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Questão de Português — Sujeito — FUNDATEC 2025

PortuguêsSujeito
Código
qa668193
Banca
FUNDATEC
Órgão
BM RS
Ano
2025
Cargo
Sold ( )

Quando da tragédia brotam heróis e lições

Por Oscar Bessi

 

Ninguém seria capaz de imaginar tudo o que viveríamos naqueles dias, há exatamente um ano. O maio de 2024 ficará para sempre na memória de todos os gaúchos – e muito além de nós. O ímpeto implacável das águas, a fúria imbatível da natureza, o pavor incrédulo nas retinas. O caos, tão incontrolável quanto pavorosamente banal, numa calamidade desgovernada de assombrosas surpresas. Notícias trágicas em série, impensáveis, parecendo sair de um filme de ficção sobre o apocalipse. Cenas de desespero e dor. O ruir repentino de tudo o que julgávamos inatingível até então. Construções e pontes desabando feito frágeis castelos de cartas. Rios mudando seus cursos e devorando cidades. Morros e florestas vindo abaixo como se derretessem. Histórias e memórias e conquistas sendo apagadas como se fossem nada e nunca. Dias de medo. Dias de mortes. Dias de horror.

 

Mas eis que, da tragédia e das lágrimas que inundam tudo sob ferozes águas barrentas, surgem almas. Braços. Barcos, abraços e corações. Surge a entrega de heróis anônimos, que brotam em abundância de um sentimento de solidariedade jamais visto. Seres humanos iluminados que largam suas vidas para se dedicar às ações de solidariedade e resgate. Os integrantes das forças de segurança pública de todo o estado, mesmo as centenas afetadas em suas casas e suas vidas pela tragédia, se lançam à missão de salvar vidas. Todas as vidas. E proteger patrimônios. Porque, infelizmente, algumas mentes podres aproveitaram o momento de desespero para roubar e depredar, para cometer violências tão absurdas que uma legislação específica deveria punir, mas de forma exemplar e irrecorrível, por ser esta uma crueldade monstruosa: aproveitar-se e explorar a fragilidade e a dor dos seus semelhantes em meio ao caos.

 

Forças de segurança de outros estados vieram em peso ajudar os nossos. Civis, em grupos ou isoladamente, de todo o Brasil e até do exterior largaram tudo e vieram se engajar na missão de salvar vidas e proteger cidadanias. Cargas de doações incontáveis venceram estradas destruídas e chegaram onde houvesse alguém precisando. A tragédia nos ensinava que a natureza jamais se submete ao homem e pode se rebelar quando bem entender. Mas nos ensinava também que nós, humanos, ainda temos um belíssimo lado bom, que sabe ser solidário e resiliente. Que sabe ter extrema garra, coragem e bravura irmanadas a uma gigantesca e afetuosa dedicação ao próximo. Que sabe renunciar a tudo o que é seu apenas para que o outro possa aliviar a sua dor e sorrir. A tragédia nos arrancou pontes, levou casas e plantações, tirou vidas de entes queridos. Mas também fez florescer, no exemplo daqueles dias fatídicos, um jardim de heroísmo, amor e solidariedade jamais vistos.

 

(Disponível em: correiodopovo.com.br/blogs/oscarbessi – texto adaptado especialmente para esta prova).

Assinale a alternativa que classifica corretamente o sujeito da forma verbal “aproveitaram” no trecho a seguir, retirado do texto-base:   “[...] algumas mentes podres aproveitaram o momento de desespero para roubar e depredar”.
  1. AA forma verbal não tem sujeito.
  2. BIndeterminado.
  3. COculto.
  4. DComposto.
  5. ESimples.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Simples.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Classificação do sujeito de “aproveitaram” — Gabarito: letra E.

Gabarito: letra E. A forma verbal “aproveitaram” tem sujeito simples, pois o núcleo do sujeito é um só: o substantivo “mentes”, na expressão “algumas mentes podres”. O trecho do texto-base é claro: “[...] algumas mentes podres aproveitaram o momento de desespero para roubar e depredar”. O sujeito está explícito e determinado; não há indeterminação, nem sujeito oculto, nem ausência de sujeito, nem pluralidade de núcleos.

O comando

A questão pede a classificação do sujeito de um verbo específico dentro de um trecho do texto. Isso é gramática aplicada ao texto: você não precisa interpretar o sentido global, mas identificar a função sintática do termo que pratica a ação verbal. O verbo é “aproveitaram” (3ª pessoa do plural, pretérito perfeito do indicativo). A pergunta é: quem aproveitou? A resposta está no próprio trecho: “algumas mentes podres”.

O texto e a localização da resposta

No 2º parágrafo, o autor critica aqueles que se aproveitaram da tragédia para cometer crimes. O trecho exato é:

“[...] algumas mentes podres aproveitaram o momento de desespero para roubar e depredar”

Aqui, o sujeito de “aproveitaram” é “algumas mentes podres”. Para classificar, basta achar o núcleo — a palavra principal do sujeito, que concorda com o verbo. O núcleo é “mentes” (substantivo). “Algumas” e “podres” são adjuntos adnominais (determinam e caracterizam o núcleo). Como há um único núcleo, o sujeito é simples.

A técnica que decide

  • Sujeito simples: um núcleo. Ex.: “O menino estuda.” (núcleo: menino)

  • Sujeito composto: dois ou mais núcleos. Ex.: “O menino e a menina estudam.” (núcleos: menino, menina)

  • Sujeito oculto/desinencial: não está explícito, mas é identificado pela desinência verbal ou pelo contexto. Ex.: “Estudamos muito.” (sujeito: nós)

  • Sujeito indeterminado: não se pode identificar o agente. Ex.: “Falaram de você.” (quem falou? não se sabe)

  • Oração sem sujeito: verbo impessoal (fenômenos da natureza, haver/fazer com tempo, etc.). Ex.: “Choveu.”

No trecho, o sujeito está explícito e determinado: “algumas mentes podres”. Não há como confundir com indeterminado, pois o agente é nomeado. Não é oculto, pois está escrito. Não é composto, pois há só um núcleo. E há sujeito, pois o verbo é transitivo direto com agente claro.

Análise das alternativas

1Simples
Um núcleo
Ex.: "O menino estuda"
2Composto
Dois ou mais núcleos
Ex.: "Menino e menina estudam"
3Oculto/desinencial
Não escrito, mas identificável
Ex.: "Estudamos muito"
4Indeterminado
Agente não identificável
Ex.: "Falaram de você"
5Oração sem sujeito
Verbo impessoal
Ex.: "Choveu"
Sujeito
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Sujeito: Simples (Um núcleo, Ex.: "O menino estuda"); Composto (Dois ou mais núcleos, Ex.: "Menino e menina estudam"); Oculto/desinencial (Não escrito, mas identificável, Ex.: "Estudamos muito"); Indeterminado (Agente não identificável, Ex.: "Falaram de você"); Oração sem sujeito (Verbo impessoal, Ex.: "Choveu")

Alternativa A — ❌ Incorreta

A forma verbal tem sujeito. O verbo “aproveitaram” é transitivo direto e exige um agente, que está explícito: “algumas mentes podres”. Oração sem sujeito só ocorre com verbos impessoais (chover, haver no sentido de existir, fazer indicando tempo), o que não é o caso. Erro: contradiz o texto — o sujeito está claramente presente.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Sujeito indeterminado ocorre quando não se pode identificar o agente (verbo na 3ª pessoa do plural sem referência, ou com “se” + VTI/VI). Aqui o agente é perfeitamente identificável: “algumas mentes podres”. Não há indeterminação. Erro: troca de conceito — confunde sujeito explícito com indeterminado.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Sujeito oculto (ou desinencial) é aquele que não aparece escrito, mas é recuperado pela desinência verbal ou pelo contexto. No trecho, o sujeito está escrito: “algumas mentes podres”. Portanto, não é oculto. Erro: troca de conceito — o sujeito está explícito, não implícito.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Sujeito composto exige dois ou mais núcleos. Em “algumas mentes podres”, o núcleo é apenas um: “mentes”. “Algumas” e “podres” são adjuntos adnominais, não núcleos. Não há coordenação de núcleos (não há “e”, “ou”, vírgula entre substantivos). Erro: generalização indevida — a banca tenta fazer você achar que, por ser uma expressão longa, o sujeito é composto.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O sujeito é simples porque tem um único núcleo: “mentes”. O verbo “aproveitaram” concorda com esse núcleo (3ª pessoa do plural). A presença de adjuntos adnominais (“algumas”, “podres”) não altera a classificação. Como se vê no trecho: “algumas mentes podres aproveitaram”.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre sujeito simples e composto. Uma expressão longa com vários adjuntos adnominais pode parecer composta, mas o que importa é o núcleo. Pergunte: quantos núcleos (substantivos principais) há? Se for um, é simples.

PEGA ESSA DICA!

Para classificar o sujeito, isole o verbo e pergunte “quem?”. A resposta é o sujeito. Depois, ache o núcleo (a palavra mais importante, geralmente um substantivo). Se houver um núcleo → simples; dois ou mais → composto.

Conclusão: a única alternativa inteiramente correta é a letra E, pois “algumas mentes podres” é sujeito simples, com núcleo “mentes”. As demais ou negam a existência do sujeito, ou o classificam erroneamente como indeterminado, oculto ou composto.

Gabarito: letra E

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