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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — Quadrix 2025

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
qa668195
Banca
Quadrix
Órgão
CFBIO
Ano
2025
Cargo
Ana Des ( )

Os vírus podem ser encontrados em todos os ambientes do mundo natural: em ebulição na água do mar, flutuando pela atmosfera e à espreita em minúsculos grãos de areia. Geralmente considerados seres não vivos, esses patógenos só conseguem se replicar com a ajuda de um hospedeiro e são capazes de sequestrar organismos de todos os ramos da árvore da vida — inclusive uma infinidade de células humanas.


Existem cerca de dez nonilhões de vírus (10 elevado a 31) em nosso planeta — o suficiente para atribuir um a cada estrela do universo 100 milhões de vezes. Na maioria das vezes, entretanto, nossa espécie consegue viver relativamente livre de doenças neste mundo repleto de vírus. O motivo tem menos a ver com a resiliência do corpo humano às doenças do que com as peculiaridades biológicas dos vírus, explica Sara Sawyer, virologista e ecologista de doenças da Universidade do Colorado, em Boulder. Esses patógenos são extremamente exigentes quanto às células que infectam, e apenas uma ínfima fração dos vírus que nos cercam representa realmente uma ameaça.


Ainda assim, conforme claramente demonstrado pela pandemia de covid‑19, surtos de novos vírus que afetam os humanos de fato acontecem — e eles não são tão inesperados quanto podem parecer.


Para obter previsões melhores e evitar surtos de doenças, os cientistas estão estudando as características que podem explicar por que alguns vírus, e não outros, são capazes de infectar humanos. Alguns sofrem mutações com mais frequência, talvez facilitando sua disseminação para novos hospedeiros, enquanto outros surgem após interações entre humanos e animais, que dão aos vírus oportunidade de se deslocarem entre espécies.


Quando se trata de epidemias, “padrões podem ser realmente observados”, afirma Raina Plowright, ecologista de doenças da Universidade Estadual de Montana. “E esses padrões são previsíveis.”


A maioria das novas doenças infecciosas atinge a população humana da mesma forma que a covid‑19: como uma zoonose, ou uma doença que infecta pessoas por meio de um animal. Acredita‑se que somente os mamíferos e as aves hospedem cerca de 1,7 milhão de vírus não descobertos — um número que incentivou cientistas de todo o mundo a pesquisar a vida selvagem da Terra em busca da causa da próxima pandemia que poderia atingir nossa espécie.


Bactérias, fungos e parasitas também podem ser transmitidos de animais para pessoas, mas esses patógenos geralmente se reproduzem sem infectar hospedeiros. Para qualquer hospedeiro, “existe um número muito pequeno de patógenos capazes de invadir suas células; a grande maioria dos vírus que encontramos simplesmente se afasta de nossas células, saindo de nossos corpos após uma visita inofensiva”, explica Sawyer.

 

Internet: <nationalgeographicbrasil.com> (com adaptações).

Texto para o item.

 

Quanto às ideias originais do texto, julgue o item a seguir.


O texto caracteriza‑se como dissertativo‑expositivo e, nele, são apresentados dados numéricos e declarações de especialistas que comprovam o impacto devastador dos vírus no sistema imunológico humano após as interações entre pessoas e animais.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Tipologia e conteúdo: dissertativo-expositivo e a extrapolação do item

Gabarito: letra E (Errado). O item acerta ao classificar o texto como dissertativo-expositivo, mas erra ao afirmar que os dados e declarações "comprovam o impacto devastador dos vírus no sistema imunológico humano após as interações entre pessoas e animais". Essa segunda parte extrapola o texto: em nenhum momento se fala em "impacto devastador" nem em "sistema imunológico humano". O texto, na verdade, diz o oposto — que a maioria dos vírus é inofensiva e que apenas uma fração ínfima representa ameaça.

O comando

A questão pede para julgar o item "quanto às ideias originais do texto". Isso é uma tarefa de compreensão (recorrência): a resposta deve estar explícita ou diretamente sustentada pelo texto. Não se trata de inferir algo novo, mas de verificar se o que o item afirma corresponde ao que o autor escreveu. Qualquer acréscimo de informação que não esteja no texto torna o item errado.

O texto

O texto é uma dissertação expositiva: apresenta informações sobre vírus de forma objetiva, com dados numéricos ("dez nonilhões de vírus", "1,7 milhão de vírus não descobertos") e declarações de especialistas (Sara Sawyer, Raina Plowright). O objetivo é informar, não convencer. A tese central é que, apesar da enorme quantidade de vírus, poucos representam ameaça real aos humanos — como se lê no 2º parágrafo:

"Esses patógenos são extremamente exigentes quanto às células que infectam, e apenas uma ínfima fração dos vírus que nos cercam representa realmente uma ameaça."

O texto também menciona que surtos como o da covid-19 acontecem, mas não os descreve como "devastadores" nem fala em "sistema imunológico humano". A palavra "devastador" carrega um juízo de valor que o autor não emite; o texto é neutro e expositivo.

A técnica que decide

A armadilha central é a extrapolação com opinião embutida. O item pega elementos reais do texto (dados numéricos, declarações de especialistas, interações entre humanos e animais) e os costura com uma conclusão que não está no texto: o "impacto devastador" e o "sistema imunológico humano". Nenhuma dessas expressões aparece. O texto fala em "ameaça", "doenças", "surtos", mas não quantifica nem qualifica o impacto como "devastador".

Além disso, o texto afirma que a maioria dos vírus é inofensiva:

"a grande maioria dos vírus que encontramos simplesmente se afasta de nossas células, saindo de nossos corpos após uma visita inofensiva"

Isso contradiz diretamente a ideia de um "impacto devastador" generalizado. O item, portanto, contradiz o texto ao mesmo tempo que extrapola.

Análise do item

Item: "dissertativo-expositivo + impacto devastador"
  • 11ª parte: tipologia
    • Dissertativo-expositivo (correto)
  • 22ª parte: conteúdo
    • Extrapola o texto
      • "Impacto devastador" não aparece
      • "Sistema imunológico humano" não aparece
      • Texto diz o oposto: maioria dos vírus é inofensiva
  • 3Conclusão
    • Item errado (basta uma parte falsa)
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Item — ❌ Errado ⟵ GABARITO

O item tem duas partes:

  1. "O texto caracteriza-se como dissertativo-expositivo"correto. O texto expõe informações sobre vírus de forma impessoal, com dados e citações, sem defender uma tese ou tentar persuadir. Isso é típico da dissertação expositiva.

  1. "...e, nele, são apresentados dados numéricos e declarações de especialistas que comprovam o impacto devastador dos vírus no sistema imunológico humano após as interações entre pessoas e animais"errado. O texto apresenta dados e declarações, mas eles não comprovam um "impacto devastador". Pelo contrário, o texto enfatiza que a maioria dos vírus é inofensiva. Além disso, "sistema imunológico humano" é um termo que não aparece; o texto fala em "células humanas" e "hospedeiros", mas não aborda o sistema imunológico especificamente.

Como o item contém uma parte falsa, ele é errado como um todo. Em questões de certo/errado, basta um fragmento incompatível para tornar o item incorreto.

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura a classificação correta (dissertativo-expositivo) com uma afirmação sobre o conteúdo que extrapola o texto. O candidato que concorda com a tipologia pode acabar aceitando a segunda parte sem verificar se ela está no texto.

PEGA ESSA DICA!

Em itens de certo/errado, teste cada afirmação separadamente. Se uma parte estiver errada, o item inteiro é errado. Desconfie de palavras como "devastador", "sempre", "nunca" — elas costumam sinalizar extrapolação ou generalização indevida.

Conclusão: o item é errado porque, embora a tipologia esteja correta, a afirmação sobre o "impacto devastador" e o "sistema imunológico humano" não encontra respaldo no texto — é uma extrapolação que contradiz a ideia central de que a maioria dos vírus é inofensiva.

Gabarito: letra E (Errado).

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