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Questão de Português — Adjetivo — Avança SP 2025

PortuguêsAdjetivo
Código
qa667609
Banca
Avança SP
Órgão
Pref Morungaba
Ano
2025
Cargo
Ag ( )

Leonardo da Vinci: o maior procrastinador da história

Da Vinci quase nunca terminava seus trabalhos. Mas por trás da procrastinação intensa está o segredo da sua multidisciplinaridade

 

Leonardo da Vinci pintou uma das obras mais emblemáticas da história: a Mona Lisa. Oficialmente, a moça do sorriso enigmático e olhar sedutor demorou 3 anos para ser pintada — entre 1503 e 1506 —, mas pesquisadores acreditam que Leonardo ficou finalizando o retrato até 1519, ano de sua morte. Segundo biógrafos, a pintura que hoje é o carro chefe do Louvre está inacabada. E esta é apenas uma das provas que indicam que Da Vinci era um procrastinador notório.

 

Claro, ele era um gênio, e talvez apenas tivesse ideias demais para uma cabeça só. Mas meio milênio após sua morte, uma nova pesquisa identificou uma possível explicação por trás da série de projetos incompletos que o artista da Renascença deixou ao longo da carreira: Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade, ou TDAH.

 

Escrevendo no periódico inglês Brain, pesquisadores do King’s College London e da Universidade de Pavia, na Itália, consultaram evidências históricas, incluindo relatos de contemporâneos de Leonardo, e concluíram que seus problemas com administração do tempo, concentração e procrastinação poderiam ser atribuídos ao déficit.

 

“Embora seja impossível fazer um diagnóstico post-mortem para alguém que viveu há 500 anos, estou confiante de que o TDAH é a hipótese mais convincente e cientificamente plausível para explicar a dificuldade de Leonardo em terminar suas obras”, disse Marco Catani, um dos autores do estudo.

 

Os pesquisadores destacam a tendência de Leonardo de mudar constantemente de projeto, bem como seu hábito de trabalhar continuamente durante a noite, raramente dormindo profundamente — segundo biógrafos, ele alternava ciclos rápidos de cochilos curtos durante toda a noite.

 

No estudo, há também outras características do renascentista que batem com o possível diagnóstico tardio. Os cientistas contam que Leonardo era canhoto – e também que sobreviveu a um derrame no hemisfério esquerdo aos 65 anos. Só que todas suas funções cognitivas (e geniais) ficaram intactas. Os pesquisadores acreditam que as duas coisas poderiam estar relacionadas. Da Vinci pode ter “concentrado” muitas de suas funções cerebrais em um hemisfério do cérebro, justamente o que não foi afetado pelo AVC. É uma característica rara, presente em menos de 5% da população.

 

Além disso, diversas pesquisas sugerem que Da Vinci tinha dislexia, devido a erros de ortografia e escrita espelhada em seus cadernos. Essa dificuldade de aprendizagem é frequentemente diagnosticada ao lado do TDAH. “Dominância hemisférica atípica, canhoto e dislexia são mais prevalentes em crianças com desordens de aprendizado, incluindo TDAH”, escreveram os autores.

 

Os cientistas ainda pontuam que a genialidade de Leonardo pode ter se beneficiado dessa condição. “Nos tempos modernos, um diagnóstico de TDAH prescinde do nível de habilidade intelectual e é cada vez mais reconhecido entre estudantes universitários e adultos com carreiras bem-sucedidas. Indiscutivelmente, se positivamente canalizado, algumas características do TDAH podem trazer uma vantagem: a mente vagando pode alimentar a criatividade e a originalidade; a inquietação pode mover-se para buscar novidades e ação pelas mudanças”, escreveram os autores.

 

Revista Superinteressante. Leonardo da Vinci: o maior procrastinador da história. Adaptado.

Disponível em <https://super.abril.com.br/cultura/leonardo-da-vinci-o-maior-procrastinador-da-historia/>.

Leia o texto a seguir para responder à questão abaixo.

 

A qualidade atribuída a Leonardo da Vinci, de “o maior procrastinador da história”, no título da reportagem, se apresenta de forma:

  1. Asuperlativa relativa de inferioridade.
  2. Bsuperlativa relativa de superioridade.
  3. Csuperlativa absoluta sintética.
  4. Dsuperlativa absoluta analítica.
  5. Ecomparativa de superioridade.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — superlativa relativa de superioridade.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Grau do Adjetivo: Superlativo Relativo de Superioridade

Gabarito: letra B. A expressão “o maior procrastinador da história” é um superlativo relativo de superioridade, pois combina o artigo definido “o” + “maior” (forma sintética de “mais grande”) + o termo que delimita o conjunto (“da história”). A estrutura clássica é o mais + adjetivo + de/dentre, e é exatamente isso que o título apresenta — como se vê no próprio texto: “Leonardo da Vinci: o maior procrastinador da história”.

O que a questão pede

O comando pergunta como se apresenta a qualidade atribuída a Da Vinci no título. Isso é uma questão de morfossintaxe do adjetivo: identificar o grau em que a qualidade “procrastinador” foi empregada. Não se trata de interpretar o conteúdo do texto, mas de reconhecer a estrutura gramatical que expressa intensificação. Por isso, a resposta está na forma da expressão, não no sentido global da reportagem.

A estrutura do superlativo relativo

O superlativo relativo intensifica uma qualidade em relação a um grupo — ele diz que algo é o máximo dentro de um conjunto. Divide-se em:

  • de superioridade: “o mais alto”, “o maior”, “o melhor” — a qualidade está no grau máximo.

  • de inferioridade: “o menos alto”, “o menor” — a qualidade está no grau mínimo.

A fórmula é sempre: artigo definido + mais/menos + adjetivo + de/dentre/entre + grupo. No título, temos:

“Leonardo da Vinci: o maior procrastinador da história

Aqui, “o” é o artigo definido, “maior” é a forma sintética do comparativo de superioridade de “grande” (usada também no superlativo), e “da história” delimita o conjunto de procrastinadores. Portanto, é superlativo relativo de superioridade.

Distinções importantes

  • Superlativo absoluto: intensifica sem comparação com um grupo. Pode ser analítico (com advérbio: “muito procrastinador”) ou sintético (com sufixo: “procrastinadoríssimo”).

  • Comparativo: compara dois elementos, sem eleger um como máximo. Pode ser de superioridade (“mais procrastinador que”), de igualdade (“tão procrastinador quanto”) ou de inferioridade (“menos procrastinador que”).

A pegadinha da banca está em confundir essas categorias. Vejamos cada alternativa.

Grau do adjetivo
  • 1Comparativo
    • Igualdade (tão... quanto)
    • Superioridade (mais... que)
    • Inferioridade (menos... que)
  • 2Superlativo absoluto
    • Analítico (muito + adjetivo)
    • Sintético (sufixo -íssimo)
  • 3Superlativo relativo
    • Superioridade (o mais + adjetivo + de)
    • Inferioridade (o menos + adjetivo + de)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Superlativa relativa de inferioridade. A estrutura seria “o menos procrastinador da história”. O texto usa “o maior”, que expressa superioridade, não inferioridade. Portanto, contradiz o que está no título.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Superlativa relativa de superioridade. Como demonstrado, a expressão “o maior procrastinador da história” segue exatamente a fórmula do superlativo relativo de superioridade: artigo definido + forma superlativa + complemento que delimita o grupo. O texto confirma: “Leonardo da Vinci: o maior procrastinador da história”.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Superlativa absoluta sintética. O superlativo absoluto sintético é formado com sufixo (-íssimo, -érrimo), como “procrastinadoríssimo”. No título, não há sufixo; há a forma “maior”, que é comparativa/superlativa relativa. Portanto, a estrutura não corresponde.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Superlativa absoluta analítica. O superlativo absoluto analítico usa advérbio de intensidade, como “muito procrastinador”. No título, não há advérbio; há artigo + forma superlativa + complemento. Logo, não é absoluto analítico.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Comparativa de superioridade. O comparativo compara dois elementos, sem eleger um como máximo. A expressão “o maior procrastinador da história” não compara dois procrastinadores; ela elege Da Vinci como o máximo dentro do grupo “história”. Portanto, é superlativo, não comparativo.

Conclusão

A questão testa o reconhecimento da estrutura do superlativo relativo. A presença do artigo definido “o” e do complemento “da história” é a chave: sem eles, seria comparativo; com eles, é superlativo relativo. Gabarito: letra B.

PEGA ESSA DICA!

Para diferenciar comparativo de superlativo relativo, pergunte: há comparação entre dois elementos? Se sim, comparativo. Há eleição de um como máximo dentro de um grupo? Se sim, superlativo relativo. A presença de “o/a” antes do adjetivo e de “de/dentre” após é o sinal clássico.

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