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Questão de Português — Função Sintática dos Pronomes Pessoais Átonos — Avança SP 2025

PortuguêsFunção Sintática dos Pronomes Pessoais Átonos
Código
qa667532
Banca
Avança SP
Órgão
UNITAU
Ano
2025
Cargo
Cont ( )

Medo da eternidade

 

Jamais esquecerei o meu aflitivo e dramático contato com a eternidade. Quando eu era muito pequena ainda não tinha provado chicles e mesmo em Recife falava-se pouco deles. Eu nem sabia bem de que espécie de bala ou bombom se tratava. Mesmo o dinheiro que eu tinha não dava para comprar: com o mesmo dinheiro eu lucraria não sei quantas balas.

 

Afinal minha irmã juntou dinheiro, comprou e ao sairmos de casa para a escola me explicou:

 

– Tome cuidado para não perder, porque esta bala nunca se acaba. Dura a vida inteira.

 

– Como não acaba? – Parei um instante na rua, perplexa.

 

– Não acaba nunca, e pronto.

 

Eu estava boba: parecia-me ter sido transportada para o reino de histórias de príncipes e fadas. Peguei a pequena pastilha cor-de-rosa que representava o elixir do longo prazer. Examinei-a, quase não podia acreditar no milagre. C) Eu que, como outras crianças, às vezes tirava da boca uma bala ainda inteira, para chupar depois, só para fazê-la durar mais. E) E eis-me com aquela coisa cor-de-rosa, de aparência tão inocente, tornando possível o mundo impossível do qual eu já começara a me dar conta.

 

Com delicadeza, terminei afinal pondo o chicle na boca.

 

– E agora que é que eu faço? – Perguntei para não errar no ritual que certamente deveria haver.

 

– Agora chupe o chicle para ir gostando do docinho dele, e só depois que passar o gosto você começa a mastigar. E aí mastiga a vida inteira. A menos que você perca, eu já perdi vários.

 

Perder a eternidade? Nunca.

 

O adocicado do chicle era bonzinho, não podia dizer que era ótimo. E, ainda perplexa, encaminhávamo-nos para a escola.

 

– Acabou-se o docinho. E agora?

 

– Agora mastigue para sempre.

 

Assustei-me, não saberia dizer por quê. Comecei a mastigar e em breve tinha na boca aquele puxa-puxa cinzento de borracha que não tinha gosto de nada. Mastigava, mastigava. Mas me sentia contrafeita. Na verdade eu não estava gostando do gosto. E a vantagem de ser bala eterna me enchia de uma espécie de medo, como se tem diante da ideia de eternidade ou de infinito.

 

Eu não quis confessar que não estava à altura da eternidade. D) Que só me dava era aflição. Enquanto isso, eu mastigava obedientemente, sem parar. Até que não suportei mais, e, atravessando o portão da escola, dei um jeito de o chicle mastigado cair no chão de areia.

 

Olha só o que me aconteceu! A) – Disse eu em fingidos espanto e tristeza. Agora não posso mastigar mais! A bala acabou!

 

– Já lhe disse, repetiu minha irmã, que ela não acaba nunca. Mas a gente às vezes perde. Até de noite a gente pode ir mastigando, mas para não engolir no sono a gente prega o chicle na cama. Não fique triste, um dia lhe dou outro B), e esse você não perderá.

 

Eu estava envergonhada diante da bondade de minha irmã, envergonhada da mentira que pregara dizendo que o chicle caíra da boca por acaso. Mas aliviada. Sem o peso da eternidade sobre mim.

 

LISPECTOR, C. Medo da eternidade. In: LISPECTOR, C. A descoberta do mundo. 1984, p. 446-448. Disponível em <https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/5889/medo-da-eternidade>.

Leia o texto a seguir para responder à questão     Em todas as sentenças a seguir, retiradas do texto, ocorre um pronome pessoal empregado como complemento, exceto em:
  1. A“Olha só o que me aconteceu!”
  2. B“Não fique triste, um dia lhe dou outro”.
  3. C“Examinei-a, quase não podia acreditar no milagre.”
  4. D“Eu não quis confessar que não estava à altura da eternidade.”
  5. E“às vezes tirava da boca uma bala ainda inteira, para chupar depois, só para fazê-la durar mais.”
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — “Eu não quis confessar que não estava à altura da eternidade.”

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Função Sintática dos Pronomes Oblíquos Átonos

Gabarito: letra D. A alternativa D é a única em que o pronome pessoal não exerce função de complemento verbal. Em "Eu não quis confessar que não estava à altura da eternidade", o pronome "eu" é um pronome pessoal reto, funcionando como sujeito do verbo "quis". As demais alternativas apresentam pronomes oblíquos átonos (me, lhe, a, la) que funcionam como objeto direto ou objeto indireto, ou seja, como complementos verbais.

O comando pede para identificar a sentença em que o pronome pessoal não é complemento. Isso exige reconhecer a função sintática de cada pronome destacado. A alternativa D é a única que foge ao padrão, pois o pronome "eu" é reto e exerce função de sujeito, não de complemento.

No texto, a passagem "Eu não quis confessar que não estava à altura da eternidade" mostra claramente o pronome "eu" como sujeito da oração. Já nas outras alternativas, os pronomes "me", "lhe", "a" e "la" são oblíquos átonos e complementam verbos transitivos.

A técnica para resolver é: identificar se o pronome é reto ou oblíquo. Pronomes retos (eu, tu, ele) geralmente funcionam como sujeito; pronomes oblíquos átonos (me, te, se, o, a, lhe, nos, vos) funcionam como complementos verbais (objeto direto ou indireto). A alternativa D usa "eu", que é reto, portanto não é complemento.

Pronomes pessoais
  • 1Retos (eu, tu, ele)
    • Função: sujeito
    • Não são complemento
  • 2Oblíquos átonos (me, te, se, o, a, lhe, nos, vos)
    • Função: complemento verbal
    • Objeto direto (o, a, os, as)
    • Objeto indireto (lhe, lhes, me, te, nos, vos)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

"Olha só o que me aconteceu!"

O pronome "me" é oblíquo átono e funciona como objeto indireto do verbo "acontecer" (acontecer a alguém). Portanto, é complemento verbal. A alternativa está incorreta porque o pronome é complemento.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Não fique triste, um dia lhe dou outro".

O pronome "lhe" é oblíquo átono e funciona como objeto indireto do verbo "dar" (dar algo a alguém). É complemento verbal. A alternativa está incorreta.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Examinei-a, quase não podia acreditar no milagre."

O pronome "a" é oblíquo átono e funciona como objeto direto do verbo "examinar" (examinar algo/alguém). É complemento verbal. A alternativa está incorreta.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Eu não quis confessar que não estava à altura da eternidade."

O pronome "eu" é reto e funciona como sujeito do verbo "quis". Não é complemento verbal. Portanto, é a única alternativa em que o pronome pessoal não é complemento. A alternativa está correta.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"às vezes tirava da boca uma bala ainda inteira, para chupar depois, só para fazê-la durar mais."

O pronome "la" (forma de "a" após verbo terminado em R) é oblíquo átono e funciona como objeto direto do verbo "fazer" (fazer algo). É complemento verbal. A alternativa está incorreta.

Conclusão: A questão pede a sentença em que o pronome pessoal não é complemento. A única que atende é a letra D, pois "eu" é pronome reto com função de sujeito. As demais apresentam pronomes oblíquos átonos com função de objeto direto ou indireto.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de função sintática de pronomes, identifique primeiro se o pronome é reto (sujeito) ou oblíquo (complemento). Pronomes oblíquos átonos (me, te, se, o, a, lhe, nos, vos) quase sempre são complementos verbais.

Gabarito: letra D

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