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Questão de Português — Pontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc) — FUNDATEC 2025

PortuguêsPontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc)
Código
qa667878
Banca
FUNDATEC
Órgão
IF AM
Ano
2025
Cargo
Ana TI ( )

Um convite para se reencontrar

 

Por Sandra Cecília Peradelles

 

Caríssimo, este texto é sobre você. Sim, sobre sua existência, seu valor, sua essência. Um lembrete de que, antes de qualquer coisa, há um protagonista na sua história. E esse protagonista é você.

 

Existe uma linha finíssima, quase invisível, entre ser uma boa pessoa para si e ser uma boa pessoa apenas para os outros. De um lado, você se enxerga, se respeita, compreende que tem dignidade e direito a ocupar espaço no mundo. Do outro, abre mão de si, se dissolve em demandas alheias, esquece de existir enquanto serve. O brilho se apaga, a subserviência toma conta, e você se torna um vulto de si mesmo.

 

Desprezar sua própria identidade é abrir caminho para o abismo. Um passo a mais para longe de si e, de repente, você se perde. No fundo desse buraco, tudo é escuro, nem sombra há para lhe guiar. Mas, eis uma boa nova: se a escuridão for total, olhe para cima. A luz está lá. E se o chão for enlameado, que sirva ao menos para o impulso de um salto. Afinal, não há outra opção senão sair dali.

 

O curioso é que a queda é fácil. A sociedade não se cansa de oferecer empurrõezinhos.

 

Certamente, você já ouviu frases como: (I)seja humilde(I), (I)ame o próximo(I), (I)o amor é uma prisão(I), (I)o trabalho dignifica o homem(I), (I)família acima de tudo(I). Pequenos mantras repetidos sem questionamento, talhados à exaustão no tecido social.

 

Veja bem, eu não discordo dessas sentenças de todo. Elas carregam verdades que foram moldadas por séculos. Mas me pergunto:(II) ainda fazem sentido nos dias de hoje? Tomá-las como dogmas inquestionáveis é um convite à ansiedade. É um chamado para o descontentamento e a dependência de psicotrópicos.

 

Vamos decupar essas ideias. A quem serve um amor que é sofrimento? Que valor tem um autossacrifício que anula o próprio ser? Excesso de humildade pode transformar alguém em tapete para ser pisado. O trabalho (III) que sim, pode ser dignificante (III) não pode ser a única fonte de dignidade. A família, por sua vez, não é uma bênção inquestionável; há laços de sangue que machucam mais que qualquer estranho.

 

Não estou falando de negar o amor, o trabalho, a família. Trata-se de se colocar no centro da própria existência. De compreender que nenhuma relação deve ser baseada na anulação de um dos lados. Amar sim, mas sem se perder. Trabalhar sim, mas sem se consumir. Valorizar quem está por perto, mas sem se submeter a relações que ferem.

 

Se você não se enxerga, se não reconhece o próprio valor, você não existe. E um ser inexistente não ama de verdade, não constrói, não chega a lugar nenhum. Isso não é egoísmo. É sobrevivência.

 

Em resumo, viver exige protagonismo. Dentro do equilíbrio de ser parte de uma sociedade, é essencial construir nossas próprias regras de bem-viver. Tudo começa ao entender que somos únicos, necessários e insubstituíveis para nós mesmos. Antes de fazer algo pelo mundo, é preciso saber quem somos dentro dele.

 

(Disponível em: gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/sandra-cecilia-peradelles/noticia/

2025/02/um-convite-para-se-reencontrar.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Considerando o emprego correto dos sinais de pontuação, analise as assertivas a seguir:

 

I. Nas linhas, o emprego das aspas se deve à marcação da citação de frases que são popularmente ditas.

 

II. Na linha, os dois pontos são empregados para introduzir o que a autora se pergunta.

 

III. Na linha, os travessões são empregados para introduzir uma fala em discurso direto.

 

Quais estão corretas?

  1. AApenas I.
  2. BApenas II.
  3. CApenas I e II.
  4. DApenas I e III.
  5. EI, II e III.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Apenas I e II.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Pontuação: aspas, dois-pontos e travessões — Gabarito: letra C.

A questão cobra o emprego correto dos sinais de pontuação no texto, e a resposta é a letra C (Apenas I e II). A assertiva I está correta porque as aspas marcam a citação de frases populares; a II está correta porque os dois-pontos introduzem a pergunta da autora; a III está errada porque os travessões, no trecho, isolam uma expressão intercalada (um comentário da autora), e não introduzem uma fala em discurso direto. A passagem que prova a III é: "O trabalho —(III) que sim, pode ser dignificante —(III) não pode ser a única fonte de dignidade."

O comando

O enunciado pede para analisar o emprego correto dos sinais de pontuação — ou seja, a função que cada sinal exerce no trecho específico. Isso é diferente de pedir "o que o texto afirma": aqui, a resposta depende de conhecer a função normativa de cada sinal (aspas, dois-pontos, travessão) e aplicá-la ao contexto. A banca não quer que você decore regras soltas, mas que reconheça a função de cada sinal no texto real.

O texto e a técnica

O texto é uma crônica argumentativa sobre a importância de se colocar no centro da própria existência. Para a questão, o que importa é localizar os trechos com os sinais e identificar sua função:

  • Aspas (I): no trecho "Certamente, você já ouviu frases como: “(I)seja humilde”(I), “(I)ame o próximo”(I), “(I)o amor é uma prisão”(I), “(I)o trabalho dignifica o homem”(I), “(I)família acima de tudo”(I)", as aspas isolam frases ditas popularmente, citadas pela autora. A função é exatamente a de marcar citação de expressões alheias — aqui, ditados e frases de senso comum. A assertiva I está correta.

  • Dois-pontos (II): no trecho "Mas me pergunto:(II) ainda fazem sentido nos dias de hoje?", os dois-pontos introduzem a pergunta que a autora faz a si mesma. A função é a de anunciar uma fala ou um questionamento — no caso, uma pergunta direta. A assertiva II está correta.

  • Travessões (III): no trecho "O trabalho —(III) que sim, pode ser dignificante —(III) não pode ser a única fonte de dignidade", os travessões isolam uma oração intercalada (um comentário da autora: "que sim, pode ser dignificante"). Eles não introduzem uma fala em discurso direto — não há diálogo, não há verbo de elocução (como "disse", "perguntou"). A função é de separar uma expressão intercalada, exatamente como fazem as vírgulas ou os parênteses. A assertiva III está errada.

A armadilha central

A banca explora a confusão entre as funções do travessão. O travessão tem dois usos principais: (1) introduzir a fala de personagens em discurso direto (ex.: "— Onde você estava?") e (2) isolar palavras ou expressões intercaladas (ex.: "Meu irmão — que mora em Lisboa — chegará amanhã"). No texto, o travessão exerce a segunda função, mas a assertiva III afirma que exerce a primeira. Quem confunde as duas cai na pegadinha.

NÃO CAIA NESSA!

A banca testa se o candidato sabe distinguir o travessão de discurso direto (que introduz fala) do travessão de intercalação (que isola um comentário). No trecho, não há fala de personagem — há um comentário da autora entre travessões.

Travessão
  • 1Discurso direto
    • Introduz fala de personagem
    • Verbo de elocução (disse, perguntou)
  • 2Intercalação
    • Isola comentário do autor
    • Pode ser retirado sem prejuízo
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que apenas a I está correta. A I está correta, mas a II também está: os dois-pontos em "Mas me pergunto:(II) ainda fazem sentido nos dias de hoje?" introduzem a pergunta da autora. A alternativa restringe o conjunto correto, deixando de fora a II.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que apenas a II está correta. A II está correta, mas a I também está: as aspas em "“seja humilde”, “ame o próximo”, “o amor é uma prisão”" marcam a citação de frases populares. A alternativa restringe o conjunto correto, deixando de fora a I.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que apenas I e II estão corretas. É exatamente o que o texto sustenta: as aspas marcam citação de frases populares (I) e os dois-pontos introduzem a pergunta da autora (II). A III está errada, pois os travessões isolam uma expressão intercalada, não uma fala em discurso direto.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que apenas I e III estão corretas. A I está correta, mas a III está errada: os travessões em "O trabalho — que sim, pode ser dignificante —" isolam um comentário da autora, não introduzem fala. A alternativa contradiz a função real do travessão no trecho.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que I, II e III estão corretas. A III está errada, como demonstrado: os travessões não introduzem discurso direto. A alternativa generaliza o uso do travessão, atribuindo-lhe uma função que ele não exerce no trecho.

PEGA ESSA DICA!

Para distinguir travessão de discurso direto e travessão de intercalação, pergunte: há um verbo de elocução (disse, perguntou, respondeu) e uma fala de personagem? Se sim, é discurso direto. Se o trecho entre travessões é um comentário do autor que poderia ser retirado sem prejuízo da estrutura, é intercalação.

Conclusão: a questão ensina que a pontuação não é decoreba — cada sinal tem função específica, e a banca testa se você reconhece essa função no contexto. As aspas marcam citação, os dois-pontos anunciam uma pergunta, e os travessões, no trecho, isolam um comentário. Gabarito: letra C.

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