Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Concordância (Verbal e Nominal) — Quadrix 2025

PortuguêsConcordância (Verbal e Nominal)
Código
qa667562
Banca
Quadrix
Órgão
CRESS 11 (PR)
Ano
2025
Cargo
Ass Adm (CRESS PR)

Em todo o Brasil, de acordo com dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), 80 milhões de pessoas em 1.942 cidades vivem expostas a eventos climáticos extremos. Já o sexto relatório de avaliação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), divulgado em 2023 pela ONU, revela que as pessoas mais atingidas pela crise ambiental são as que menos contribuem para o aquecimento do planeta. “Porém, nas regiões mais pobres e marginalizadas, o número de mortes por calor, secas, enchentes e tempestades foi quinze vezes maior, na última década, do que nas regiões com mais infraestrutura”, aponta a jornalista e ativista ambiental Mariana Belmont. “Políticas públicas de adaptação, mitigação e reparação climática devem ser tratadas como prioridade no orçamento da União, de estados e municípios, priorizando‑se as áreas de risco e os direitos humanos”, defende.


Para o enfrentamento de desigualdades sociais, raciais, étnicas, de gênero e geracionais durante a crise climática, Belmont destaca, ainda, a necessidade de se criarem e se implementarem políticas de longo prazo para a democratização do acesso à terra, além de políticas habitacionais, de urbanização e regularização fundiária destinadas às populações negras e periféricas. “Também precisamos lembrar que atividades empresariais contribuem, significativamente, para eventos climáticos extremos. As empresas, portanto, devem ser chamadas à ação”, reforça. A jornalista também pontua a parcela de responsabilidade e ação que cada um de nós deve ter nesse contexto, seja com a questão do lixo, da alimentação ou da tomada de consciência. “É fundamental entendermos nossa vida real e como o cotidiano está conectado aos estragos nas cidades”, ressalta.


Internet: <www.sescsp.org.br> (com adaptações).

Texto para o item.


Com base na estrutura linguística e no vocabulário empregados no texto, julgue o item seguinte.

 

A substituição da expressão “devem ser tratadas”  por tem que ser tratadas manteria a correção gramatical e o sentido original do texto.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reescrita de frases: “devem ser tratadas” × “tem que ser tratadas”

Gabarito: E (Errado). A substituição não mantém o sentido original, pois altera o registro do texto: “devem ser tratadas” é a forma culta, com verbo auxiliar “dever” flexionado e concordando com o sujeito; “tem que ser tratadas” é construção coloquial, com “ter” no singular e sem a mesma carga de obrigação formal. A banca cobra exatamente essa distinção de registro e de concordância.

O comando

O enunciado pede que você julgue se a troca de “devem ser tratadas” por “tem que ser tratadas” manteria a correção gramatical e o sentido original. Isso é uma questão de reescritura: você deve comparar as duas construções e verificar se há equivalência sintática (concordância, regência) e semântica (sentido, registro). Não se trata de interpretação de conteúdo, mas de análise linguística aplicada ao texto.

O texto

No trecho, a jornalista defende que “Políticas públicas de adaptação, mitigação e reparação climática devem ser tratadas como prioridade no orçamento da União”. A expressão original está na voz passiva analítica, com o verbo auxiliar “dever” no presente do indicativo, 3ª pessoa do plural, concordando com o sujeito “Políticas públicas”. O sentido é de obrigação/dever em um contexto formal de defesa de políticas públicas.

A técnica que decide

A questão testa dois pontos:

  1. Concordância verbal: “devem ser tratadas” — o auxiliar “devem” concorda com o sujeito plural “Políticas públicas”. Já “tem que ser tratadas” — o verbo “ter” fica no singular, pois “tem que” é uma locução fixa, invariável, que não concorda com o sujeito. Isso já quebra a correção gramatical em um texto formal.

  1. Registro e sentido: “dever” expressa obrigação moral/formal; “ter que” expressa obrigação coloquial, mais comum na fala. Em um texto jornalístico-argumentativo, a troca rebaixa o registro e, portanto, altera o sentido — não é apenas uma questão de estilo, mas de adequação ao gênero e à intenção do autor.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de reescrita, pergunte-se: a troca mantém a concordância? Mantém o registro? Mantém o sentido? Se qualquer um desses falhar, a substituição é inadequada.

Critério

“devem ser tratadas”

“tem que ser tratadas”

Registro

Culto/formal

Coloquial

Concordância

Flexiona com o sujeito plural (“devem”)

Invariável (“tem que”)

Sentido

Obrigação formal/deontológica

Obrigação pragmática/cotidiana

Adequação ao texto

Adequada

Inadequada (rebaixa o registro)

Análise da assertiva

A assertiva afirma que a substituição manteria a correção e o sentido. Isso é falso.

  • Correção gramatical: “tem que ser tratadas” é aceitável na norma coloquial, mas em texto formal a forma preferida é “têm que ser tratadas” (com acento diferencial de plural) ou “devem ser tratadas”. A ausência de concordância com o sujeito plural é um desvio.

  • Sentido original: “devem” carrega um valor de dever/deontológico; “tem que” é mais pragmático/coloquial. A mudança de registro altera a força argumentativa e o tom do texto.

Portanto, a assertiva está errada.

Conclusão

A banca adora testar a equivalência entre expressões. Aqui, a troca não é equivalente porque muda o registro e quebra a concordância em contexto formal. Sempre desconfie de substituições que parecem sinônimas, mas alteram o nível de formalidade.

Gabarito: E (Errado).

Link permanente: /questoes/qa667562