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Questão de Português — Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc) — Quadrix 2025

PortuguêsCoerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Código
qa668235
Banca
Quadrix
Órgão
CRM MG
Ano
2025
Cargo
Ana DPC ( )

Considere o texto para responder a questão seguinte

 

A inteligência artificial (IA) passou a ocupar uma posição de destaque na sociedade, despertando o interesse da população em suas mais diversas aplicações. Essa tecnologia, que vem evoluindo rapidamente, está impactando não apenas a vida cotidiana, mas também a prática da medicina de maneira significativa. Um estudo realizado pela Microsoft mostrou que 79% das organizações de saúde reportam usar IA, ou seja, a tendência virou prática. Com isso, a integração da IA na área médica está transformando todas as etapas da assistência à saúde, da triagem inicial até o acompanhamento pós‑consulta, e levantando debates sobre sua implantação.

 

De início, pode‑se pensar que o uso da IA se restringe a aplicações muito complexas no ambiente da saúde. Entretanto, já é possível criar novas práticas a partir de movimentos simples. Essa tecnologia é capaz de analisar dados médicos, históricos e fatores de risco para prever possíveis diagnósticos, permitindo que pacientes em situação de risco recebam tratamento precoce, o que é particularmente relevante em condições crônicas de saúde.

 

Durante a consulta médica, por exemplo, a IA constitui uma ferramenta valiosa para melhorar a tomada de decisões clínicas. Existem soluções de inteligência artificial que, ao analisarem sintomas e exames, oferecem sugestões de hipóteses diagnósticas e opções de tratamento. Essas ferramentas reduzem os “pontos cegos” do raciocínio clínico, oferecendo suporte adicional para que o médico explore todas as possibilidades com mais segurança. O uso de prontuários eletrônicos inteligentes também otimiza essa etapa pois permite que os profissionais revisem prescrições médicas com mais precisão, o que reduz a margem de erro em dosagens e interações medicamentosas.

 

Como toda nova tecnologia, a IA causa estranheza e é preciso desmistificá‑la, torná‑la prática e simples para o médico. Guias criados por médicos para médicos oferecem um passo a passo valioso para os profissionais com pouco ou nenhum contato com a tecnologia. Ensinam desde como baixar os chatbots até como redigir os melhores comandos para a obtenção de informações mais precisas.

 

A IA aplicada à saúde não se restringe aos médicos. Após a consulta, no dia a dia prático dos pacientes, a IA pode atuar como um assistente virtual, oferecendo suporte contínuo. Ela pode responder a dúvidas frequentes sobre medicação, esclarecer cuidados pós‑tratamento e monitorar a recuperação, garantindo que o paciente receba orientações precisas sem a necessidade de visitas adicionais ao consultório. Além disso, sistemas de IA estão sendo desenvolvidos para fazer o acompanhamento automatizado de pacientes com doenças crônicas, oferecendo lembretes sobre horários de medicação e consultas.

 

A IA também desempenha um papel fundamental em tarefas administrativas, que consomem grande parte do tempo dos médicos. Ela pode ajudar a gerar laudos e relatórios médicos mais rapidamente, resumir exames complexos e fornecer explicações em termos acessíveis para o paciente. Ao aliviar a carga de trabalho dos médicos, essas inovações permitem que eles dediquem mais tempo à interação com o paciente e menos tempo a atividades burocráticas.

 

Sob o ponto de vista ético, é importante que os profissionais de saúde estejam capacitados para interpretar corretamente os dados fornecidos pela IA e saber quando confiar na tecnologia e quando confiar em sua experiência clínica, pois a IA pode fornecer informações incorretas, chamadas de “alucinações”, que podem levar a erros de diagnóstico ou tratamento. Por isso, é importante que os médicos estejam aptos a utilizar a solução de IA como parceira de trabalho, como uma tecnologia auxiliar, e não como protagonista das decisões médicas.

 

Internet: <www.exame.com> (com adaptações).

Com o emprego do elemento de coesão “Com isso”, o autor do texto reporta‑se
  1. Aao fato de a maioria das organizações de saúde fazerem uso da IA.
  2. Bao impacto da evolução da IA na vida cotidiana.
  3. Cao interesse da população nas mais diversas aplicações da IA.
  4. Dà necessidade de debate acerca da implantação da IA nas organizações de saúde.
  5. Eà importância de estudos como o realizado pela Microsoft.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — ao fato de a maioria das organizações de saúde fazerem uso da IA.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Coesão sequencial: o referente do conectivo “Com isso”

Gabarito: letra A. O conectivo “Com isso” retoma, anaforicamente, a informação imediatamente anterior: o fato de 79% das organizações de saúde reportarem usar IA, ou seja, a tendência ter virado prática. A alternativa A é a única que parafraseia exatamente esse dado, como se lê no 1º parágrafo: “Um estudo realizado pela Microsoft mostrou que 79% das organizações de saúde reportam usar IA, ou seja, a tendência virou prática. Com isso, a integração da IA na área médica está transformando todas as etapas da assistência à saúde”.

O comando pede que você identifique a que o elemento coesivo se reporta — uma tarefa típica de coesão sequencial/anafórica. “Com isso” é um conectivo que estabelece uma relação de consequência entre o que foi dito antes e o que vem depois: a integração da IA na medicina é apresentada como decorrência do uso já disseminado da tecnologia pelas organizações de saúde. Para acertar, é preciso rastrear o referente do pronome demonstrativo “isso”, que está na oração anterior.

A técnica é simples: o pronome “isso” retoma a ideia mais próxima, não a ideia geral do parágrafo. Muitas alternativas erradas apelam para temas amplos do texto (impacto na vida cotidiana, interesse da população, necessidade de debate), mas o conectivo, pela posição em que está, só pode remeter ao dado estatístico que o antecede imediatamente. Guarde isso: em coesão, o referente é o termo que está mais próximo do pronome, a menos que haja uma pista explícita em contrário.

Vamos entender por que cada alternativa falha ou acerta, sempre ancorando no texto.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa A parafraseia com precisão o referente de “Com isso”. No texto:

“Um estudo realizado pela Microsoft mostrou que 79% das organizações de saúde reportam usar IA, ou seja, a tendência virou prática. Com isso, a integração da IA na área médica está transformando todas as etapas da assistência à saúde.”

O pronome “isso” retoma a oração anterior inteira: “79% das organizações de saúde reportam usar IA”. A alternativa A diz “ao fato de a maioria das organizações de saúde fazerem uso da IA” — exatamente isso, com “maioria” substituindo “79%”. É uma paráfrase fiel, sem acréscimo ou restrição. Por isso, é a correta.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B afirma que “Com isso” se reporta “ao impacto da evolução da IA na vida cotidiana”. O texto menciona esse impacto no início do 1º parágrafo: “Essa tecnologia, que vem evoluindo rapidamente, está impactando não apenas a vida cotidiana, mas também a prática da medicina”. Porém, o conectivo “Com isso” não retoma essa ideia — ele vem depois do dado estatístico e se liga a ele. A alternativa B tangencia o tema: fala de algo que está no texto, mas não é o referente do pronome. Erro: fuga ao referente imediato.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C diz que “Com isso” se reporta “ao interesse da população nas mais diversas aplicações da IA”. O texto abre com “A inteligência artificial (IA) passou a ocupar uma posição de destaque na sociedade, despertando o interesse da população em suas mais diversas aplicações”. Novamente, é uma ideia do parágrafo, mas não é a que antecede o conectivo. O pronome “isso” não pode saltar por cima do dado da Microsoft para buscar uma informação mais distante. Erro: extrapolação do alcance do pronome.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D afirma que “Com isso” se reporta “à necessidade de debate acerca da implantação da IA nas organizações de saúde”. O texto, no final do 1º parágrafo, menciona que a integração da IA “está transformando todas as etapas da assistência à saúde, da triagem inicial até o acompanhamento pós‑consulta, e levantando debates sobre sua implantação”. Mas essa menção vem depois do “Com isso”, não antes. O conectivo retoma o que veio antes, não o que vem depois. Erro: inversão da direção da anáfora (confunde anáfora com catáfora).

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E diz que “Com isso” se reporta “à importância de estudos como o realizado pela Microsoft”. O estudo é citado como fonte do dado, mas o pronome “isso” não se refere ao estudo em si — refere-se ao resultado do estudo (a porcentagem de organizações que usam IA). A alternativa E troca o referente: aponta para o instrumento (o estudo) em vez do fato que ele revelou. Erro: troca de referente.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a tendência de escolher uma ideia ampla do parágrafo (impacto, interesse, debate) em vez do referente imediato do pronome. O pronome “isso” é traiçoeiro: ele retoma a oração anterior mais próxima, não o tema geral.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar o referente de um pronome demonstrativo, volte uma oração e pergunte: “o que exatamente foi dito antes?”. Se houver mais de uma informação, a mais próxima vence.

Conclusão: a única alternativa que se ancora no trecho exato que antecede “Com isso” é a letra A. As demais ou se afastam do referente imediato (B, C), ou invertem a direção da retomada (D), ou trocam o referente (E).

Gabarito: letra A

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