Questão de Português — Outras Questões de Semântica — FUNDATEC 2025
- Código
- qa668547
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- PREVIROSA
- Ano
- 2025
- Cargo
- Cont ( )
Nuvens de mosquitos podem agir como redes de neurônios
Por Osame Kinouchi e Guilherme Roncaratti Galanti
Como os mosquitos formam aqueles intrigantes enxames ao entardecer. Uma pesquisa conduzida pela equipe do Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão em Neuromatemática (NeuroMat), da Universidade de São Paulo (USP), mostra que cada mosquito ajusta sua posição com base na proximidade entre seus vizinhos. Com simulações computacionais, foi possível formar enxames similares aos naturais usando um modelo simples.
Alguns modelos assumem que os mosquitos são atraídos por um ponto central, como se estivessem ligados a uma mola invisível. Mas essa perspectiva talvez possa ser relacionada aos casos das nuvens de insetos formadas em volta de lâmpadas, que não se aplicam ao fenômeno de aglomeração natural analisado aqui. Outra hipótese presume ainda que o mosquito consegue calcular a distância entre ele e o centro da nuvem. A última possibilidade baseia-se na densidade de mosquitos presentes numa nuvem, avaliando o comportamento coletivo desses insetos. Assim, além de desafiar hipóteses tradicionais, os resultados ampliam a compreensão sobre as aplicações biológicas de conceitos da Física.
No estudo, publicado na revista Brazilian Journal of Physics, usou-se o conceito de vizinhança de Moore — uma abordagem comum em modelos computacionais, que permite simular o espaçamento entre os insetos numa nuvem. O teste original consiste em usar a informação de posição dos oito vizinhos mais próximos, num plano imaginário de nove pontos. Para uma abordagem tridimensional, calculamos o equivalente a um cubo de 3x3x3, ou seja, 26 vizinhos próximos a um mosquito central. Essa divisão do espaço em grades baseia-se num conceito conhecido como discretização. Algo que não é necessário ou realista, mas suficiente para demonstrar a ideia de que os mosquitos não precisam de informação de longa distância para se auto-organizar em enxames. Cada mosquito ajusta sua posição com base na densidade do local, ou seja, no número de vizinhos próximos ocupados. Essa abordagem simples, mas robusta, reproduziu com precisão a formação e dispersão dos enxames, revelando padrões surpreendentes.
Embora o estudo tenha avançado na compreensão teórica sobre o comportamento coletivo de mosquitos, ainda restam perguntas intrigantes: como os insetos detectam a densidade local e coordenam suas ações durante a transição? Esses mistérios continuam a fascinar e reforçam a importância de explorar fenômenos do cotidiano para entender leis universais da natureza. Acredita-se que esse trabalho contribui para ampliar o alcance das ciências matemáticas e escalas.
(Disponível em: www.super.abril.com.br/ciencia/nuvens-
de-mosquitos-podem-agir-como-redes-de-neuroniose- tomar-decisoes-coletivas/ – texto adaptado especialmente para esta prova).

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