Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Tipologia e Gênero Textual — Quadrix 2025

PortuguêsTipologia e Gênero Textual
Código
qa667620
Banca
Quadrix
Órgão
CORE RJ
Ano
2025
Cargo
Ass Adm ( )

Personagens muito comuns na capital do Império durante todo o século XIX, os caixeiros eram trabalhadores do comércio, presentes nos balcões dos estabelecimentos e até nas casas dos patrões, organizando suas finanças. Identificados cotidianamente como auxiliares do comércio, era comum ver caixeiros exercendo as mais variadas funções dentro desses ambientes. No entanto, por mais que pareça, a classe caixeiral estava longe de ser um grupo homogêneo, e uma das suas principais características é uma nítida hierarquia interna de funções.

 

Uma das peculiaridades da classe caixeiral reside na constante possibilidade de ascensão social, que era muito divulgada na imprensa, de forma a reforçar e validar a relação dúbia de proximidade e dominação que os caixeiros tinham com seus patrões. Este fenômeno se aplicava mais intensamente com os primeiros caixeiros e guarda‑livros, pois tinham as maiores possibilidades de alcançarem seus empregadores, fosse formando uma sociedade, ou, até mesmo, se casando com a viúva do falecido chefe, ou mesmo sua filha, e herdando seu negócio.

 

Com o intuito de aprofundar as possibilidades de ascensão social entre caixeiros, precisamos explicar como funcionavam ambos os “caminhos” para o patronato. Para tal, iremos recorrer ao estudo de Fabiane Popinigis (1998, 16‑17) sobre a peça O caixeiro da taverna, pois a trama principal da obra gira em torno das desventuras do primeiro‑caixeiro de uma taverna para equilibrar seu casamento com seu plano pessoal de casar‑se com a sua patroa viúva e tornar‑se, enfim, o patrão do estabelecimento. Ainda que revestido pela sua finalidade cômica, o texto nos permite inferir a existência de outras situações análogas à do primeiro caixeiro Manuel. A sucessão do primeiro caixeiro como “herdeiro” de um estabelecimento se explica pela proeminência deste nos negócios da casa, ou seja, uma vez que era ele quem, muitas vezes, efetivamente organizava o funcionamento do local, era apenas natural que ele se tornasse o patrão após o falecimento de seu chefe.

 

No entanto, é a outra possibilidade de ascensão do caixeiro nos oferece mais ferramentas para analisarmos a situação da classe. Para que um primeiro caixeiro fosse promovido a sócio de seu patrão, eram necessários muitos anos de trabalho e muita confiança mútua. Aqui, entramos em um aspecto muito caro para o funcionamento da classe caixeiral, a fidelidade. Lenira Martinho mostra a importância deste termo para a contratação de caixeiros, sendo muito comum nos anúncios de jornais estudados por ela a presença de recomendações e atestados de confiança em vagas de caixeiros tentando conseguir emprego (MARTINHO, 1993, 42). Adriano de Sousa (2018, 24) corrobora esta visão e nos ajuda a compreender a utilização desses laços como forma de controle dos patrões com seus empregados. Segundo o autor, “a fidelidade ao patrão era um elemento imprescindível ao caixeiro. Fidelidade aqui, diga‑se, tem um sentido de passividade, obediência e lealdade para com seu empregador”. Além disso, o autor afirma que, algumas vezes, a possibilidade de uma sociedade era mais arriscada do que benéfica ao caixeiro, pois muitos patrões impunham a condição de que o caixeiro recém‑promovidosó tivesse retornos financeiros quando conseguissem igualar seus capitais, o que poderia levar muitos anos, ou, ainda, que recebesse apenas os valores que foram retidos em uma poupança obrigatória durante seus anos de trabalho.

 

Guilherme Gonçalves Oliveira

Texto para a questão.

 

O texto deve ser considerado

  1. Aliterário, porque apresenta a história de ascensão de caixeiros no século XIX.
  2. Bargumentativo, pois tenta provar que a profissão de caixeiro ainda é válida.
  3. Cinformativo, traçando um panorama de como funcionava a classe dos caixeiros.
  4. Dpoético, ao valorizar mais a forma, com ritmo, que o conteúdo informativo.
  5. Einjuntivo, já que pretende ensinar ao leitor o passo a passo para se tornar caixeiro.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — informativo, traçando um panorama de como funcionava a classe dos caixeiros.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Tipologia textual: o texto é informativo (dissertativo-expositivo)

Gabarito: letra C. O texto é informativo, pois traça um panorama de como funcionava a classe dos caixeiros no século XIX, sem defender uma tese nem persuadir o leitor. A intenção predominante é expor e explicar — como se lê já no primeiro parágrafo: "os caixeiros eram trabalhadores do comércio, presentes nos balcões dos estabelecimentos e até nas casas dos patrões, organizando suas finanças". Não há opinião a ser defendida, nem instrução a ser seguida, nem narrativa de ficção.

O comando: identificar a tipologia pela INTENÇÃO

A questão pergunta "O texto deve ser considerado" — ou seja, pede que você classifique o texto quanto à tipologia textual (narrativo, descritivo, dissertativo-expositivo, dissertativo-argumentativo, injuntivo). A banca não pergunta o gênero (artigo, crônica, etc.), mas o tipo predominante. E o critério decisivo, como ensinam as gramáticas de texto, é a intenção comunicativa: o que o autor quer fazer com o leitor? Informar? Convencer? Narrar? Instruir?

No texto em questão, o autor informa e explica como era a classe caixeiral: suas funções, sua hierarquia, as possibilidades de ascensão social, os mecanismos de fidelidade. Ele não tenta convencer ninguém de nada — não há tese polêmica, não há defesa de ponto de vista. Há, sim, uma exposição organizada de informações, com apoio em fontes (Fabiane Popinigis, Lenira Martinho, Adriano de Sousa), o que é típico do texto dissertativo-expositivo (também chamado de informativo).

A técnica: conteúdo predomina sobre a forma

Para classificar a tipologia, olhe para a intenção do autor, não para a forma. O texto tem citações e referências bibliográficas, o que pode lembrar um texto argumentativo (artigo científico), mas isso não o torna argumentativo. O que define é o propósito:

  • Argumentativo: defender uma tese, convencer o leitor. Exige opinião, ponto de vista, contra-argumentos.

  • Expositivo/informativo: apresentar informações, explicar conceitos, sem juízo de valor. É o caso aqui.

Observe que o autor não emite opinião sobre os caixeiros — ele apenas descreve e explica como eles viviam. Mesmo quando menciona que "a classe caixeiral estava longe de ser um grupo homogêneo", isso é uma constatação factual, não uma tese a ser defendida. O texto é uma exposição didática sobre um tema histórico.

Análise das alternativas

1Critério: intenção comunicativa
Informar → expositivo/informativo
Convencer → argumentativo
Narrar → narrativo
Instruir → injuntivo
2Texto informativo
Apresenta panorama
Sem tese nem opinião
Explica e expõe
3Texto argumentativo
Defende tese
Busca convencer
Tem ponto de vista
Tipologia textual
LEVELsoulevel.com.br
Tipologia textual: Critério: intenção comunicativa (Informar → expositivo/informativo, Convencer → argumentativo, Narrar → narrativo, Instruir → injuntivo); Texto informativo (Apresenta panorama, Sem tese nem opinião, Explica e expõe); Texto argumentativo (Defende tese, Busca convencer, Tem ponto de vista)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação (fora do escopo). O texto não é literário — não há enredo, personagens ficcionais, nem finalidade estética. A menção à peça O caixeiro da taverna é apenas um recurso ilustrativo para explicar a ascensão social, não uma narrativa literária. O texto é um estudo histórico, com linguagem objetiva e referências acadêmicas.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto (opinião embutida). O texto não tenta provar que a profissão de caixeiro ainda é válida — aliás, ele fala do século XIX, no passado. Não há defesa de tese, não há argumentação para convencer o leitor de que a profissão é válida hoje. A alternativa inventa uma finalidade que não existe no texto.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

É a única sustentada pelo texto. O texto informa sobre a classe caixeiral: quem eram, o que faziam, como era a hierarquia, as possibilidades de ascensão, o papel da fidelidade. Veja o trecho que comprova:

"Personagens muito comuns na capital do Império durante todo o século XIX, os caixeiros eram trabalhadores do comércio, presentes nos balcões dos estabelecimentos e até nas casas dos patrões, organizando suas finanças."

E mais adiante: "uma das suas principais características é uma nítida hierarquia interna de funções". O texto traça um panorama — exatamente o que a alternativa afirma. Não há tese, não há opinião, não há instrução: é informativo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto (troca de conceito). O texto não é poético — não há ritmo, métrica, figuras de linguagem com finalidade estética, nem valorização da forma sobre o conteúdo. A linguagem é prosaica e objetiva, típica de texto acadêmico/informativo. A alternativa inverte completamente a natureza do texto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação (fora do escopo). O texto não ensina o passo a passo para se tornar caixeiro — ele explica como era a profissão no passado. Não há verbos no imperativo, não há instruções, não há sequência de procedimentos. A tipologia injuntiva é caracterizada por "faça isso", "siga esses passos", o que não ocorre aqui.

Conclusão

A questão testa sua capacidade de identificar a intenção predominante do texto. A alternativa C é a única que descreve com precisão o que o texto faz: informar sobre a classe caixeiral. As demais ou extrapolam (A, E), ou contradizem o texto (B, D).

PEGA ESSA DICA!

Para questões de tipologia, pergunte-se: "o autor quer informar, convencer, narrar ou instruir?" Se não há tese nem opinião, é expositivo/informativo. Desconfie de alternativas que citam "literário", "poético" ou "injuntivo" sem marcas textuais claras.

Gabarito: letra C

Link permanente: /questoes/qa667620