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Questão de Português — Conjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais — Quadrix 2025

PortuguêsConjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais
Código
qa668131
Banca
Quadrix
Órgão
CFBIO
Ano
2025
Cargo
Ag Adm ( )

Pesquisas recentes têm mostrado que os povos indígenas tiveram papel fundamental na formação da biodiversidade encontrada na América do Sul. Muitas plantas surgiram como produto de técnicas indígenas de manejo da floresta, como a castanheira, a pupunha, o cacau, o babaçu, a mandioca e a araucária. A castanha‑do‑pará e a araucária, por exemplo, teriam sido distribuídas por uma grande área pelos povos indígenas antes da ocupação europeia no continente.


O manejo desses povos sobre a biodiversidade foi essencial para a formação de diferentes paisagens no Brasil, seja na Amazônia, no Cerrado, no Pampa, na Mata Atlântica, na Caatinga, seja no Pantanal. Os povos indígenas sempre usaram os recursos naturais sem colocar em risco os ecossistemas. Suas formas de manejo têm‑se mostrado muito importantes para a conservação da biodiversidade no Brasil, como a transformação do solo pobre da Amazônia em um tipo muito fértil, a terra preta de índio. Estima‑se que pelo menos 12% da superfície total do solo amazônico teve suas características transformadas nesse processo.


No Sul do Brasil, por exemplo, a terra indígena Mangueirinha ajuda a conservar uma das últimas florestas de araucária nativas do mundo, e, no sul da Bahia, os Pataxó da terra indígena Barra Velha ajudam a proteger uma das áreas remanescentes de maior biodiversidade da Mata Atlântica. Na Amazônia, maior bioma brasileiro, enquanto 20% da floresta já foi desmatada nos últimos 40 anos, juntas as terras indígenas perderam apenas 1,2% de suas florestas originais, segundo dados do Projeto Mapbiomas (2023).


E não é só para a conservação das florestas que os povos indígenas e seus territórios são importantes. Em um momento em que cientistas chamam a atenção para o declínio da biodiversidade e da diversidade de plantas cultivadas, os povos indígenas são os guardiões fiéis da agrobiodiversidade. O sistema agrícola dos índios na região do Alto Rio Negro é um grande centro de diversidade de plantas cultivadas, tendo sido reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) como patrimônio cultural do Brasil.


A lista dos produtos dessa agrobiodiversidade é bastante extensa e a presença de muitos alimentos hoje nas mesas brasileiras, como a do açaí, do amendoim, de diversas espécies de batata e de pimentas, assim como uma grande quantidade de sementes de milho e feijão, entre outras, deve‑se aos sistemas agrícolas dos povos indígenas.


A importância das terras indígenas para a conservação da biodiversidade forçou a formulação de um marco legal para promover a gestão ambiental dos territórios indígenas, por meio da Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI). Hoje, a grande luta dos povos indígenas é para que as leis derivadas do reconhecimento dessa importância sejam cumpridas, para a garantia de que de suas terras estejam livres de invasores e em condições ambientais que lhes permitam viver de acordo com suas tradições.

 

Internet: <terrasindigenas.org.br> (com adaptações).

Texto para o item.


No que se refere a aspectos linguísticos do texto, julgue o item seguinte.


O emprego do futuro do pretérito no terceiro período do primeiro parágrafo denota uma ideia com base em uma hipótese, uma possibilidade.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Futuro do pretérito: valor de hipótese e possibilidade

Gabarito: Certo (C). O futuro do pretérito empregado no terceiro período do primeiro parágrafo — “teriam sido distribuídas” — denota, sim, uma ideia baseada em hipótese/possibilidade, e não um fato consumado. A forma verbal “teriam” (futuro do pretérito do verbo ter, em locução com o particípio “distribuídas”) expressa uma suposição sobre o passado, exatamente o valor semântico que a assertiva descreve. A passagem que ancora a resposta está no próprio texto:

“A castanha‑do‑pará e a araucária, por exemplo, teriam sido distribuídas por uma grande área pelos povos indígenas antes da ocupação europeia no continente.”

O verbo “teriam” não afirma categoricamente que a distribuição ocorreu; ele a apresenta como uma conclusão provável baseada em pesquisas, ou seja, uma hipótese. É esse o valor clássico do futuro do pretérito: indicar um fato provável, duvidoso ou hipotético, sobretudo quando o falante não quer (ou não pode) afirmar com certeza.

O comando da questão

O enunciado pede um julgamento (Certo/Errado) sobre uma afirmação metalinguística: o item afirma que o emprego do futuro do pretérito, naquele trecho específico, denota hipótese/possibilidade. Não se trata de interpretar o conteúdo do texto, mas de reconhecer o valor semântico de um tempo verbal no contexto em que aparece. A tarefa é, portanto, de gramática aplicada ao texto: identificar a forma verbal, classificá-la e verificar se o sentido que ela carrega corresponde ao que a assertiva descreve.

O texto e o trecho decisivo

O primeiro parágrafo apresenta uma tese — os povos indígenas tiveram papel fundamental na formação da biodiversidade — e a sustenta com exemplos e dados. O terceiro período traz um exemplo específico:

“A castanha‑do‑pará e a araucária, por exemplo, teriam sido distribuídas por uma grande área pelos povos indígenas antes da ocupação europeia no continente.”

A locução verbal “teriam sido distribuídas” é formada pelo verbo auxiliar ter no futuro do pretérito do indicativo (teriam) + particípio do verbo distribuir (distribuídas). O auxiliar carrega a marca de tempo e modo: -ria é a desinência característica do futuro do pretérito. É essa forma que confere ao enunciado o valor de probabilidade, e não de certeza.

A regra: o que o futuro do pretérito expressa

O futuro do pretérito (terminação -ria) é um tempo do modo indicativo que, na norma culta, pode expressar:

  1. Fato futuro em relação a um fato passado — ex.: “Ele disse que viajaria no dia seguinte.”

  2. Hipótese, possibilidade, incerteza — ex.: “Seria possível mudar o mundo?”; “O jogador teria sido vendido.” (o chamado “condicional de rumor”, típico do jornalismo).

  3. Cortesia/pedido educado — ex.: “Você poderia me ajudar?”

  4. Consequência de uma condição não realizada — ex.: “Se eu tivesse dinheiro, compraria a casa.”

No trecho do texto, o valor é claramente o nº 2: o autor não afirma que a distribuição ocorreu de fato; ele a apresenta como uma suposição baseada em pesquisas. A forma “teriam sido distribuídas” equivale a “é provável que tenham sido distribuídas” ou “supõe-se que foram distribuídas”.

Por que a assertiva está correta

A assertiva diz exatamente isso: “O emprego do futuro do pretérito no terceiro período do primeiro parágrafo denota uma ideia com base em uma hipótese, uma possibilidade.”

  • Hipótese: o autor levanta uma possibilidade, não um fato consumado.

  • Possibilidade: a ação de distribuir é apresentada como provável, não como certa.

O verbo “teriam” é a pista linguística que materializa essa modalização. Se o autor quisesse afirmar com certeza, usaria o pretérito perfeito (“foram distribuídas”) ou o presente (“são distribuídas”). Ao optar pelo futuro do pretérito, ele sinaliza dúvida, suposição — exatamente o que a assertiva descreve.

  1. 1Fato futuro em relação ao passado
  2. 2Hipótese, possibilidade, incerteza
  3. 3Cortesia / pedido educado
  4. 4Consequência de condição não realizada
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Alternativa Errada (E)

A alternativa “Errado” seria correta apenas se o futuro do pretérito, no trecho, tivesse outro valor — por exemplo, se expressasse certeza ou fato consumado. Mas não é o caso. O texto usa “teriam sido distribuídas” justamente para não afirmar a distribuição como fato, e sim como hipótese. Portanto, a alternativa E contradiz o valor semântico da forma verbal e o próprio contexto, que fala em “pesquisas recentes têm mostrado” — ou seja, conhecimento provável, não absoluto.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta fazer o candidato achar que o futuro do pretérito, por estar no modo indicativo, expressa certeza. Mas o indicativo não é sinônimo de “fato real”: o futuro do pretérito, mesmo no indicativo, é um tempo modalizador, usado justamente para hipóteses e possibilidades.

PEGA ESSA DICA!

Ao julgar itens sobre tempos verbais, pergunte: “o autor afirma com certeza ou apenas supõe?”. Se houver dúvida, probabilidade, rumor, o futuro do pretérito (ou o futuro do presente em contextos de incerteza) é a forma típica. Desconfie de qualquer alternativa que negue esse valor sem ancoragem no texto.

Conclusão: o futuro do pretérito “teriam sido distribuídas” expressa hipótese/possibilidade, exatamente como afirma o item. Logo, o gabarito é Certo (C).

Gabarito: Certo (C).

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