Questão de Português — Tipologia e Gênero Textual — FUNDATEC 2025
Português›Tipologia e Gênero Textual
Código
qa668549
Banca
FUNDATEC
Órgão
PREVIROSA
Ano
2025
Cargo
Cont ( )
Para responder à questão, considere a charge abaixo.
Fonte: Quino (2021).
Considerando a charge anterior, quanto à diferença entre gêneros textuais, fato e opinião, intencionalidade discursiva e efeitos de sentido, assinale a alternativa correta.
AA charge apresenta dados estatísticos sobre o desemprego, caracterizando-se como um texto informativo e objetivo, sem espaço para opiniões ou críticas.
BAo usar o trocadilho com o termo “indicador de desemprego”, a charge expressa uma crítica social de forma implícita, utilizando o humor para provocar reflexão sobre a situação do desemprego.
CO principal objetivo da charge é informar o leitor sobre as causas do desemprego, sem recorrer a recursos de linguagem figurada ou ironia.
DDiferentemente do texto jornalístico, a charge não permite identificar opiniões ou críticas, pois se limita a relatar fatos de maneira neutra.
EA intencionalidade discursiva da charge é convencer o leitor a adotar uma posição política específica, utilizando argumentos lógicos e dados concretos.
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GabaritoB — Ao usar o trocadilho com o termo “indicador de desemprego”, a charge expressa uma crítica social de forma implícita, utilizando o humor para provocar reflexão sobre a situação do desemprego.
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Charge de Quino: crítica social implícita e humor — Gabarito: letra B.
A alternativa B é a correta porque descreve com precisão o funcionamento da charge: o trocadilho com “indicador de desemprego” constrói uma crítica social implícita, usando o humor para provocar reflexão. A charge, como gênero textual, é essencialmente opinativa e irônica — jamais neutra ou meramente informativa. As demais alternativas ou extrapolam (inventam dados estatísticos), ou contradizem a natureza do gênero (afirmam que a charge é neutra), ou tangenciam o texto (falam de convencer com argumentos lógicos, o que não ocorre).
Desenvolvimento
1. O comando: a questão pede que você analise a charge considerando gêneros textuais, fato vs. opinião, intencionalidade discursiva e efeitos de sentido. Isso significa que você deve identificar o propósito comunicativo do texto (criticar, ironizar, provocar reflexão) e reconhecer os recursos expressivos usados (trocadilho, humor, ironia). Não se trata de compreensão literal, mas de interpretação — você precisa inferir a crítica que está nas entrelinhas.
2. O texto: a charge de Quino mostra uma pessoa segurando uma placa com os dizeres “indicador de desemprego”. O trocadilho está no duplo sentido: “indicador” pode ser tanto um índice estatístico (como os noticiários econômicos) quanto uma pessoa que indica/aponta (o próprio personagem, que aponta para si mesmo como desempregado). O humor nasce dessa ambiguidade, e a crítica é clara: o desemprego não é apenas um número, mas uma realidade humana — a pessoa vira o próprio “indicador” da crise. A charge não informa dados, não defende tese com argumentos lógicos; ela ridiculariza a frieza dos índices e provoca reflexão sobre o sofrimento real por trás das estatísticas.
3. A técnica que decide: a chave é entender o gênero charge. A charge é um gênero textual opinativo e humorístico, que usa ironia, sátira e trocadilhos para criticar questões sociais, políticas ou econômicas. Diferente da notícia (que busca objetividade), a charge é subjetiva e engajada. Portanto, qualquer alternativa que diga que a charge é “informativa”, “neutra” ou “sem opinião” está contradizendo a própria natureza do gênero. Além disso, a crítica é implícita — não está dita diretamente, mas pressuposta pelo trocadilho. O leitor precisa inferir o sentido.
4. O gancho: ao testar cada alternativa, pergunte: o texto autoriza esta afirmação, ou ela exige acrescentar algo de fora? A correta é a única que se sustenta integralmente no que a charge mostra e no que o gênero charge significa.
Charge (gênero textual): Natureza (Opinativa, Irônica, Humorística); Recursos (Trocadilho, Ironia, Sátira); Objetivo (Crítica social implícita, Provocar reflexão); O que NÃO é (Neutra, Meramente informativa, Sem opinião)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Erro: extrapolação. A alternativa afirma que a charge “apresenta dados estatísticos sobre o desemprego” e é “informativa e objetiva, sem espaço para opiniões ou críticas”. Nada disso está na charge: ela não traz números, gráficos ou estatísticas — apenas o trocadilho verbal. Além disso, a charge é um gênero opinativo, não informativo. A banca tenta fazer você acreditar que a charge é um texto jornalístico objetivo, mas isso contradiz o gênero.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa descreve exatamente o mecanismo da charge. O trocadilho com “indicador de desemprego” (que pode ser lido como índice estatístico ou como a pessoa que indica) cria uma crítica social implícita: o personagem, ao se apresentar como “indicador”, denuncia que o desemprego não é só número, é gente. O humor (o trocadilho) serve para provocar reflexão sobre a situação. Isso está ancorado no texto — a placa e a figura do personagem são a evidência. A crítica não é dita, mas pressuposta pelo jogo de palavras.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erro: contradiz o texto. A alternativa diz que o objetivo é “informar o leitor sobre as causas do desemprego, sem recorrer a recursos de linguagem figurada ou ironia”. A charge não informa causas — ela faz uma crítica por meio de trocadilho (que é linguagem figurada) e ironia. Afirmar que não há ironia é contradizer o próprio texto, que é construído sobre o humor irônico.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erro: contradiz o texto. A alternativa afirma que a charge “não permite identificar opiniões ou críticas, pois se limita a relatar fatos de maneira neutra”. Isso é o oposto do que a charge faz: ela é essencialmente opinativa e crítica. A charge não relata fatos — ela comenta a realidade de forma irônica. A banca tenta confundir charge com notícia, mas são gêneros distintos.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erro: extrapolação. A alternativa diz que a intencionalidade é “convencer o leitor a adotar uma posição política específica, utilizando argumentos lógicos e dados concretos”. A charge não apresenta argumentos lógicos nem dados — ela usa humor e ironia. Além disso, a crítica é social, não partidária; não há defesa de uma posição política específica. A alternativa extrapola ao atribuir à charge uma intenção que ela não tem.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre charge (gênero opinativo e irônico) e texto jornalístico informativo. Cuidado com alternativas que dizem que a charge é “neutra”, “informativa” ou “sem opinião” — isso contradiz o gênero.
PEGA ESSA DICA!
Ao analisar uma charge, pergunte: qual é a crítica que ela faz? Qual recurso (trocadilho, ironia, exagero) é usado? A charge nunca é neutra — ela sempre tem uma opinião.
Conclusão: a única alternativa que se sustenta no texto é a B, pois reconhece o trocadilho, a crítica implícita e o papel do humor. As demais ou extrapolam (inventam dados, intenções políticas) ou contradizem a natureza do gênero charge. Gabarito: letra B.