Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — FUNDATEC 2025

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
qa667644
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref Restinga Sêca
Ano
2025
Cargo
Aux Esc ( )

O abandono dos chafarizes e o que isso diz sobre Porto Alegre

Por Paulo Germano

 

 Se tem uma coisa que me irrita a ponto de querer escrever um manifesto, empunhar um megafone e liderar uma revolução em Porto Alegre, essa coisa são os chafarizes. Quer dizer: eu adoro chafarizes, o que me aborrece é a decadência a que eles foram relegados. Em que momento virou normal tanta fonte desativada? Quando passamos a aceitar essa humilhação?

 

E, por favor, antes de contestar a relevância do assunto, ou acusar de supérfluas as minhas angéstias, permita-me dizer que nada, absolutamente nada, em uma cidade pode ser mais importante do que o espaço público. E são equipamentos como chafarizes, monumentos, mirantes, coretos, canteiros, espelhos d'água, recantos e pergolados que tornam o espaço público mais atrativo. É esse tipo de detalhe que faz uma cidade interessante.

 

Ah, mas, para o povo, isso não importa nada! 

 

Claro que importa, especialmente para os mais pobres. Quem tem dinheiro pega um avião e, daqui a algumas horas, estará debruçado sobre o mármore imaculado da Fontana di Trevi, em Roma, ou enfeitiçado pelo balé cintilante da Fonte Mágica de Montjuïc, em Barcelona. Quem é pobre, não. Para o pobre, restam os encantos (ou desencantos) de passear pela própria cidade. 

 

Sinto vergonha quando vou à Redenção, o parque mais importante do Estado, e vejo aquela robusta fonte do eixo central eternamente desligada. Pertinho dela, a pouco mais de cem metros, repousa o belíssimo Chafariz Imperial, importado da França no século 19, e o coitado nunca jorra uma gota. Além de atrair visitantes e orgulhar moradores, esses ornamentos deveriam contar a nossa história. 

 

A Fonte Talavera de la Reina, por exemplo, em frente ao Paço Municipal, foi um presente da colônia espanhola, em 1935, para celebrar o centenário da Revolução Farroupilha. Ela é linda, até passou por uma reforma recente, mas, sem cumprir sua função mais básica, que é esguichar água e encantar nossos olhos, ninguém dá a mínima para ela. 

 

Também tem chafariz inativo na Praça da Alfândega, na Praça Japão, em frente ao Mercado Público, no Largo dos Açorianos, na Praça Júlio de Castilhos, na praça em frente ao Colégio Rosário. Cada fonte silenciosa é a perda de um espaço público que deveria inspirar, acolher, fazer a gente querer voltar. Porque uma cidade que não liga seus chafarizes também vai desligando sua alma.

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/paulo-germano/noticia/2024/12/o-abandono-dos-chafarizes-e-o-que-isso-diz-sobre-porto-alegre – texto adaptado especialmente para esta prova).

Considerando o exposto pelo texto, analise as assertivas a seguir: 

 

I. O autor se irrita devido à presença de chafarizes na cidade. 

 

II. O escritor considera normal os chafarizes caírem em desuso. 

 

III. O autor questiona em que momento a população e ele passaram a aceitar o vexame de terem fontes inativas na cidade. 

 

Quais estão corretas?

  1. AApenas I.
  2. BApenas II.
  3. CApenas III.
  4. DApenas I e II.
  5. EApenas II e III.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Apenas III.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Compreensão do texto sobre os chafarizes — Gabarito: letra C.

Gabarito: letra C. Apenas a assertiva III está correta, pois o autor, no primeiro parágrafo, faz exatamente o questionamento descrito: “Em que momento virou normal tanta fonte desativada? Quando passamos a aceitar essa humilhação?”. As assertivas I e II distorcem o texto: o autor adora chafarizes (não se irrita com a presença deles) e não considera normal o desuso (ele o questiona). A resposta está ancorada na leitura atenta do primeiro parágrafo e na distinção entre o que o texto afirma e o que as alternativas invertem.

O comando e o método

O enunciado pede que você analise as assertivas e marque quais estão corretas — ou seja, é uma questão de compreensão (recorrência): a resposta deve estar explícita no texto, sem deduções ou acréscimos. O caminho é simples: para cada assertiva, pergunte “onde o texto autoriza isto?”. Se não houver passagem que sustente, a assertiva está errada — mesmo que pareça plausível.

O texto e a tese

O texto é um artigo de opinião (coluna) em que o autor defende que o abandono dos chafarizes é um sintoma do descaso com o espaço público. A tese central aparece logo no início: o que o irrita não é a existência dos chafarizes, mas a decadência a que foram relegados. Essa distinção é crucial para resolver a questão.

A técnica que decide

A assertiva III é uma paráfrase fiel do primeiro parágrafo. Veja o trecho:

“Em que momento virou normal tanta fonte desativada? Quando passamos a aceitar essa humilhação?”

O autor questiona exatamente isso: em que momento a população e ele passaram a aceitar o vexame das fontes inativas. A assertiva III repete essa ideia com outras palavras — é uma reescritura correta.

Já as assertivas I e II cometem o erro clássico de inverter o sentido:

  • I diz que o autor se irrita devido à presença dos chafarizes. Mas o texto diz o oposto: “eu adoro chafarizes, o que me aborrece é a decadência a que eles foram relegados”. A irritação é com a decadência, não com a presença.

  • II diz que o autor considera normal o desuso. Mas o texto mostra o contrário: ele questiona como isso virou normal (“Em que momento virou normal...?”). Considerar normal seria aceitar passivamente; o autor está criticando essa normalização.

Análise das assertivas

Assertiva I — ❌ Incorreta

A assertiva afirma que o autor se irrita devido à presença dos chafarizes. O texto, porém, diz:

“eu adoro chafarizes, o que me aborrece é a decadência a que eles foram relegados”

O autor adora chafarizes; o que o aborrece é a decadência (o abandono, a desativação). A assertiva inverte a causa: troca “decadência” por “presença”. Erro de contradição com o texto.

Assertiva II — ❌ Incorreta

A assertiva afirma que o escritor considera normal os chafarizes caírem em desuso. O texto, porém, mostra o autor questionando essa normalidade:

“Em que momento virou normal tanta fonte desativada?”

A pergunta retórica indica estranhamento, não aceitação. Considerar normal seria não questionar; o autor está exatamente criticando o fato de isso ter se tornado normal. Erro de contradição com o texto.

Assertiva III — ✅ Correta

A assertiva afirma que o autor questiona em que momento a população e ele passaram a aceitar o vexame das fontes inativas. Isso está literalmente no texto:

“Em que momento virou normal tanta fonte desativada? Quando passamos a aceitar essa humilhação?”

A assertiva é uma paráfrase fiel: “vexame” corresponde a “humilhação”, e “passamos a aceitar” corresponde a “passamos a aceitar”. A resposta está explícita no primeiro parágrafo.

Conclusão

Apenas a assertiva III está correta, portanto o gabarito é a letra C. A lição: em questões de compreensão, não confie no que parece lógico — confie no que está escrito. Desconfie de assertivas que invertem o sentido (como I e II) e procure a paráfrase exata (como III).

PEGA ESSA DICA!

Grife as palavras-chave do texto (“adoro”, “aborrece”, “decadência”, “normal”) e compare com as assertivas. Se a assertiva trocar um termo crucial (presença × decadência; normal × questiona), ela está errada.

Gabarito: letra C

Link permanente: /questoes/qa667644