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Questão de Português — Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc) — Quadrix 2025

PortuguêsCoerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Código
qa667623
Banca
Quadrix
Órgão
CORE RJ
Ano
2025
Cargo
Ass Adm ( )

Personagens muito comuns na capital do Império durante todo o século XIX, os caixeiros eram trabalhadores do comércio, presentes nos balcões dos estabelecimentos e até nas casas dos patrões, organizando suas finanças. Identificados cotidianamente como auxiliares do comércio, era comum ver caixeiros exercendo as mais variadas funções dentro desses ambientes. No entanto, por mais que pareça, a classe caixeiral estava longe de ser um grupo homogêneo, e uma das suas principais características é uma nítida hierarquia interna de funções.

 

Uma das peculiaridades da classe caixeiral reside na constante possibilidade de ascensão social, que era muito divulgada na imprensa, de forma a reforçar e validar a relação dúbia de proximidade e dominação que os caixeiros tinham com seus patrões. Este fenômeno se aplicava mais intensamente com os primeiros caixeiros e guarda‑livros, pois tinham as maiores possibilidades de alcançarem seus empregadores, fosse formando uma sociedade, ou, até mesmo, se casando com a viúva do falecido chefe, ou mesmo sua filha, e herdando seu negócio.

 

Com o intuito de aprofundar as possibilidades de ascensão social entre caixeiros, precisamos explicar como funcionavam ambos os “caminhos” para o patronato. Para tal, iremos recorrer ao estudo de Fabiane Popinigis (1998, 16‑17) sobre a peça O caixeiro da taverna, pois a trama principal da obra gira em torno das desventuras do primeiro‑caixeiro de uma taverna para equilibrar seu casamento com seu plano pessoal de casar‑se com a sua patroa viúva e tornar‑se, enfim, o patrão do estabelecimento. Ainda que revestido pela sua finalidade cômica, o texto nos permite inferir a existência de outras situações análogas à do primeiro caixeiro Manuel. A sucessão do primeiro caixeiro como “herdeiro” de um estabelecimento se explica pela proeminência deste nos negócios da casa, ou seja, uma vez que era ele quem, muitas vezes, efetivamente organizava o funcionamento do local, era apenas natural que ele se tornasse o patrão após o falecimento de seu chefe.

 

No entanto, é a outra possibilidade de ascensão do caixeiro nos oferece mais ferramentas para analisarmos a situação da classe. Para que um primeiro caixeiro fosse promovido a sócio de seu patrão, eram necessários muitos anos de trabalho e muita confiança mútua. Aqui, entramos em um aspecto muito caro para o funcionamento da classe caixeiral, a fidelidade. Lenira Martinho mostra a importância deste termo para a contratação de caixeiros, sendo muito comum nos anúncios de jornais estudados por ela a presença de recomendações e atestados de confiança em vagas de caixeiros tentando conseguir emprego (MARTINHO, 1993, 42). Adriano de Sousa (2018, 24) corrobora esta visão e nos ajuda a compreender a utilização desses laços como forma de controle dos patrões com seus empregados. Segundo o autor, “a fidelidade ao patrão era um elemento imprescindível ao caixeiro. Fidelidade aqui, diga‑se, tem um sentido de passividade, obediência e lealdade para com seu empregador”. Além disso, o autor afirma que, algumas vezes, a possibilidade de uma sociedade era mais arriscada do que benéfica ao caixeiro, pois muitos patrões impunham a condição de que o caixeiro recém‑promovidosó tivesse retornos financeiros quando conseguissem igualar seus capitais, o que poderia levar muitos anos, ou, ainda, que recebesse apenas os valores que foram retidos em uma poupança obrigatória durante seus anos de trabalho.

 

Guilherme Gonçalves Oliveira

Texto para a questão.

 

Na linha 10, em “ou mesmo sua filha”, o pronome “sua” refere‑se ao termo

  1. A“primeiros caixeiros”.
  2. B“guarda‑livros”.
  3. C“empregadores”.
  4. D“falecido chefe”.
  5. E“filha”.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — “falecido chefe”.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Referência do pronome possessivo "sua" — coesão referencial

Gabarito: letra D. O pronome possessivo "sua", em "ou mesmo sua filha", refere-se a "falecido chefe". A prova está na estrutura do trecho: "se casando com a viúva do falecido chefe, ou mesmo sua filha" — a filha é do falecido chefe, não dos caixeiros, dos guarda-livros ou dos empregadores. O possessivo "sua" retoma anaforicamente o termo mais próximo e semanticamente compatível: o chefe falecido.

"fosse formando uma sociedade, ou, até mesmo, se casando com a viúva do falecido chefe, ou mesmo sua filha, e herdando seu negócio."

A leitura natural do período é: o caixeiro poderia ascender casando-se com a viúva do chefe falecido, ou então com a filha desse mesmo chefe falecido. O possessivo "sua" estabelece uma relação de posse: a filha pertence ao falecido chefe. Se o pronome se referisse a "empregadores" (plural), a forma correta seria "suas filhas" ou "a filha deles"; se a "primeiros caixeiros" ou "guarda-livros", o sentido seria absurdo — eles não têm filha que o caixeiro pudesse desposar para herdar o negócio do patrão.

O comando da questão

A banca pede a identificação do referente de um pronome possessivo. Isso é uma questão de coesão referencial anafórica: o pronome "sua" retoma um termo já mencionado no texto. Não se trata de interpretação livre, mas de rastrear a cadeia de referência — quem é o possuidor da "filha" mencionada. O método é simples: substitua o pronome por cada candidato e veja qual faz sentido no contexto.

O texto e a cadeia coesiva

No segundo parágrafo, o autor descreve as possibilidades de ascensão dos caixeiros: formar sociedade com o patrão ou casar-se com a viúva do chefe falecido, ou com a filha dele. A expressão "sua filha" só pode remeter ao "falecido chefe", pois é ele quem tem viúva e filha. Os "primeiros caixeiros" e "guarda-livros" são os sujeitos que poderiam ascender, não os possuidores da filha. Já "empregadores" está no plural e designa os patrões em geral, mas o trecho fala de um chefe específico, já falecido.

A técnica que decide

Para resolver questões de referência pronominal, pergunte: quem é o possuidor lógico? O possessivo "sua" exige um antecedente singular e masculino que faça sentido como dono da filha. No texto, apenas "falecido chefe" preenche esses requisitos. As demais opções ou estão no plural, ou não têm relação de posse com a filha, ou quebram a lógica do período.

Referência do possessivo "sua"
  • 1Possuidor lógico
    • Falecido chefe (singular, masculino)
    • Filha é do chefe
  • 2Termos que confundem
    • Primeiros caixeiros (plural)
    • Guarda-livros (plural)
    • Empregadores (plural, genérico)
    • Filha (objeto possuído, não possuidor)
  • 3Técnica de resolução
    • Substituir o pronome por cada candidato
    • Verificar quem faz sentido como dono
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Alternativa A — ❌ Incorreta

"Primeiros caixeiros" está no plural e designa os trabalhadores que poderiam ascender, não o possuidor da filha. Se o pronome se referisse a eles, a forma seria "suas filhas" e o sentido seria ilógico: o caixeiro casar-se-ia com a filha de outro caixeiro? Não é isso que o texto diz. Erro: troca de referente — o candidato confunde o sujeito da ação com o possuidor.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Guarda-livros" também está no plural e nomeia uma categoria de caixeiros. Não há relação de posse entre eles e a filha mencionada. O texto fala de um chefe específico, não dos guarda-livros. Erro: troca de referente — o termo aparece no mesmo parágrafo, mas não é o antecedente do possessivo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Empregadores" está no plural e designa os patrões em geral. No trecho, porém, o possessivo "sua" refere-se a um chefe singular e já falecido. Se fosse "empregadores", a forma seria "suas filhas" e o sentido seria genérico demais. Erro: generalização — a alternativa amplia o referente para uma classe, quando o texto fala de um indivíduo específico.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O possessivo "sua" retoma "falecido chefe", como se lê no trecho: "se casando com a viúva do falecido chefe, ou mesmo sua filha". A filha é do chefe falecido — é ele quem tem viúva e filha. A relação de posse é direta e o sentido do período se mantém: o caixeiro poderia casar-se com a viúva ou com a filha do patrão morto. Correta porque é o único antecedente singular, masculino e semanticamente compatível.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Filha" é o termo possuído, não o possuidor. O pronome "sua" indica posse, mas quem possui é o falecido chefe. A alternativa confunde o objeto da posse com o referente do pronome. Erro: troca de conceito — o candidato marca o substantivo que acompanha o possessivo, em vez de identificar a quem ele se refere.

NÃO CAIA NESSA!

A banca oferece termos que aparecem próximos no texto, mas o possessivo "sua" exige identificar o possuidor lógico: a filha é do falecido chefe, não dos caixeiros ou empregadores.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de referência pronominal, substitua o pronome por cada candidato e veja qual faz sentido no contexto. O possessivo sempre aponta para o dono, não para o objeto possuído.

Gabarito: letra D — o pronome "sua" refere-se a "falecido chefe".

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