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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — FUNDATEC 2025

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
qa667874
Banca
FUNDATEC
Órgão
IF AM
Ano
2025
Cargo
Ana TI ( )

Um convite para se reencontrar

 

Por Sandra Cecília Peradelles

 

Caríssimo, este texto é sobre você. Sim, sobre sua existência, seu valor, sua essência. Um lembrete de que, antes de qualquer coisa, há um protagonista na sua história. E esse protagonista é você.

 

Existe uma linha finíssima, quase invisível, entre ser uma boa pessoa para si e ser uma boa pessoa apenas para os outros. De um lado, você se enxerga, se respeita, compreende que tem dignidade e direito a ocupar espaço no mundo. Do outro, abre mão de si, se dissolve em demandas alheias, esquece de existir enquanto serve. O brilho se apaga, a subserviência toma conta, e você se torna um vulto de si mesmo.

 

Desprezar sua própria identidade é abrir caminho para o abismo. Um passo a mais para longe de si e, de repente, você se perde. No fundo desse buraco, tudo é escuro, nem sombra há para lhe guiar. Mas, eis uma boa nova: se a escuridão for total, olhe para cima. A luz está lá. E se o chão for enlameado, que sirva ao menos para o impulso de um salto. Afinal, não há outra opção senão sair dali.

 

O curioso é que a queda é fácil. A sociedade não se cansa de oferecer empurrõezinhos.

 

Certamente, você já ouviu frases como: “seja humilde”, “ame o próximo”, “o amor é uma prisão”, “o trabalho dignifica o homem”, “família acima de tudo”. Pequenos mantras repetidos sem questionamento, talhados à exaustão no tecido social.

 

Veja bem, eu não discordo dessas sentenças de todo. Elas carregam verdades que foram moldadas por séculos. Mas me pergunto: ainda fazem sentido nos dias de hoje? Tomá-las como dogmas inquestionáveis é um convite à ansiedade. É um chamado para o descontentamento e a dependência de psicotrópicos.

 

Vamos decupar essas ideias. A quem serve um amor que é sofrimento? Que valor tem um autossacrifício que anula o próprio ser? Excesso de humildade pode transformar alguém em tapete para ser pisado. O trabalho — que sim, pode ser dignificante — não pode ser a única fonte de dignidade. A família, por sua vez, não é uma bênção inquestionável; há laços de sangue que machucam mais que qualquer estranho.

 

Não estou falando de negar o amor, o trabalho, a família. Trata-se de se colocar no centro da própria existência. De compreender que nenhuma relação deve ser baseada na anulação de um dos lados. Amar sim, mas sem se perder. Trabalhar sim, mas sem se consumir. Valorizar quem está por perto, mas sem se submeter a relações que ferem.

 

Se você não se enxerga, se não reconhece o próprio valor, você não existe. E um ser inexistente não ama de verdade, não constrói, não chega a lugar nenhum. Isso não é egoísmo. É sobrevivência.

 

Em resumo, viver exige protagonismo. Dentro do equilíbrio de ser parte de uma sociedade, é essencial construir nossas próprias regras de bem-viver. Tudo começa ao entender que somos únicos, necessários e insubstituíveis para nós mesmos. Antes de fazer algo pelo mundo, é preciso saber quem somos dentro dele.

 

(Disponível em: gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/sandra-cecilia-peradelles/noticia/

2025/02/um-convite-para-se-reencontrar.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Leia a tirinha e as asserções a seguir e analise sua relação com o texto-base da prova:

 

Imagem associada para resolução da questão

 

Fonte: conversadegentemiuda.wordpress.com/2015/11/30/empatia/

 

I. Tanto a tirinha quanto o texto abordam a importância do relacionamento consigo mesmo e com os outros.

 

CONTUDO

 

II. O texto aborda a valorização de si mesmo, e a tirinha, a empatia com os outros.

 

A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta.

  1. AAs asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma ressalva correta da I.
  2. BAs asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma ressalva correta da I.
  3. CA asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa.
  4. DA asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira.
  5. EAs asserções I e II são proposições falsas.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma ressalva correta da I.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Relação entre as asserções: ressalva ou complemento?

Gabarito: letra A. As duas asserções são verdadeiras, e a II funciona como uma ressalva correta da I: enquanto a I afirma que ambos os textos tratam da relação consigo e com os outros, a II restringe esse alcance, especificando que o texto foca na valorização de si e a tirinha na empatia com o outro. Essa relação de restrição é exatamente o que caracteriza uma ressalva.

O comando

A questão pede que você analise a relação entre duas asserções unidas pelo conectivo CONTUDO. Não basta julgar cada uma como verdadeira ou falsa: é preciso avaliar se a segunda restringe, contradiz ou apenas complementa a primeira. O conectivo CONTUDO já sinaliza uma oposição/ressalva — a II não repete a I, ela a limita.

O texto e a tirinha

O texto-base defende o protagonismo de si mesmo: "viver exige protagonismo", "se colocar no centro da própria existência". A tirinha, por sua vez, aborda a empatia — a capacidade de se colocar no lugar do outro. A asserção I está correta porque ambos tratam da relação consigo e com os outros: o texto fala de se valorizar para então se relacionar bem; a tirinha fala de compreender o outro. A asserção II está correta porque especifica o foco de cada um: o texto prioriza o autovalor, a tirinha prioriza a alteridade.

A técnica: o que é uma ressalva?

Uma ressalva é uma restrição ou salvaguarda que limita o alcance de uma afirmação anterior. No contexto da questão, a II não contradiz a I — ela a refina, mostrando que, embora ambos os textos tratem das relações, cada um tem um foco distinto. Isso é diferente de uma complementação (que adicionaria uma ideia nova sem restringir) ou de uma contradição (que negaria a I). A banca testa exatamente essa distinção.

Relação entre asserções (CONTUDO)
  • 1I: ambos tratam da relação consigo e com os outros
    • Texto: protagonismo de si
    • Tirinha: empatia com o outro
  • 2II: ressalva correta da I
    • Texto: valorização de si
    • Tirinha: alteridade
  • 3Tipos de relação
    • Ressalva: restringe o alcance
    • Contradição: nega a anterior
    • Complemento: adiciona sem limitar
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A asserção I é verdadeira: tanto o texto quanto a tirinha abordam a importância do relacionamento consigo mesmo e com os outros. O texto afirma: "viver exige protagonismo" e "se colocar no centro da própria existência", mas também valoriza "quem está por perto". A tirinha, ao tratar de empatia, aborda a relação com o outro. A asserção II é verdadeira e funciona como ressalva: o texto foca na valorização de si ("você se enxerga, se respeita"), enquanto a tirinha foca na empatia com os outros (colocar-se no lugar do próximo). A II restringe o alcance da I, especificando os focos distintos — exatamente o que caracteriza uma ressalva.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B afirma que a II não é uma ressalva correta da I. Isso está errado, pois a II restringe o alcance da I ao especificar os focos distintos de cada texto. A relação entre as asserções é de restrição, não de mera justaposição. A banca explora aqui a confusão entre ressalva (que limita) e complemento (que adiciona sem limitar).

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C afirma que a I é verdadeira e a II é falsa. Isso está errado, pois a II é verdadeira: o texto realmente aborda a valorização de si mesmo ("se colocar no centro da própria existência"), e a tirinha aborda a empatia com os outros (colocar-se no lugar do próximo). A II não é falsa — ela apenas especifica o foco de cada texto.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D afirma que a I é falsa e a II é verdadeira. Isso está errado, pois a I é verdadeira: tanto o texto quanto a tirinha abordam a importância do relacionamento consigo mesmo e com os outros. O texto fala de se valorizar para então se relacionar bem ("Amar sim, mas sem se perder"), e a tirinha fala de compreender o outro (empatia). A I não é falsa — ela é ampla, mas correta.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E afirma que ambas as asserções são falsas. Isso está errado, pois tanto a I quanto a II são verdadeiras. A I é verdadeira porque ambos os textos tratam das relações consigo e com os outros; a II é verdadeira porque especifica os focos distintos. A banca explora aqui a confusão entre amplitude (I) e especificidade (II) — ambas corretas, mas em níveis diferentes.

NÃO CAIA NESSA!

A banca testa se você sabe diferenciar ressalva (restrição) de complemento (adição). A II não contradiz a I — ela a restringe, mostrando que cada texto tem um foco distinto. Quem marca B confunde ressalva com complemento.

PEGA ESSA DICA!

Ao ver o conectivo CONTUDO, pergunte: a segunda asserção restringe, contradiz ou complementa a primeira? Se ela limita o alcance, é ressalva; se nega, é contradição; se adiciona sem limitar, é complemento.

Gabarito: letra A.

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