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Questão de Português — Figuras de Linguagem — FUNDATEC 2025

PortuguêsFiguras de Linguagem
Código
qa667880
Banca
FUNDATEC
Órgão
IF AM
Ano
2025
Cargo
Ana TI ( )

Um convite para se reencontrar

 

Por Sandra Cecília Peradelles

 

Caríssimo, este texto é sobre você. Sim, sobre sua existência, seu valor, sua essência. Um lembrete de que, antes de qualquer coisa, há um protagonista na sua história. E esse protagonista é você.

 

Existe uma linha finíssima, quase invisível, entre ser uma boa pessoa para si e ser uma boa pessoa apenas para os outros. De um lado, você se enxerga, se respeita, compreende que tem dignidade e direito a ocupar espaço no mundo. Do outro, abre mão de si, se dissolve em demandas alheias,(a) esquece de existir enquanto serve. O brilho se apaga,(b) a subserviência toma conta, e você se torna um vulto(c) de si mesmo.

 

Desprezar sua própria identidade é abrir caminho para o abismo.(d) Um passo a mais para longe de si e, de repente, você se perde. No fundo desse buraco, tudo é escuro, nem sombra há para lhe guiar. Mas, eis uma boa nova: se a escuridão for total, olhe para cima. A luz está lá. E se o chão for enlameado, que sirva ao menos para o impulso de um salto. Afinal, não há outra opção senão sair dali.

 

O curioso é que a queda é fácil. A sociedade não se cansa de oferecer empurrõezinhos.

 

Certamente, você já ouviu frases como: “seja humilde”, “ame o próximo”, “o amor é uma prisão”, “o trabalho dignifica o homem”, “família acima de tudo”. Pequenos mantras repetidos sem questionamento, talhados à exaustão no tecido social.

 

Veja bem, eu não discordo dessas sentenças de todo. Elas carregam verdades que foram moldadas por séculos. Mas me pergunto: ainda fazem sentido nos dias de hoje?(e) Tomá-las como dogmas inquestionáveis é um convite à ansiedade. É um chamado para o descontentamento e a dependência de psicotrópicos.

 

Vamos decupar essas ideias. A quem serve um amor que é sofrimento? Que valor tem um autossacrifício que anula o próprio ser? Excesso de humildade pode transformar alguém em tapete para ser pisado. O trabalho — que sim, pode ser dignificante — não pode ser a única fonte de dignidade. A família, por sua vez, não é uma bênção inquestionável; há laços de sangue que machucam mais que qualquer estranho.

 

Não estou falando de negar o amor, o trabalho, a família. Trata-se de se colocar no centro da própria existência. De compreender que nenhuma relação deve ser baseada na anulação de um dos lados. Amar sim, mas sem se perder. Trabalhar sim, mas sem se consumir. Valorizar quem está por perto, mas sem se submeter a relações que ferem.

 

Se você não se enxerga, se não reconhece o próprio valor, você não existe. E um ser inexistente não ama de verdade, não constrói, não chega a lugar nenhum. Isso não é egoísmo. É sobrevivência.

 

Em resumo, viver exige protagonismo. Dentro do equilíbrio de ser parte de uma sociedade, é essencial construir nossas próprias regras de bem-viver. Tudo começa ao entender que somos únicos, necessários e insubstituíveis para nós mesmos. Antes de fazer algo pelo mundo, é preciso saber quem somos dentro dele.

 

(Disponível em: gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/sandra-cecilia-peradelles/noticia/

2025/02/um-convite-para-se-reencontrar.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Assinale a alternativa que apresenta um trecho retirado do texto em que NÃO se identifique a presença de metáforas.
  1. A“abre mão de si, se dissolve em demandas alheias”.
  2. B“O brilho se apaga”.
  3. C“você se torna um vulto de si mesmo”.
  4. D“é abrir caminho para o abismo”.
  5. E“ainda fazem sentido nos dias de hoje?”.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — “ainda fazem sentido nos dias de hoje?”.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Metáfora: identificação de sentido figurado — Gabarito: letra E.

Gabarito: letra E. A alternativa E é a única que não apresenta metáfora, pois a pergunta “ainda fazem sentido nos dias de hoje?” é uma indagação literal sobre a validade atual de certas frases, sem qualquer transferência de significado. As demais alternativas (A, B, C e D) contêm expressões em sentido conotativo, em que palavras são empregadas fora de seu sentido básico para criar uma comparação implícita — a essência da metáfora.

O comando pede que se assinale o trecho em que NÃO se identifique metáfora. Isso exige, primeiro, dominar o conceito: metáfora é uma comparação implícita, sem conectivo comparativo (como, tal qual, feito), em que um termo é usado em lugar de outro por uma relação de semelhança. O texto-base é rico em imagens figuradas — “se dissolve em demandas alheias”, “O brilho se apaga”, “você se torna um vulto de si mesmo”, “abrir caminho para o abismo” — todas construídas sobre essa transferência de sentido. A alternativa E, por sua vez, é uma pergunta retórica em sentido denotativo: o autor questiona se as sentenças citadas ainda são válidas, sem criar imagem alguma.

A técnica para resolver é testar cada trecho: há uma palavra ou expressão usada fora do sentido literal, criando uma imagem? Se sim, há metáfora. Se a frase pode ser entendida ao pé da letra, sem imagem, não há. A alternativa E passa no teste da literalidade: “fazer sentido” é uma expressão cristalizada que significa “ser razoável/válido”, e “nos dias de hoje” é uma locução temporal comum — nada de figurado. Já nas demais, a imagem é evidente: “dissolver-se” (perder a própria identidade como algo que se desfaz), “brilho” (vitalidade/autoestima), “vulto” (sombra, ausência de substância), “abismo” (perdição/ruína).

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre sentido figurado e expressão cristalizada. “Fazer sentido” é uma expressão idiomática tão comum que parece ter sentido figurado, mas, no contexto, é usada em sentido literal — o autor pergunta se as frases ainda são válidas, não cria imagem. As demais alternativas são metáforas claras, mas o candidato pode hesitar ao ver uma expressão do cotidiano.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar metáfora, pergunte: “essa palavra/expressão está sendo usada em seu sentido próprio ou em um sentido imaginário?”. Se houver uma imagem criada por comparação implícita, é metáfora. Se a frase é uma pergunta direta ou uma expressão comum sem imagem, não é.

1Conceito
Comparação implícita
Sem conectivo comparativo
Sentido conotativo
2Como identificar
Palavra fora do sentido literal?
Cria imagem?
Entendida ao pé da letra?
3Expressão cristalizada
"Fazer sentido"
Uso denotativo
Não é metáfora
Metáfora
LEVELsoulevel.com.br
Metáfora: Conceito (Comparação implícita, Sem conectivo comparativo, Sentido conotativo); Como identificar (Palavra fora do sentido literal?, Cria imagem?, Entendida ao pé da letra?); Expressão cristalizada ("Fazer sentido", Uso denotativo, Não é metáfora)

Alternativa A — ❌ Incorreta

“abre mão de si, se dissolve em demandas alheias”

O verbo “dissolve” é usado em sentido figurado: a pessoa não se dissolve fisicamente, mas perde a própria identidade ao se entregar às demandas dos outros. Há uma comparação implícita entre a dissolução de uma substância e o apagamento do eu. Metáfora presente.

Alternativa B — ❌ Incorreta

“O brilho se apaga”

“Brilho” não se refere a luz física, mas à vitalidade, autoestima ou essência da pessoa. “Apagar-se” sugere o fim desse brilho interior. A imagem é clara: a pessoa perde o próprio valor. Metáfora presente.

Alternativa C — ❌ Incorreta

“você se torna um vulto de si mesmo”

“Vulto” é uma imagem: a pessoa deixa de ser alguém concreto e vira uma sombra, uma figura indefinida de si mesma. A comparação implícita entre a pessoa e um vulto é típica da metáfora. Metáfora presente.

Alternativa D — ❌ Incorreta

“é abrir caminho para o abismo”

“Abismo” não é um buraco físico, mas a ruína, a perdição da identidade. “Abrir caminho” também é figurado: significa dar início a um processo de destruição. A imagem do abismo como destino é metafórica. Metáfora presente.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

“ainda fazem sentido nos dias de hoje?”

A frase é uma pergunta retórica literal: o autor questiona se as sentenças citadas (“seja humilde”, “ame o próximo” etc.) ainda são válidas e razoáveis atualmente. Não há transferência de significado, nem imagem criada. “Fazer sentido” é uma expressão cristalizada que, aqui, tem valor denotativo (ser coerente/válido). Ausência de metáfora.

Conclusão: a única alternativa sem metáfora é a letra E, pois apresenta uma indagação em sentido literal, enquanto as demais constroem imagens por comparação implícita. Gabarito: letra E.

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