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Questão de Português — Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc) — Quadrix 2025

PortuguêsCoerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Código
qa667626
Banca
Quadrix
Órgão
CORE RJ
Ano
2025
Cargo
Ass Adm ( )

Personagens muito comuns na capital do Império durante todo o século XIX, os caixeiros eram trabalhadores do comércio, presentes nos balcões dos estabelecimentos e até nas casas dos patrões, organizando suas finanças. Identificados cotidianamente como auxiliares do comércio, era comum ver caixeiros exercendo as mais variadas funções dentro desses ambientes. No entanto, por mais que pareça, a classe caixeiral estava longe de ser um grupo homogêneo, e uma das suas principais características é uma nítida hierarquia interna de funções.

 

Uma das peculiaridades da classe caixeiral reside na constante possibilidade de ascensão social, que era muito divulgada na imprensa, de forma a reforçar e validar a relação dúbia de proximidade e dominação que os caixeiros tinham com seus patrões. Este fenômeno se aplicava mais intensamente com os primeiros caixeiros e guarda‑livros, pois tinham as maiores possibilidades de alcançarem seus empregadores, fosse formando uma sociedade, ou, até mesmo, se casando com a viúva do falecido chefe, ou mesmo sua filha, e herdando seu negócio.

 

Com o intuito de aprofundar as possibilidades de ascensão social entre caixeiros, precisamos explicar como funcionavam ambos os “caminhos” para o patronato. Para tal, iremos recorrer ao estudo de Fabiane Popinigis (1998, 16‑17) sobre a peça O caixeiro da taverna, pois a trama principal da obra gira em torno das desventuras do primeiro‑caixeiro de uma taverna para equilibrar seu casamento com seu plano pessoal de casar‑se com a sua patroa viúva e tornar‑se, enfim, o patrão do estabelecimento. Ainda que revestido pela sua finalidade cômica, o texto nos permite inferir a existência de outras situações análogas à do primeiro caixeiro Manuel. A sucessão do primeiro caixeiro como “herdeiro” de um estabelecimento se explica pela proeminência deste nos negócios da casa, ou seja, uma vez que era ele quem, muitas vezes, efetivamente organizava o funcionamento do local, era apenas natural que ele se tornasse o patrão após o falecimento de seu chefe.

 

No entanto, é a outra possibilidade de ascensão do caixeiro nos oferece mais ferramentas para analisarmos a situação da classe. Para que um primeiro caixeiro fosse promovido a sócio de seu patrão, eram necessários muitos anos de trabalho e muita confiança mútua. Aqui, entramos em um aspecto muito caro para o funcionamento da classe caixeiral, a fidelidade. Lenira Martinho mostra a importância deste termo para a contratação de caixeiros, sendo muito comum nos anúncios de jornais estudados por ela a presença de recomendações e atestados de confiança em vagas de caixeiros tentando conseguir emprego (MARTINHO, 1993, 42). Adriano de Sousa (2018, 24) corrobora esta visão e nos ajuda a compreender a utilização desses laços como forma de controle dos patrões com seus empregados. Segundo o autor, “a fidelidade ao patrão era um elemento imprescindível ao caixeiro. Fidelidade aqui, diga‑se, tem um sentido de passividade, obediência e lealdade para com seu empregador”. Além disso, o autor afirma que, algumas vezes, a possibilidade de uma sociedade era mais arriscada do que benéfica ao caixeiro, pois muitos patrões impunham a condição de que o caixeiro recém‑promovidosó tivesse retornos financeiros quando conseguissem igualar seus capitais, o que poderia levar muitos anos, ou, ainda, que recebesse apenas os valores que foram retidos em uma poupança obrigatória durante seus anos de trabalho.

 

Guilherme Gonçalves Oliveira

Texto para a questão.

 

Em “Adriano de Sousa (2018, 24) corrobora esta visão”, a expressão “esta visão” é

  1. Aexofórica.
  2. Bendofórica anafórica.
  3. Cendofórica catafórica.
  4. Danafórica catafórica.
  5. Eexofórica anafórica.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — endofórica anafórica.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Coesão referencial: anáfora, catáfora e exófora

Gabarito: letra B. A expressão “esta visão” é endofórica anafórica, pois retoma uma informação já mencionada no texto — a visão de Lenira Martinho sobre a importância da fidelidade para a contratação de caixeiros. A pista está no próprio trecho: “Adriano de Sousa (2018, 24) corrobora esta visão”, ou seja, ele confirma algo que veio antes.

O comando da questão

A questão pede para classificar o mecanismo de coesão da expressão “esta visão”. Isso é uma questão de gramática aplicada ao texto: não basta saber a definição de anáfora, catáfora e exófora — é preciso identificar, no contexto, se o pronome demonstrativo “esta” retoma algo anterior (anáfora), antecipa algo posterior (catáfora) ou se refere a algo fora do texto (exófora). O comando é direto: “a expressão ‘esta visão’ é”. Portanto, a resposta depende exclusivamente da relação coesiva que o pronome estabelece com o restante do texto.

O texto e a localização da resposta

No 4º parágrafo, o autor escreve:

“Lenira Martinho mostra a importância deste termo para a contratação de caixeiros, sendo muito comum nos anúncios de jornais estudados por ela a presença de recomendações e atestados de confiança em vagas de caixeiros tentando conseguir emprego (MARTINHO, 1993, 42). Adriano de Sousa (2018, 24) corrobora esta visão...”

A expressão “esta visão” retoma exatamente a ideia apresentada por Lenira Martinho: a importância da fidelidade (atestados de confiança) para a contratação. O pronome demonstrativo “esta” aponta para uma informação que já foi dita — é uma remissão anafórica. Como o referente está dentro do próprio texto, a referência é endofórica (interna), e não exofórica (externa).

A técnica que decide

Para classificar corretamente, use este raciocínio:

  1. Endofórica ou exofórica? Se o referente está no texto, é endofórica. Se está fora (contexto situacional, tempo, espaço), é exofórica/dêitica. Aqui, “esta visão” remete a algo escrito no próprio parágrafo — endofórica.

  1. Anafórica ou catafórica? Se retoma algo antes, é anafórica. Se antecipa algo depois, é catafórica. “Esta visão” retoma a visão de Martinho, já mencionada — anafórica.

A combinação correta é endofórica anafórica.

Análise das alternativas

Coesão referencial
  • 1Endofórica (referente no texto)
    • Anafórica (retoma o antes)
    • Catafórica (antecipa o depois)
  • 2Exofórica (referente fora do texto)
    • Dêitica (contexto situacional)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Exofórica. Errada porque o referente de “esta visão” está dentro do texto, não fora dele. A referência exofórica ocorreria se o pronome dependesse do contexto situacional (ex.: “este texto foi escrito aqui” — “aqui” depende de onde foi escrito). Aqui, o leitor encontra o referente no próprio parágrafo.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Endofórica anafórica. Correta. O pronome “esta” retoma a informação anterior sobre a importância da fidelidade, apresentada por Lenira Martinho. É uma remissão interna (endofórica) que aponta para trás (anafórica).

Alternativa C — ❌ Incorreta

Endofórica catafórica. Errada porque a catáfora antecipa uma informação que virá adiante. “Esta visão” não antecipa nada; ela retoma o que já foi dito. Um exemplo de catáfora seria: “Esta é a verdade: o caixeiro precisava ser fiel” — aí o pronome apontaria para a informação seguinte.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Anafórica catafórica. Errada por contradição interna: um mesmo elemento não pode ser, ao mesmo tempo, anafórico (retoma o antes) e catafórico (antecipa o depois). São funções excludentes. A banca tenta confundir o candidato com uma combinação impossível.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Exofórica anafórica. Errada por contradição interna: exofórica (fora do texto) e anafórica (dentro do texto, retomando o antes) são categorias mutuamente exclusivas. O referente está no texto, logo não pode ser exofórico.

Fechamento

A regra de ouro: pergunte-se sempre “o pronome aponta para onde?”. Se aponta para dentro do texto e para trás → anafórica; se aponta para dentro e para frente → catafórica; se aponta para fora → exofórica. Nesta questão, “esta visão” aponta para trás, dentro do texto — endofórica anafórica.

Gabarito: letra B.

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