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Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — Quadrix 2025

PortuguêsReescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
qa668142
Banca
Quadrix
Órgão
CFBIO
Ano
2025
Cargo
Ag Adm ( )

Pesquisas recentes têm mostrado que os povos indígenas tiveram papel fundamental na formação da biodiversidade encontrada na América do Sul. Muitas plantas surgiram como produto de técnicas indígenas de manejo da floresta, como a castanheira, a pupunha, o cacau, o babaçu, a mandioca e a araucária. A castanha‑do‑pará e a araucária, por exemplo, teriam sido distribuídas por uma grande área pelos povos indígenas antes da ocupação europeia no continente.


O manejo desses povos sobre a biodiversidade foi essencial para a formação de diferentes paisagens no Brasil, seja na Amazônia, no Cerrado, no Pampa, na Mata Atlântica, na Caatinga, seja no Pantanal. Os povos indígenas sempre usaram os recursos naturais sem colocar em risco os ecossistemas. Suas formas de manejo têm‑se mostrado muito importantes para a conservação da biodiversidade no Brasil, como a transformação do solo pobre da Amazônia em um tipo muito fértil, a terra preta de índio. Estima‑se que pelo menos 12% da superfície total do solo amazônico teve suas características transformadas nesse processo.


No Sul do Brasil, por exemplo, a terra indígena Mangueirinha ajuda a conservar uma das últimas florestas de araucária nativas do mundo, e, no sul da Bahia, os Pataxó da terra indígena Barra Velha ajudam a proteger uma das áreas remanescentes de maior biodiversidade da Mata Atlântica. Na Amazônia, maior bioma brasileiro, enquanto 20% da floresta já foi desmatada nos últimos 40 anos, juntas as terras indígenas perderam apenas 1,2% de suas florestas originais, segundo dados do Projeto Mapbiomas (2023).


E não é só para a conservação das florestas que os povos indígenas e seus territórios são importantes. Em um momento em que cientistas chamam a atenção para o declínio da biodiversidade e da diversidade de plantas cultivadas, os povos indígenas são os guardiões fiéis da agrobiodiversidade. O sistema agrícola dos índios na região do Alto Rio Negro é um grande centro de diversidade de plantas cultivadas, tendo sido reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) como patrimônio cultural do Brasil.


A lista dos produtos dessa agrobiodiversidade é bastante extensa e a presença de muitos alimentos hoje nas mesas brasileiras, como a do açaí, do amendoim, de diversas espécies de batata e de pimentas, assim como uma grande quantidade de sementes de milho e feijão, entre outras, deve‑se aos sistemas agrícolas dos povos indígenas.


A importância das terras indígenas para a conservação da biodiversidade forçou a formulação de um marco legal para promover a gestão ambiental dos territórios indígenas, por meio da Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI). Hoje, a grande luta dos povos indígenas é para que as leis derivadas do reconhecimento dessa importância sejam cumpridas, para a garantia de que de suas terras estejam livres de invasores e em condições ambientais que lhes permitam viver de acordo com suas tradições.

 

Internet: <terrasindigenas.org.br> (com adaptações).

Texto para o item.


No que se refere à correção e à coerência da proposta de reescrita para cada um dos trechos retirados do texto, julgue o item seguinte.


“Estima‑se que pelo menos 12% da superfície total do solo amazônico teve suas características transformadas nesse processo.” Estima‑se que, nesse processo, as características de pelo menos 12% da superfície total do solo amazônico tenham sido transformadas.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reescrita de frase: voz passiva e manutenção de sentido

Gabarito: Certo (C). A reescrita proposta está correta e coerente com o trecho original: ela preserva integralmente o sentido, apenas converte a voz passiva sintética (“Estima‑se que … teve suas características transformadas”) em voz passiva analítica (“tenham sido transformadas”), com a devida adequação do tempo verbal e da concordância. A passagem que ancora a resposta é o próprio trecho citado no enunciado, e a reescrita não acrescenta, suprime ou distorce nenhuma informação.

O comando

A questão pede que você julgue se a reescrita de um trecho do texto está correta (gramaticalmente) e coerente (mantém o sentido). Isso é diferente de uma questão de interpretação pura: aqui o foco está na reescritura — você deve comparar a versão original com a proposta e verificar se houve:

  • manutenção do sentido (nada foi acrescentado, omitido ou invertido);

  • correção gramatical (concordância, regência, tempo verbal, voz verbal);

  • coerência (a nova redação continua lógica e bem articulada).

O trecho original e a reescrita

“Estima‑se que pelo menos 12% da superfície total do solo amazônico teve suas características transformadas nesse processo.”

“Estima‑se que, nesse processo, as características de pelo menos 12% da superfície total do solo amazônico tenham sido transformadas.”

Observe as mudanças:

  1. Voz passiva sintética → analítica: no original, “teve suas características transformadas” é uma construção com verbo “ter” + particípio, que equivale a uma passiva. Na reescrita, vira “tenham sido transformadas” — passiva analítica clássica (verbo ser + particípio). O sentido é o mesmo: as características foram transformadas.

  1. Tempo verbal: o original usa “teve” (pretérito perfeito do indicativo). A reescrita usa “tenham sido” (pretérito perfeito do subjuntivo). Isso é adequado porque a oração é subordinada substantiva objetiva direta introduzida por “que”, e o verbo “estima‑se” (presente do indicativo) pede, na norma culta, o subjuntivo na subordinada. A mudança de tempo não altera o sentido — apenas ajusta a forma ao contexto sintático.

  1. Concordância: o sujeito é “as características de pelo menos 12% da superfície total do solo amazônico” — núcleo “características” (plural). Na reescrita, o verbo “tenham” concorda corretamente no plural. No original, “teve” concorda com “12%” (que, por ser porcentagem, admite concordância com o numeral ou com o substantivo que o segue — aqui, “superfície”, singular). Ambas as formas são aceitas pela norma culta, e a reescrita optou pela concordância com o núcleo do sujeito composto, o que é igualmente correto.

  1. Ordem dos termos: a reescrita desloca “nesse processo” para logo após “que”, e coloca o sujeito depois do verbo. Isso não prejudica a clareza nem a coerência — é uma inversão estilística permitida.

A técnica que decide

Para julgar uma reescrita, faça três perguntas:

  • O sentido mudou? Compare termo a termo: “pelo menos 12%” continua lá; “superfície total do solo amazônico” continua lá; “características transformadas” continua lá; “nesse processo” continua lá. Nada foi perdido ou acrescentado.

  • A gramática está correta? A concordância verbal está adequada (“tenham” com “características”), o tempo verbal está adequado ao contexto (subjuntivo após “estima‑se que”), e a voz passiva analítica está bem formada.

  • A coerência foi mantida? A relação lógica entre “processo” e “transformação das características” permanece intacta.

Como as três respostas são positivas, a reescrita é correta.

Por que não há pegadinha

A banca não armou uma armadilha clássica (como trocar um termo por um sinônimo que muda o sentido, ou inverter a relação de causa e consequência). A reescrita é uma paráfrase fiel — apenas muda a estrutura sintática, mantendo o conteúdo proposicional. Por isso, a resposta é Certo.

Conclusão

A reescrita está correta e coerente: preserva o sentido original, emprega corretamente a voz passiva analítica e mantém a concordância e o tempo verbal adequados. Gabarito: Certo (C).

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