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Questão de Português — Significação de Vocábulo e Expressões — FUNDATEC 2025

PortuguêsSignificação de Vocábulo e Expressões
Código
qa667882
Banca
FUNDATEC
Órgão
IF AM
Ano
2025
Cargo
Ana TI ( )

Um convite para se reencontrar

 

Por Sandra Cecília Peradelles

 

Caríssimo, este texto é sobre você. Sim, sobre sua existência, seu valor, sua essência. Um lembrete de que, antes de qualquer coisa, há um protagonista na sua história. E esse protagonista é você.

 

Existe uma linha finíssima, quase invisível, entre ser uma boa pessoa para si e ser uma boa pessoa apenas para os outros. De um lado, você se enxerga, se respeita, compreende que tem dignidade e direito a ocupar espaço no mundo. Do outro, abre mão de si, se dissolve em demandas alheias, esquece de existir enquanto serve. O brilho se apaga, a subserviência toma conta, e você se torna um vulto de si mesmo.

 

Desprezar sua própria identidade é abrir caminho para o abismo. Um passo a mais para longe de si e, de repente, você se perde. No fundo desse buraco, tudo é escuro, nem sombra há para lhe guiar. Mas, eis uma boa nova: se a escuridão for total, olhe para cima. A luz está lá. E se o chão for enlameado, que sirva ao menos para o impulso de um salto. Afinal, não há outra opção senão sair dali.

 

O curioso é que a queda é fácil. A sociedade não se cansa de oferecer empurrõezinhos.

 

Certamente, você já ouviu frases como: “seja humilde”, “ame o próximo”, “o amor é uma prisão”, “o trabalho dignifica o homem”, “família acima de tudo”. Pequenos mantras repetidos sem questionamento, talhados à exaustão no tecido social.

 

Veja bem, eu não discordo dessas sentenças de todo. Elas carregam verdades que foram moldadas por séculos. Mas me pergunto: ainda fazem sentido nos dias de hoje? Tomá-las como dogmas inquestionáveis é um convite à ansiedade. É um chamado para o descontentamento e a dependência de psicotrópicos.

 

Vamos decupar essas ideias. A quem serve um amor que é sofrimento? Que valor tem um autossacrifício que anula o próprio ser? Excesso de humildade pode transformar alguém em tapete para ser pisado. O trabalho — que sim, pode ser dignificante — não pode ser a única fonte de dignidade. A família, por sua vez, não é uma bênção inquestionável; há laços de sangue que machucam mais que qualquer estranho.

 

Não estou falando de negar o amor, o trabalho, a família. Trata-se de se colocar no centro da própria existência. De compreender que nenhuma relação deve ser baseada na anulação de um dos lados. Amar sim, mas sem se perder. Trabalhar sim, mas sem se consumir. Valorizar quem está por perto, mas sem se submeter a relações que ferem.

 

Se você não se enxerga, se não reconhece o próprio valor, você não existe. E um ser inexistente não ama de verdade, não constrói, não chega a lugar nenhum. Isso não é egoísmo. É sobrevivência.

 

Em resumo, viver exige protagonismo. Dentro do equilíbrio de ser parte de uma sociedade, é essencial construir nossas próprias regras de bem-viver. Tudo começa ao entender que somos únicos, necessários e insubstituíveis para nós mesmos. Antes de fazer algo pelo mundo, é preciso saber quem somos dentro dele.

 

(Disponível em: gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/sandra-cecilia-peradelles/noticia/

2025/02/um-convite-para-se-reencontrar.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Assinale a alternativa que apresenta uma palavra que possa substituir corretamente o vocábulo “dogmas” sem causar alterações significativas ao sentido do trecho em que ocorre.
  1. ADúvidas.
  2. BDoutrinas.
  3. CIncertezas.
  4. DHesitações.
  5. EContradições.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Doutrinas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Substituição de “dogmas” sem alteração de sentido — Gabarito: letra B.

A alternativa B é a correta porque “dogmas” significa “doutrinas” — princípios ou crenças estabelecidos como verdades absolutas. No trecho, o autor critica a aceitação dessas sentenças como “dogmas inquestionáveis”, ou seja, como doutrinas que não se questionam. As demais alternativas (dúvidas, incertezas, hesitações, contradições) expressam ideias opostas ou incompatíveis com o sentido de “dogma”.

O comando pede uma substituição sem alteração significativa de sentido — isso é uma questão de sinonímia contextual. Você não precisa apenas saber o significado isolado da palavra, mas verificar se a troca mantém o sentido no contexto específico em que ela ocorre. A palavra “dogma” aparece no seguinte trecho:

“Tomá-las como dogmas inquestionáveis é um convite à ansiedade.”

Aqui, “dogmas” refere-se às frases citadas anteriormente (“seja humilde”, “ame o próximo”, etc.), que são apresentadas como verdades absolutas que a sociedade repete sem questionar. O autor critica essa postura de aceitá-las sem reflexão. Portanto, “dogmas” tem o sentido de princípios doutrinários — algo que se aceita como verdade inquestionável.

A técnica para resolver é simples: substitua mentalmente a palavra por cada alternativa e veja se o sentido permanece. Se trocar “dogmas” por “dúvidas”, o trecho ficaria “Tomá-las como dúvidas inquestionáveis” — isso é um contrassenso, pois dúvida não é algo que se aceita como verdade. O mesmo ocorre com “incertezas”, “hesitações” e “contradições”. Apenas “doutrinas” mantém a ideia de conjunto de princípios que podem ser aceitos ou questionados.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o sentido de “dogma” (doutrina, princípio) e os sentidos de “dúvida”, “incerteza”, “hesitação” e “contradição”, que são antônimos ou ideias opostas no contexto. A palavra “dogma” carrega a ideia de certeza absoluta, enquanto as distratoras trazem a ideia de falta de certeza.

Alternativa A — ❌ Incorreta

“Dúvidas” é o oposto de “dogma”. Um dogma é uma verdade inquestionável; uma dúvida é justamente a ausência de certeza. No trecho, “dogmas inquestionáveis” não poderia ser substituído por “dúvidas inquestionáveis” — isso seria um contrassenso. A alternativa inverte o sentido (erro de troca_conceito).

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

“Doutrinas” é sinônimo de “dogmas” no sentido de princípios ou crenças estabelecidos como verdades. No trecho, o autor critica a aceitação dessas sentenças como “dogmas inquestionáveis”, ou seja, como doutrinas que não se questionam. A substituição mantém o sentido: “Tomá-las como doutrinas inquestionáveis” preserva a ideia de conjunto de princípios aceitos sem reflexão.

Alternativa C — ❌ Incorreta

“Incertezas” também é antônimo de “dogma”. Um dogma é uma certeza; uma incerteza é a falta dela. A substituição geraria “incertezas inquestionáveis”, o que é logicamente impossível. A alternativa contradiz o sentido do texto (erro de contradiz_texto).

Alternativa D — ❌ Incorreta

“Hesitações” refere-se a dúvidas ou indecisões, algo oposto à firmeza de um dogma. No contexto, “dogmas inquestionáveis” não pode ser substituído por “hesitações inquestionáveis” — a ideia de hesitação é incompatível com a de verdade absoluta. A alternativa troca o conceito (erro de troca_conceito).

Alternativa E — ❌ Incorreta

“Contradições” são oposições ou incoerências, enquanto dogmas são princípios coerentes para quem os aceita. A substituição geraria “contradições inquestionáveis”, o que não faz sentido no contexto. A alternativa extrapola o sentido, pois o texto não fala de contradições, mas de verdades absolutas (erro de fora_do_escopo).

PEGA ESSA DICA!

Em questões de sinonímia, teste a substituição no próprio trecho e veja se o sentido permanece lógico. Desconfie de palavras que são antônimas do termo original — a banca adora colocar opostos como distratores.

Gabarito: letra B.

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