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Questão de Português — Termos Acessórios (Adjunto Adnominal, Adjunto Adverbial e Aposto). Vocativo — FUNDATEC 2025

PortuguêsTermos Acessórios (Adjunto Adnominal, Adjunto Adverbial e Aposto). Vocativo
Código
qa667879
Banca
FUNDATEC
Órgão
IF AM
Ano
2025
Cargo
Ana TI ( )

Um convite para se reencontrar

 

Por Sandra Cecília Peradelles

 

Caríssimo, este texto é sobre você. Sim, sobre sua existência, seu valor, sua essência. Um lembrete de que, antes de qualquer coisa, há um protagonista na sua história. E esse protagonista é você.

 

Existe uma linha finíssima, quase invisível, entre ser uma boa pessoa para si e ser uma boa pessoa apenas para os outros. De um lado, você se enxerga, se respeita, compreende que tem dignidade e direito a ocupar espaço no mundo. Do outro, abre mão de si, se dissolve em demandas alheias, esquece de existir enquanto serve. O brilho se apaga, a subserviência toma conta, e você se torna um vulto de si mesmo.

 

Desprezar sua própria identidade é abrir caminho para o abismo. Um passo a mais para longe de si e, de repente, você se perde. No fundo desse buraco, tudo é escuro, nem sombra há para lhe guiar. Mas, eis uma boa nova: se a escuridão for total, olhe para cima. A luz está lá. E se o chão for enlameado, que sirva ao menos para o impulso de um salto. Afinal, não há outra opção senão sair dali.

 

O curioso é que a queda é fácil. A sociedade não se cansa de oferecer empurrõezinhos.

 

Certamente, você já ouviu frases como: “seja humilde”, “ame o próximo”, “o amor é uma prisão”, “o trabalho dignifica o homem”, “família acima de tudo”. Pequenos mantras repetidos sem questionamento, talhados à exaustão no tecido social.

 

Veja bem, eu não discordo dessas sentenças de todo. Elas carregam verdades que foram moldadas por séculos. Mas me pergunto: ainda fazem sentido nos dias de hoje? Tomá-las como dogmas inquestionáveis é um convite à ansiedade. É um chamado para o descontentamento e a dependência de psicotrópicos.

 

Vamos decupar essas ideias. A quem serve um amor que é sofrimento? Que valor tem um autossacrifício que anula o próprio ser? Excesso de humildade pode transformar alguém em tapete para ser pisado. O trabalho — que sim, pode ser dignificante — não pode ser a única fonte de dignidade. A família, por sua vez, não é uma bênção inquestionável; há laços de sangue que machucam mais que qualquer estranho.

 

Não estou falando de negar o amor, o trabalho, a família. Trata-se de se colocar no centro da própria existência. De compreender que nenhuma relação deve ser baseada na anulação de um dos lados. Amar sim, mas sem se perder. Trabalhar sim, mas sem se consumir. Valorizar quem está por perto, mas sem se submeter a relações que ferem.

 

Se você não se enxerga, se não reconhece o próprio valor, você não existe. E um ser inexistente não ama de verdade, não constrói, não chega a lugar nenhum. Isso não é egoísmo. É sobrevivência.

 

Em resumo, viver exige protagonismo. Dentro do equilíbrio de ser parte de uma sociedade, é essencial construir nossas próprias regras de bem-viver. Tudo começa ao entender que somos únicos, necessários e insubstituíveis para nós mesmos. Antes de fazer algo pelo mundo, é preciso saber quem somos dentro dele.

 

(Disponível em: gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/sandra-cecilia-peradelles/noticia/

2025/02/um-convite-para-se-reencontrar.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Assinale a alternativa que indica a correta função sintática do termo “Caríssimo” na linha.
  1. ASujeito.
  2. BPredicativo do sujeito.
  3. CObjeto direto.
  4. DVocativo.
  5. EComplemento nominal.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Vocativo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Função sintática de “Caríssimo” — Gabarito: letra D.

Gabarito: letra D. O termo “Caríssimo” exerce função de vocativo, pois é um chamamento ao interlocutor, isolado por vírgula e sem relação sintática com o verbo da oração. No texto, a frase inicial “Caríssimo, este texto é sobre você” mostra claramente que “Caríssimo” é um apelo ao leitor, não o sujeito nem qualquer outro termo da oração.

O comando da questão

A questão pede a função sintática do termo “Caríssimo” na linha 1. Isso é uma tarefa de análise sintática — não de interpretação de sentido, mas de classificação do termo dentro da oração. Para resolver, você precisa identificar qual papel o termo desempenha na estrutura sintática: se é essencial (sujeito, predicado), integrante (objeto, complemento) ou acessório (adjunto, aposto, vocativo).

O texto e o termo em questão

No texto, a primeira frase é:

“Caríssimo, este texto é sobre você.”

Aqui, “Caríssimo” está separado por vírgula e não se liga a nenhum verbo — ele é um chamamento ao leitor, uma forma de invocação. Isso é a marca típica do vocativo: um termo que não faz parte da estrutura sintática da oração, mas serve para evocar o interlocutor. O vocativo é um termo acessório — pode ser retirado sem prejuízo gramatical, apenas perdendo o tom de apelo.

A técnica para identificar o vocativo

O vocativo é o termo que nomeia a pessoa a quem nos dirigimos. Ele aparece isolado por vírgula (ou pausa) e não exerce função de sujeito, objeto ou predicativo. Para testar: pergunte “a quem o autor se dirige?” — a resposta é “Caríssimo”, ou seja, o leitor. Além disso, o vocativo não pode ser substituído por pronome pessoal do caso reto (ele, ela) sem alterar o sentido — se tentar “Ele, este texto é sobre você”, a frase perde o sentido de chamamento.

Análise das alternativas

Termos da oração
  • 1Essenciais
    • Sujeito
    • Predicado
  • 2Integrantes
    • Objeto direto
    • Objeto indireto
    • Complemento nominal
  • 3Acessórios
    • Adjunto adnominal
    • Adjunto adverbial
    • Aposto
    • Vocativo
      • Chamamento ao interlocutor
      • Isolado por vírgula
      • Sem relação com o verbo
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Sujeito. O sujeito é o termo sobre o qual se declara algo, e concorda com o verbo. Na frase, o sujeito de “é” é “este texto” — não “Caríssimo”. Se “Caríssimo” fosse sujeito, a frase seria algo como “Caríssimo é sobre você”, o que não faz sentido. O vocativo não exerce função de sujeito.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Predicativo do sujeito. O predicativo do sujeito é um termo que caracteriza o sujeito por meio de verbo de ligação (ex.: “Ele está cansado”). Aqui, “Caríssimo” não caracteriza “este texto” nem qualquer outro sujeito — ele é um chamamento, não uma qualidade atribuída. Além disso, não há verbo de ligação ligando “Caríssimo” a um sujeito.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Objeto direto. O objeto direto complementa um verbo transitivo direto, sem preposição. Na frase, não há verbo que exija “Caríssimo” como complemento — “Caríssimo” não é o alvo da ação verbal. O objeto direto responde “o quê?” ou “quem?” após o verbo; aqui, “Caríssimo” não responde a isso.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Vocativo. Como explicado, “Caríssimo” é um chamamento ao leitor, isolado por vírgula e sem função sintática na oração. É o vocativo, termo acessório que serve para evocar o interlocutor. O texto confirma: o autor se dirige diretamente ao leitor com “Caríssimo”, antes de afirmar que o texto é sobre ele.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Complemento nominal. O complemento nominal é um termo preposicionado que completa o sentido de um nome (substantivo abstrato, adjetivo ou advérbio), com valor passivo. “Caríssimo” não está preposicionado e não completa nenhum nome — é um chamamento, não um complemento.

Fechamento

A regra de ouro: vocativo é o termo que nomeia o interlocutor e vem isolado por vírgula, sem se ligar ao verbo. Quando a banca pedir função sintática de um termo entre vírgulas no início da frase, desconfie imediatamente de vocativo — teste se ele pode ser retirado sem quebrar a oração. Aqui, “Caríssimo” é puro chamamento: gabarito D.

PEGA ESSA DICA!

Para diferenciar vocativo de sujeito, tente substituir o termo por “você” ou “meu amigo” — se a frase continuar com sentido de apelo, é vocativo. O sujeito, por sua vez, pode ser substituído por pronome reto (ele/ela) sem perder o sentido.

Gabarito: letra D

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