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Questão de Português — Conjunção — FUNDATEC 2025

PortuguêsConjunção
Código
qa667881
Banca
FUNDATEC
Órgão
IF AM
Ano
2025
Cargo
Ana TI ( )

Um convite para se reencontrar

 

Por Sandra Cecília Peradelles

 

Caríssimo, este texto é sobre você. Sim, sobre sua existência, seu valor, sua essência. Um lembrete de que, antes de qualquer coisa, há um protagonista na sua história. E esse protagonista é você.

 

Existe uma linha finíssima, quase invisível, entre ser uma boa pessoa para si e ser uma boa pessoa apenas para os outros. De um lado, você se enxerga, se respeita, compreende que tem dignidade e direito a ocupar espaço no mundo. Do outro, abre mão de si, se dissolve em demandas alheias, esquece de existir enquanto serve. O brilho se apaga, a subserviência toma conta, e você se torna um vulto de si mesmo.

 

Desprezar sua própria identidade é abrir caminho para o abismo. Um passo a mais para longe de si e, de repente, você se perde. No fundo desse buraco, tudo é escuro, nem sombra há para lhe guiar. Mas, eis uma boa nova: se a escuridão for total, olhe para cima. A luz está lá. E se o chão for enlameado, que sirva ao menos para o impulso de um salto. Afinal, não há outra opção senão sair dali.

 

O curioso é que a queda é fácil. A sociedade não se cansa de oferecer empurrõezinhos.

 

Certamente, você já ouviu frases como: “seja humilde”, “ame o próximo”, “o amor é uma prisão”, “o trabalho dignifica o homem”, “família acima de tudo”. Pequenos mantras repetidos sem questionamento, talhados à exaustão no tecido social.

 

Veja bem, eu não discordo dessas sentenças de todo. Elas carregam verdades que foram moldadas por séculos. Mas me pergunto: ainda fazem sentido nos dias de hoje? Tomá-las como dogmas inquestionáveis é um convite à ansiedade. É um chamado para o descontentamento e a dependência de psicotrópicos.

 

Vamos decupar essas ideias. A quem serve um amor que é sofrimento? Que valor tem um autossacrifício que anula o próprio ser? Excesso de humildade pode transformar alguém em tapete para ser pisado. O trabalho — que sim, pode ser dignificante — não pode ser a única fonte de dignidade. A família, por sua vez, não é uma bênção inquestionável; há laços de sangue que machucam mais que qualquer estranho.

 

Não estou falando de negar o amor, o trabalho, a família. Trata-se de se colocar no centro da própria existência. De compreender que nenhuma relação deve ser baseada na anulação de um dos lados. Amar sim, mas sem se perder. Trabalhar sim, mas sem se consumir. Valorizar quem está por perto, mas sem se submeter a relações que ferem.

 

Se você não se enxerga, se não reconhece o próprio valor, você não existe. E um ser inexistente não ama de verdade, não constrói, não chega a lugar nenhum. Isso não é egoísmo. É sobrevivência.

 

Em resumo, viver exige protagonismo. Dentro do equilíbrio de ser parte de uma sociedade, é essencial construir nossas próprias regras de bem-viver. Tudo começa ao entender que somos únicos, necessários e insubstituíveis para nós mesmos. Antes de fazer algo pelo mundo, é preciso saber quem somos dentro dele.

 

(Disponível em: gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/sandra-cecilia-peradelles/noticia/

2025/02/um-convite-para-se-reencontrar.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Assinale a alternativa que indica o sentido correto introduzido pela palavra “Afinal”.
  1. AAlternativa.
  2. BOposição.
  3. CComparação.
  4. DConclusão.
  5. ECondição.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Conclusão.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Sentido da palavra “Afinal” no texto — Gabarito: letra D.

A palavra “Afinal” introduz, no trecho em que aparece, uma ideia de conclusão, equivalendo a “no fim das contas”, “em suma”. A alternativa D é a correta porque o conectivo retoma toda a argumentação anterior e apresenta a síntese final do raciocínio da autora, como se lê no último parágrafo do texto.

“Em resumo, viver exige protagonismo. Dentro do equilíbrio de ser parte de uma sociedade, é essencial construir nossas próprias regras de bem-viver. Tudo começa ao entender que somos únicos, necessários e insubstituíveis para nós mesmos. Antes de fazer algo pelo mundo, é preciso saber quem somos dentro dele.”

O trecho citado é a conclusão do texto: a autora retoma a tese (a necessidade de protagonismo) e fecha o raciocínio. A palavra “Afinal” cumpre exatamente esse papel de fechamento conclusivo, e não de oposição, comparação ou condição.

O comando da questão

A questão pede que se identifique o sentido introduzido pela palavra “Afinal”. Isso é uma questão de semântica do conectivo no contexto: não basta saber a classe gramatical (advérbio), é preciso perceber a relação lógica que ele estabelece entre o que veio antes e o que vem depois. O comando não pede uma definição isolada, mas o efeito de sentido no texto.

O texto e o movimento argumentativo

O texto é um convite ao autoconhecimento e ao protagonismo pessoal. A autora critica a subserviência e os “mantras” sociais que anulam o indivíduo, e defende que cada um deve se colocar no centro da própria existência. O parágrafo final é a síntese de tudo: “Em resumo, viver exige protagonismo”. A palavra “Afinal” (que aparece no parágrafo anterior, em “Afinal, não há outra opção senão sair dali”) também tem valor conclusivo: após descrever a escuridão e o abismo, a autora conclui que não há alternativa senão sair.

A técnica que decide

Para identificar o sentido de um conectivo, o método é: substitua por sinônimos e veja qual mantém o sentido. “Afinal” pode ser substituído por “no fim das contas”, “em suma”, “finalmente” — todos com valor de conclusão. Não cabe substituir por “mas” (oposição), “como” (comparação) ou “se” (condição), pois isso mudaria completamente a relação lógica do trecho.

Análise das alternativas

1Alternativa
ou... ou
ora... ora
2Oposição
mas
porém
contudo
3Comparação
como
tal qual
4Conclusão
Afinal
no fim das contas
em suma
5Condição
se
caso
Conectivos
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Conectivos: Alternativa (ou... ou, ora... ora); Oposição (mas, porém, contudo); Comparação (como, tal qual); Conclusão (Afinal, no fim das contas, em suma); Condição (se, caso)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa A diz que “Afinal” indica alternativa. Isso não se sustenta: alternativa é a relação de escolha ou alternância (ou... ou, ora... ora). No texto, “Afinal” não apresenta opções, mas fecha um raciocínio. A autora não está dizendo “ou isto, ou aquilo”; está concluindo que “não há outra opção senão sair dali”.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B diz que “Afinal” indica oposição. Oposição é a relação de contraste (mas, porém, contudo). No trecho, não há quebra de expectativa ou contradição entre as ideias; há uma conclusão a partir do que foi dito. A autora não contrapõe ideias, mas sintetiza o que já foi exposto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C diz que “Afinal” indica comparação. Comparação é a relação de semelhança ou diferença (como, tal qual, mais que). No texto, não há comparação entre elementos; há uma conclusão sobre a necessidade de sair da escuridão. A autora não está comparando, está fechando o raciocínio.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa D diz que “Afinal” indica conclusão. É exatamente o que ocorre: “Afinal, não há outra opção senão sair dali” conclui o raciocínio sobre a escuridão e o abismo. O conectivo poderia ser substituído por “no fim das contas” ou “em suma”, mantendo o sentido. A conclusão é a síntese do que foi argumentado.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E diz que “Afinal” indica condição. Condição é a relação de hipótese necessária (se, caso, desde que). No texto, não há condição; há uma conclusão. A autora não está dizendo “se isso, então aquilo”; está afirmando que, diante da escuridão, a única saída é saltar.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os valores semânticos dos conectivos. “Afinal” é um advérbio que, no contexto, tem valor conclusivo, mas muitos candidatos o confundem com outros conectivos por não substituírem por sinônimos.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar o sentido de um conectivo, substitua por sinônimos e veja qual mantém o sentido. “Afinal” = “no fim das contas” = conclusão. Se não couber “mas”, “como” ou “se”, não é oposição, comparação ou condição.

Gabarito: letra D.

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