Questão de Português — Figuras de Linguagem — Avança SP 2025
Português›Figuras de Linguagem
Código
qa667493
Banca
Avança SP
Órgão
CM Itupeva
Ano
2025
Cargo
Ag Leg ( )
A cultura pode ser explícita ou implícita. Algumas pessoas, mesmo de nível elevado, sequer sabem que sua organização tem uma cultura. Em consequência, não lhes é possível identificá-la e compreendê-la, quanto mais explicitá-la. Assim, algumas organizações não têm uma cultura explícita, mas terão sempre uma cultura, que poderá ser implícita.
A cultura pode ser explicitada por meio de códigos de ética, declarações de princípios, credos ou, simplesmente, por meio do conjunto das políticas e normas da organização. Quando se explicita a cultura, temos uma cultura oficial, que são os valores e ideais estabelecidos pela alta administração, os quais podem coincidir ou não com o que é praticado.
A cultura de fato, implícita, penetra de forma mais profunda do que palavras faladas ou escritas. Quando a cultura real não coincide com a oficial, o que vale é a real. A melhor maneira de identificar a cultura real é observar as preocupações, as decisões e as prioridades da alta administração: as recompensas, as promoções, punições, demissões e as razões que ocasionaram essas decisões. Isso revela a crença e os julgamentos da alta administração mais do que qualquer documento escrito, uma vez que no corpo do texto nem sempre é possível compreender os elementos centrais de uma cultura.
Fonte: LACOMBE, F. Teoria geral da administração. São Paulo: Saraiva, 2009.
Leia o texto a seguir para responder à questão Volte ao último período do texto, na segunda oração, há uma figura de linguagem, assinale-a, dentre as opções abaixo:
AMetáfora
BComparação
CCatacrese
DMetonímia
EApóstrofe
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GabaritoC — Catacrese
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Figuras de Linguagem: Catacrese no Texto
Gabarito: letra C. No último período do texto, a segunda oração é "o que vale é a real". A expressão "vale" está empregada em sentido figurado, cristalizado pelo uso: refere-se a "ter valor, prevalecer", e não ao ato físico de "valer" (como em "valer dinheiro"). Essa é uma catacrese, figura de linguagem em que uma palavra é usada metaforicamente por falta de termo específico, tornando-se um clichê da língua. A passagem que ancora a resposta é:
"Quando a cultura real não coincide com a oficial, o que vale é a real."
A banca pede para identificar a figura de linguagem presente nessa oração, e a única alternativa que corresponde é a catacrese.
O Comando: Identificar a Figura no Trecho
A questão é de interpretação de texto com foco em figuras de linguagem. O comando "há uma figura de linguagem, assinale-a" exige que você localize o trecho (último período, segunda oração) e reconheça o recurso expressivo ali empregado. Não se trata de compreender o sentido global do texto, mas de analisar o uso conotativo de uma palavra específica. Para resolver, é preciso:
Localizar a oração: "o que vale é a real".
Identificar a palavra em sentido figurado: "vale".
Classificar a figura: catacrese, pois é uma metáfora já incorporada ao vocabulário comum.
O Texto: Onde Mora a Resposta
O texto discute a diferença entre cultura explícita (oficial) e implícita (real). No terceiro parágrafo, o autor afirma que, quando há conflito entre a cultura oficial e a real, prevalece a real. A oração "o que vale é a real" expressa exatamente essa ideia de prevalência. A palavra "vale" não está sendo usada em seu sentido denotativo (como em "valer uma quantia"), mas em um sentido figurado, já cristalizado na língua: "ter valor, ser considerado". Esse uso é um exemplo clássico de catacrese, pois a expressão "valer" no sentido de "prevalecer" é tão comum que não percebemos mais seu caráter metafórico.
A Técnica: Distinguindo Catacrese de Metáfora e Comparação
A catacrese é uma metáfora cristalizada pelo uso cotidiano. Quando dizemos "braço da cadeira", "pé da mesa" ou "cabeça de alho", não pensamos mais na comparação implícita; a expressão já faz parte do vocabulário comum. Já a metáfora é uma comparação implícita, mas ainda percebida como figura: "Ele é um leão no trabalho" (não é um leão de verdade, mas a comparação é evidente). A comparação (ou símile) usa conectivos como "como", "tal qual", "assim como": "Seus olhos brilham como estrelas".
No trecho, "vale" não está sendo comparado a nada explicitamente, nem há um conectivo. A palavra é usada em um sentido que já se tornou automático na língua, o que caracteriza a catacrese.
Análise das Alternativas
Figuras de linguagem: Catacrese (gabarito) (Metáfora cristalizada pelo uso, Ex.: "vale" = prevalece); Metáfora (Comparação implícita perceptível, Ex.: "é um leão"); Comparação (Conectivo explícito, Ex.: "como estrelas"); Metonímia (Substituição por proximidade, Ex.: autor pela obra); Apóstrofe (Invocação, Ex.: "Oh, Deus!")
Alternativa A — ❌ Incorreta
Metáfora é uma comparação implícita, sem conectivo, mas ainda percebida como figura. No trecho, "vale" não cria uma imagem nova; é um uso já desgastado. A metáfora exigiria uma transferência de sentido mais criativa e perceptível, como "a cultura é um iceberg". Aqui, não há essa transferência inovadora; há um uso cristalizado, o que afasta a metáfora.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Comparação (ou símile) exige conectivo comparativo (como, tal qual, assim como) ou estrutura comparativa explícita. No trecho "o que vale é a real", não há conectivo nem comparação entre dois elementos. A palavra "vale" não está sendo comparada a outra coisa; está sendo usada em sentido figurado. Portanto, não é comparação.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Catacrese é a figura em que uma palavra é usada em sentido figurado por falta de termo específico, tornando-se um clichê da língua. No trecho, "vale" significa "prevalece, tem valor", um sentido que já se incorporou ao uso comum. Assim como "braço da cadeira", "vale" aqui é uma metáfora cristalizada. A passagem "o que vale é a real" confirma o uso catacrético.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Metonímia é a substituição de um termo por outro com relação de proximidade (autor pela obra, parte pelo todo, etc.). No trecho, não há substituição de termos; "vale" é usado em sentido figurado, mas não há relação de contiguidade. Não há, por exemplo, "li Machado" (autor pela obra). Portanto, não é metonímia.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Apóstrofe é a invocação a seres reais ou imaginários, como em "Oh, Deus!" ou "Meu Deus, mostre-me um caminho". No trecho, não há invocação; o autor apenas afirma uma ideia. Não há chamamento a ninguém, logo não é apóstrofe.
Conclusão
A única alternativa que se sustenta no texto é a letra C, pois a palavra "vale" está empregada em sentido figurado cristalizado, caracterizando a catacrese. As demais alternativas ou exigem elementos que não estão no trecho (comparação, metonímia, apóstrofe) ou não correspondem ao uso específico (metáfora).
NÃO CAIA NESSA!
A banca oferece metáfora e comparação como distratores, que são figuras próximas da catacrese. A diferença crucial: a catacrese é uma metáfora já incorporada ao uso cotidiano, enquanto a metáfora ainda é percebida como figura. No trecho, "vale" é um uso tão comum que não percebemos mais a comparação implícita.
PEGA ESSA DICA!
Para identificar catacrese, pergunte: "essa expressão é tão comum que já não percebo mais o sentido figurado?" Se sim, é catacrese. Exemplos clássicos: "braço da cadeira", "pé da mesa", "cabeça de alho".