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Questão de Português — Formação e Estrutura das Palavras — Avança SP 2025

PortuguêsFormação e Estrutura das Palavras
Código
qa667599
Banca
Avança SP
Órgão
Pref Morungaba
Ano
2025
Cargo
Ag ( )

Carlos Chagas: há 90 anos morria o único cientista a descrever completamente uma doença

 

Indicado duas vezes ao Prêmio Nobel, o cientista, médico sanitarista, infectologista, bacteriologista, professor e pesquisador Carlos Ribeiro Justiniano das Chagas (1878 -1934) entrou para a história com uma marca até hoje não superada. Ele foi a primeira e até hoje única pessoa a descrever completamente uma doença infecciosa. Isso significa que ele, com suas pesquisas, detalhou o patógeno, o vetor, os hospedeiros, as manifestações clínicas e a epidemiologia da tripanossomíase americana, conhecida como doença de Chagas — em sua homenagem.

 

Nesse processo de pesquisa, ele descobriu o protozoário causador da patologia e o batizou de Trypanosoma cruzi — em alusão laudatória ao seu amigo, o também médico Oswaldo Cruz.

 

Chagas não levou o Nobel, mas acabou reconhecido com diversas outras honrarias nacionais e internacionais. Tornou-se membro honorário da Academia Nacional de Medicina e recebeu o doutorado honoris causa das universidades de Harvard e Paris.

 

Nasceu em Oliveira, município de Minas Gerais, em uma família de cafeicultores. Formou-se em 1902 pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, hoje Universidade Federal do Rio de Janeiro.

 

Quando pesquisava para sua tese de conclusão de curso, acabou indo até o Instituto Soroterápico Federal, conhecido como Manguinhos, que era dirigido por Oswaldo Cruz. Foi o primeiro contato de ambos e o início de uma amizade. Chagas não só fez sua pesquisa de graduação, sobre o ciclo evolutivo da malária, como ganhou lá o seu primeiro emprego.

 

A partir de 1905, a carreira de Carlos Chagas passou a se voltar para o combate a doenças em campanhas de saneamento. Cruz o convidou para atuar em trabalhos de controle da malária no interior paulista. Seu trabalho foi bem-sucedido e acabou servindo de protocolo para outras iniciativas pelo país.

 

Quando trabalhava em Minas, em 1907, identificou um protozoário no sangue de um sagui, batizado por ele de Tripanosoma minasensis. Na mesma época, um engenheiro que trabalhava na construção de uma ferrovia na região da cidade de Lassance, perto do Rio São Francisco, contou a ele que havia ali a infestação de um inseto hematófago chamado de barbeiro. Após análises, o médico concluiu que se tratava de outro protozoário, parecido com o que atacava os macacos. Batizou o parasita de Trypanosoma cruzi. A descoberta do brasileiro foi publicada em uma revista acadêmica alemã, em 1909. A notícia repercutiu em todo o continente europeu.

 

Nos anos seguintes, Chagas seguiu examinando pessoas atacadas pelo parasita, até compreender na totalidade o complexo ciclo da doença e suas consequências para os humanos. A enfermidade acabou chamada de doença de Chagas, mas o próprio cientista recusava o rótulo. Seguia denominando-a de tripanossomíase americana.

 

Três dias após a morte de Oswaldo Cruz, Chagas foi nomeado seu sucessor na direção do instituto que hoje leva o nome do primeiro.

 

Quando o Brasil foi acometido pela gripe espanhola, em 1918, a presidência da República o convidou para que ele dirigisse as ações de contenção da epidemia. Em 1919, foi nomeado pelo presidente Epitácio Pessoa (1865-1942) como diretor geral de Saúde Pública, acumulando este cargo com o do instituto que já dirigia. Ele centralizou os sistemas sanitários e focou esforços em campanhas para controle e erradicação de epidemias como a malária e o mal de Chagas.

 

VEIGA, E. BBC News Brasil. Adaptado. Disponível em <https://www.bbc.com/portuguese/articles/c5yp9re49m8o>

Leia o texto a seguir para responder à questão abaixo.

 

Um dos processos de formação em comum nas palavras “cientista”, “sanitarista”, “infectologista” e “bacteriologista”, que ocorrem no texto — “o cientista, médico sanitarista, infectologista, bacteriologista, professor e pesquisador [...]” — é a derivação. O elemento mórfico indicativo desse processo, apresentado em todas as palavras dadas, é o(a):

  1. Aprefixo.
  2. Bsufixo.
  3. Craiz.
  4. Dradical.
  5. Evogal de ligação.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — sufixo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Derivação Sufixal: o elemento comum em "cientista", "sanitarista", "infectologista" e "bacteriologista"

Gabarito: letra B. O elemento mórfico que indica o processo de derivação em todas as palavras é o sufixo — mais precisamente o sufixo -ista, que se acrescenta ao radical para formar nomes de profissão ou especialidade. Como se vê no trecho do texto: "o cientista, médico sanitarista, infectologista, bacteriologista, professor e pesquisador". Todas essas palavras são formadas por derivação sufixal, pois o acréscimo do sufixo ocorre após o radical.

O comando da questão

A questão pede que você identifique o elemento mórfico comum às quatro palavras, que seja indicativo do processo de derivação. Não se trata de interpretar o texto, mas de aplicar conhecimentos de morfologia — especificamente de estrutura e formação de palavras. O comando "o elemento mórfico indicativo desse processo" direciona para a parte da palavra que carrega a ideia de derivação, ou seja, o afixo que foi acrescentado ao radical.

O texto e a pista

No texto, as palavras aparecem em uma enumeração de qualificações de Carlos Chagas: "o cientista, médico sanitarista, infectologista, bacteriologista, professor e pesquisador". Todas as quatro palavras destacadas no enunciado — cientista, sanitarista, infectologista e bacteriologista — têm a mesma terminação -ista. Essa terminação é um sufixo que, acrescentado a um radical (cient-, sanitar-, infectolog-, bacteriolog-), forma substantivos que designam profissão, ocupação ou especialista. O sufixo é, por definição, o afixo que se coloca depois do radical e que, no processo de derivação sufixal, cria uma nova palavra a partir de uma base.

A técnica que decide

Para resolver, você precisa lembrar a diferença entre os elementos mórficos:

  • Radical: parte que contém o sentido básico da palavra (ex.: cient- em cientista).

  • Prefixo: afixo que vem antes do radical (ex.: in- em injusto).

  • Sufixo: afixo que vem depois do radical (ex.: -ista em cientista).

  • Raiz: elemento que traz o sentido original, muitas vezes de outra língua (ex.: scientia em latim).

  • Vogal de ligação: elemento de ligação para eufonia, sem valor semântico (ex.: -o- em gasômetro).

Nas palavras dadas, o elemento que se repete e que é responsável pela derivação é o sufixo -ista. Veja:

Palavra

Radical

Sufixo

cientista

cient-

-ista

sanitarista

sanitar-

-ista

infectologista

infectolog-

-ista

bacteriologista

bacteriolog-

-ista

O sufixo -ista é um sufixo nominal que forma substantivos (e adjetivos) a partir de outros substantivos ou adjetivos, indicando profissão, ocupação ou adepto. É exatamente o que ocorre com as quatro palavras do texto.

Análise das alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta

Prefixo é o afixo que se coloca antes do radical. Nas palavras dadas, não há prefixo: cientista, sanitarista, infectologista e bacteriologista não apresentam nenhum elemento antes do radical. A alternativa confunde a posição do afixo.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O sufixo é o afixo que se coloca depois do radical. Todas as palavras apresentam o sufixo -ista, que é o elemento que indica a derivação sufixal. É a única alternativa que nomeia corretamente o elemento comum.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Raiz é o elemento que contém o sentido original da palavra, muitas vezes de origem latina ou grega. Embora as palavras tenham raízes (ex.: scientia em latim para cientista), a raiz não é o elemento que indica o processo de derivação — ela é a base semântica, não o afixo acrescentado.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Radical é a parte que contém o sentido básico da palavra, mas não é o elemento que indica a derivação. O radical é a base à qual se acrescenta o sufixo; ele não é o responsável pelo processo de formação. Além disso, os radicais das quatro palavras são diferentes (cient-, sanitar-, infectolog-, bacteriolog-), enquanto o sufixo é comum.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Vogal de ligação é um elemento de ligação que não tem valor semântico, usado para eufonia (ex.: -o- em gasômetro). Nas palavras dadas, não há vogal de ligação; o elemento comum é o sufixo. A alternativa confunde a função do elemento.

NÃO CAIA NESSA!

A banca oferece outros elementos mórficos que também aparecem nas palavras (radical, raiz), mas o que é comum a todas e indica derivação é o sufixo. Não se deixe levar por termos que parecem corretos, mas não respondem ao que foi pedido.

PEGA ESSA DICA!

Para identificar o processo de formação, pergunte: qual elemento foi acrescentado à base? Se for antes do radical, é prefixo; se for depois, é sufixo. O sufixo é o que mais aparece em questões de derivação.

Gabarito: letra B.

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