Questão de Português — Figuras de Linguagem — Avança SP 2025
- Código
- qa668463
- Banca
- Avança SP
- Órgão
- Pref Caconde
- Ano
- 2025
- Cargo
- Ajud ( )

- ASinestesia
- BComparação
- CMetáfora
- DCatacrese
- EMetonímia

GabaritoB — Comparação
Gabarito: letra B. A figura de linguagem verificada no primeiro e no terceiro quadrinhos é a Comparação (ou Símile), pois neles há uma relação de semelhança explícita, marcada por um conectivo comparativo (como "como", "tal qual", "feito", "que nem"). A banca pede que você identifique a figura que ocorre nos dois quadrinhos — e a única que se sustenta em ambos é a comparação, porque a metáfora (letra C) é uma comparação implícita, sem conectivo, o que não é o caso do primeiro quadrinho.
O enunciado pede a figura de linguagem "verificada no primeiro e no terceiro quadrinhos". Isso muda a resolução: você não pode escolher uma figura que apareça em apenas um deles. A resposta precisa ser comum aos dois. A tirinha, gênero textual que mistura linguagem verbal e não verbal, costuma explorar o humor a partir de quebras de expectativa — e, aqui, a figura de linguagem é o recurso que cria o efeito cômico.
No primeiro quadrinho, a personagem estabelece uma comparação explícita entre dois elementos, usando um conectivo comparativo (como "como", "tal qual", "feito", "que nem"). No terceiro quadrinho, a mesma estrutura se repete: novamente há um termo comparativo ligando dois elementos. A presença do conectivo é a pista decisiva — é ela que diferencia a comparação da metáfora.
A distinção central desta questão é entre comparação (símile) e metáfora:
Critério | Comparação (Símile) | Metáfora |
|---|---|---|
Conectivo | Presente (como, tal qual, feito, que nem, assim como) | Ausente (comparação implícita) |
Efeito | Semelhança explícita entre dois termos | Substituição de um termo por outro, com base em uma semelhança subentendida |
Exemplo | "Seus olhos brilham como estrelas." | "Ele é um leão no trabalho." (não há "como") |
A catacrese (letra D) é uma metáfora cristalizada pelo uso cotidiano, como "braço da cadeira" ou "pé da mesa" — não há criação de imagem nova, apenas uso consagrado. A sinestesia (letra A) mistura sensações de sentidos diferentes ("perfume doce e quente"). A metonímia (letra E) substitui um termo por outro com relação de proximidade lógica ("Li Machado de Assis" = a obra pelo autor). Nenhuma dessas se aplica aos quadrinhos, que apresentam comparação explícita.
Teste cada alternativa perguntando: há um conectivo comparativo explícito no primeiro e no terceiro quadrinhos? Se sim, é comparação. Se não houvesse conectivo, seria metáfora. A presença do termo comparativo é o critério que separa a letra B (correta) da letra C (distratora clássica).
Sinestesia é a mistura de sensações de sentidos diferentes (visão, audição, tato, olfato, paladar) em uma mesma expressão, como "um perfume doce e quente". Nos quadrinhos, não há associação de sensações de canais sensoriais distintos — há uma comparação entre elementos. A alternativa tangencia o tema das figuras de linguagem, mas não corresponde ao recurso usado.
A Comparação (ou Símile) é a figura que estabelece uma relação de semelhança explícita entre dois termos, marcada por um conectivo comparativo (como, tal qual, feito, que nem, assim como). No primeiro e no terceiro quadrinhos, a personagem usa exatamente esse recurso: aproxima dois elementos por meio de um termo comparativo, criando a imagem que sustenta o humor da tirinha. A presença do conectivo é a prova textual de que se trata de comparação, e não de metáfora.
A Metáfora é uma comparação implícita, sem conectivo — "Ele é um leão" (não "como um leão"). Se nos quadrinhos houvesse apenas a aproximação direta entre os termos, sem o conectivo comparativo, a metáfora seria a resposta. Mas, como há o termo comparativo explícito, a figura é a comparação. A alternativa confunde os dois conceitos, que são vizinhos — a banca aposta exatamente nessa confusão.
A Catacrese é uma metáfora cristalizada pelo uso cotidiano, em que já não percebemos o sentido figurado: "braço da cadeira", "pé da mesa", "asa da xícara". Não há, nos quadrinhos, nenhum termo usado por falta de palavra específica, nem expressão fossilizada. A alternativa extrapola o conceito, aplicando uma figura de linguagem que não se verifica no texto.
A Metonímia substitui um termo por outro com base em uma relação de proximidade lógica (parte pelo todo, autor pela obra, marca pelo produto). Exemplo: "Várias pernas passavam por ali" (= pessoas). Nos quadrinhos, não há substituição por relação de contiguidade — há comparação explícita. A alternativa foge ao escopo do recurso utilizado.
Ao identificar figuras de linguagem, procure primeiro o conectivo comparativo (como, tal qual, feito, que nem). Se ele estiver presente, é comparação; se estiver ausente, é metáfora. Essa é a distinção que a banca mais cobra.
Gabarito: letra B.
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