Questão de Português — Figuras de Linguagem — Avança SP 2025
- Código
- qa667616
- Banca
- Avança SP
- Órgão
- Pref Morungaba
- Ano
- 2025
- Cargo
- Art ( )
- AHipérbole.
- BIronia.
- CProsopopeia.
- DMetáfora.
- EComparação.
GabaritoD — Metáfora.
Gabarito: letra D. A última frase do texto, "Assim, o trabalhador é uma máquina de produção", contém uma metáfora, pois estabelece uma comparação implícita entre o trabalhador e uma máquina, sem o uso de conectivo comparativo (como, tal qual, assim como). O texto afirma que o trabalhador "deve fazer e não pensar ou decidir", o que autoriza a leitura metafórica de que ele é tratado como uma máquina de produção.
A questão pede para identificar a figura de linguagem presente na última frase do texto. Isso exige, primeiro, localizar a frase exata e, depois, reconhecer o recurso expressivo nela empregado. Não se trata de interpretar o texto como um todo, mas de analisar um trecho específico sob a ótica da estilística. A habilidade cobrada é a de reconhecer figuras de palavras, distinguindo-as entre si.
O texto de Chiavenato descreve a administração científica, que simplifica cargos e tarefas para aumentar a eficiência. O parágrafo final conclui o raciocínio sobre a linha de montagem: cada operário executa uma tarefa específica e repetitiva. A frase final é a conclusão lógica desse processo:
"Assim, o trabalhador é uma máquina de produção."
Nessa frase, o autor não diz que o trabalhador é como uma máquina (o que seria uma comparação explícita). Ele afirma diretamente que o trabalhador é uma máquina. Essa transferência de sentido — atribuir ao trabalhador a natureza de uma máquina — é a essência da metáfora.
A distinção central entre metáfora e comparação (ou símile) está na presença ou ausência de conectivo comparativo. A comparação usa conectivos como como, tal qual, assim como, que nem; a metáfora não os usa, pois a comparação é implícita. No trecho, não há conectivo: o autor afirma "o trabalhador é uma máquina", não "o trabalhador é como uma máquina". Portanto, é metáfora.
Essa distinção é a pegadinha clássica da banca: a alternativa E (Comparação) parece tentadora, mas falha justamente por exigir um conectivo que não existe no texto. A metáfora é uma comparação abreviada, em que o termo comparativo é suprimido.
Hipérbole é o exagero intencional com finalidade expressiva, como em "morreu de rir" ou "estou morto de cansado". Na frase "o trabalhador é uma máquina de produção", não há exagero: o autor está fazendo uma transferência de sentido, não uma amplificação exagerada de uma característica. O texto descreve o trabalhador como alguém que "deve fazer e não pensar ou decidir", o que é uma constatação do modelo de produção, não um exagero retórico. A hipérbole extrapolaria o sentido literal, enquanto a metáfora o transfere.
Ironia consiste em dizer o contrário do que se pretende, geralmente com tom crítico ou humorístico. No trecho, o autor não está sendo irônico: ele está descrevendo, de forma literal e direta, o efeito da linha de montagem sobre o trabalhador. O texto afirma que "este deve fazer e não pensar ou decidir", o que é uma descrição objetiva do modelo taylorista, não uma inversão de sentido. A ironia exigiria uma pista contextual de que o autor quer dizer o oposto do que escreveu — o que não ocorre aqui.
Prosopopeia (ou personificação) é a atribuição de características humanas a seres inanimados ou animais, como em "o vento sussurrava" ou "a cidade acordou". Na frase, ocorre o movimento inverso: atribui-se ao trabalhador (ser humano) uma característica de máquina (ser inanimado). Isso não é prosopopeia, mas sim uma metáfora que coisifica o ser humano. A banca explora a confusão entre os dois sentidos: a prosopopeia humaniza o não humano; a metáfora aqui desumaniza o humano.
A frase "o trabalhador é uma máquina de produção" é uma metáfora, pois estabelece uma comparação implícita entre o trabalhador e uma máquina, sem conectivo comparativo. O texto autoriza essa leitura ao afirmar que o trabalhador "deve fazer e não pensar ou decidir" e que "cada operário fica restrito a uma simples e específica tarefa que deve ser executada cíclica e repetitivamente". O autor transfere ao trabalhador a natureza de uma máquina, criando uma imagem que sintetiza a crítica ao modelo de produção. A metáfora é uma figura de palavra, pois a palavra "máquina" é empregada fora do seu sentido básico, recebendo nova significação por comparação entre seres de universos distintos.
Comparação (ou símile) é a figura que estabelece uma comparação explícita, com o uso de conectivos como como, tal qual, assim como, que nem. Exemplo: "o trabalhador é como uma máquina". No texto, não há conectivo: o autor afirma "o trabalhador é uma máquina", não "é como uma máquina". A ausência do conectivo é o que distingue a metáfora da comparação. A banca oferece essa alternativa como distratora clássica, explorando a proximidade conceitual entre as duas figuras. A comparação seria correta apenas se o texto trouxesse o conectivo, o que não ocorre.
A banca explora a confusão entre metáfora (comparação implícita, sem conectivo) e comparação (comparação explícita, com conectivo). A alternativa E parece correta, mas falha porque o texto não usa "como" ou equivalente.
Ao identificar figuras de linguagem, grife o conectivo. Se houver "como", "tal qual", "assim como", é comparação; se não houver, é metáfora. Essa é a distinção que decide a questão.
Gabarito: letra D. A metáfora é a figura de palavra que transfere o sentido de "máquina" ao trabalhador, sem conectivo comparativo, sintetizando a crítica ao modelo de produção em massa.
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