas pessoas da tarde, na avenida Nossa Senhora de Copacabana.

 

MARIA, A. A tarde e a multidão. In: TAUIL, G.

(Org.) Vento vadio: as crônicas de Antônio Maria, 2021, p. 122-123.

Leia o texto a seguir para responder à questão.

 

A conjugação do verbo “haver”, empregado no trecho “É como se houvesse uma causa comum, essencial, anterior”, se apresenta no:

  1. Apretérito imperfeito do modo indicativo.
  2. Bpretérito perfeito do modo indicativo.
  3. Cpretérito mais-que-perfeito do modo indicativo.
  4. Dpretérito imperfeito do modo subjuntivo.
  5. Efuturo do modo subjuntivo.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — pretérito imperfeito do modo subjuntivo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reconhecimento do Pretérito Imperfeito do Subjuntivo

Gabarito: letra D. A forma verbal “houvesse” está no pretérito imperfeito do modo subjuntivo, como se comprova pela desinência modo-temporal -sse, característica desse tempo. No trecho “É como se houvesse uma causa comum, essencial, anterior”, o verbo “haver” expressa uma hipótese, uma suposição — exatamente o valor semântico do subjuntivo — e não um fato certo, próprio do indicativo.

O comando da questão

A banca pede que você reconheça o tempo e o modo do verbo “haver” no trecho destacado. Isso é uma questão de morfologia verbal: você precisa identificar, pela forma, em que tempo e modo o verbo foi flexionado. Não se trata de interpretar o texto, mas de aplicar a conjugação do verbo haver e reconhecer a desinência típica do pretérito imperfeito do subjuntivo.

O verbo “haver” no trecho

No trecho, o verbo “haver” está na 3ª pessoa do singular do pretérito imperfeito do subjuntivo: houvesse. Essa forma é usada em orações que expressam condição, hipótese, desejo ou dúvida — e aqui ela aparece depois da conjunção “se”, que introduz uma oração subordinada adverbial condicional. O valor de hipótese é reforçado pelo contexto: o cronista imagina uma “causa comum” que talvez exista, mas não afirma como fato.

“É como se houvesse uma causa comum, essencial, anterior.”

A desinência -sse é a marca registrada do pretérito imperfeito do subjuntivo: houvesse, tivesse, fizesse, falasse. Compare com o pretérito imperfeito do indicativo, que termina em -va/-ia (havia, tinha, fazia, falava), e com o pretérito mais-que-perfeito do indicativo, que termina em -ra (houvera, tivera, fizera). Essa distinção é o coração da questão.

A técnica que decide

Para reconhecer o tempo e o modo de um verbo, olhe para a desinência modo-temporal (a terminação que indica tempo e modo) e para o contexto (se expressa certeza ou hipótese). No subjuntivo, os tempos são: presente (haja), pretérito imperfeito (houvesse) e futuro (houver). No indicativo, os tempos são: presente (há), pretérito perfeito (houve), pretérito imperfeito (havia), pretérito mais-que-perfeito (houvera), futuro do presente (haverá) e futuro do pretérito (haveria).

A forma houvesse só pode ser pretérito imperfeito do subjuntivo, pois a desinência -sse é exclusiva desse tempo. As alternativas que apontam para o indicativo (A, B, C) são distratoras clássicas: a banca aposta que você vai confundir a terminação -sse com o -va/-ia do imperfeito do indicativo, ou com o -ra do mais-que-perfeito.

Análise das alternativas

  1. 1Identificar a desinência
  2. 2-sse → imperfeito do subjuntivo
  3. 3Contexto de hipótese confirma
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Pretérito imperfeito do indicativo — A forma seria havia (eu havia, tu havias, ele havia). A desinência -va marca o imperfeito do indicativo, não o -sse. O contexto também não ajuda: “havia” indicaria um fato contínuo no passado, mas o trecho expressa hipótese, não fato.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Pretérito perfeito do indicativo — A forma seria houve (eu houve, tu houveste, ele houve). O pretérito perfeito indica ação concluída no passado, com desinência -u (na 3ª pessoa). “Houvesse” não se encaixa.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Pretérito mais-que-perfeito do indicativo — A forma seria houvera (eu houvera, tu houveras, ele houvera). A desinência -ra marca esse tempo, que indica ação anterior a outra no passado. “Houvesse” tem -sse, logo não é.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Pretérito imperfeito do subjuntivo — A forma houvesse tem a desinência -sse, típica desse tempo. O contexto de hipótese (“como se”) confirma o modo subjuntivo. É a única alternativa que identifica corretamente tempo e modo.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Futuro do subjuntivo — A forma seria houver (quando eu houver, tu houveres, ele houver). O futuro do subjuntivo é usado em orações condicionais futuras, com desinência -r. “Houvesse” não é futuro.

Conclusão

A questão testa o reconhecimento da desinência -sse como marca do pretérito imperfeito do subjuntivo. Memorize as desinências: -va/-ia (imperfeito do indicativo), -ra (mais-que-perfeito do indicativo), -sse (imperfeito do subjuntivo) e -r (futuro do subjuntivo). Com isso, você elimina as distratoras e acerta a letra D.

PEGA ESSA DICA!

Ao ver um verbo com -sse, pergunte: “isso expressa certeza ou hipótese?” Se for hipótese, é subjuntivo. E lembre: houvesse só pode ser pretérito imperfeito do subjuntivo.

Gabarito: letra D

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