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Questão de Português — Termos Integrantes (Objeto Direto e Indireto, Complemento Nominal e Agente da Passiva) — Avança SP 2025

PortuguêsTermos Integrantes (Objeto Direto e Indireto, Complemento Nominal e Agente da Passiva)
Código
qa668562
Banca
Avança SP
Órgão
FUSAM
Ano
2025
Cargo
Cont ( )

O homem rouco

 

Deus sabe o que andei falando por aí; coisa boa não há de ter sido, pois Ele me tirou a voz.

 

Ela sempre foi embrulhada e confusa; a mim próprio muitas vezes parecia monótona e enjoada, que dirá aos outros. Mas era, afinal de contas, a voz de uma pessoa, e bem ou mal eu podia dizer ao mendigo “não tenho trocado”, ao homem parado na esquina, “o senhor pode ter a gentileza de me dar fogo”, e ao garçom, “por favor, mais um pedaço de gelo”. Dizia certamente outras coisas e numa delas me perdi. Fiquei vários dias afônico e, hoje, me comunico e lamento com uma voz de túnel, roufenha, intermitente e infame.

 

Ora, naturalmente que me trato. Deram-me várias pastilhas horríveis e um especialista me receitou uma injeção e uma inalação que cheguei a fazer uma vez e me aborreceu pelo seu desagradável jeito de vício secreto ou de rito religioso oriental. Uma leitora me receitou pelo telefone chá de pitangueira, laranja da terra e eucalipto, tudo isso agravado por um dente de alho bem moído.

 

Não farei essas coisas. Vejo-me à noite, no recolhimento do lar, tomando esse chá dos tempos coloniais e me sinto velho e triste de cortar o coração.

 

Alguém me disse que se trata de rouquidão nervosa, o que me deixa desconfiado de mim mesmo. Terei muitos complexos? Precisamente quantos? Feios, graves? Por que me atacaram a garganta e não, por exemplo, o joelho? Ou quem sabe que havia alguma coisa que eu queria dizer e não podia, não devia, não ousava, estrangulado de timidez, e então engoli a voz?

 

Quando era criança, agora me lembro, passei um ano gago porque fui com outros moleques gritar “Capitão Banana” diante da tenda de um velho que vendia frutas, e ele estava escondido no escuro e me varejou um balde d’água em cima. Naturalmente devo contar essa história a um psicanalista. Mas então ele começará a me escarafunchar a pobre alma e isso não vale a pena. Respeitemos a morna paz desse brejo noturno onde fermentam coisas estranhas e se movem monstros informes e insensatos.

 

Afinal, posso aguentar isso, sou um rapaz direito, bem comportado, talvez até bom partido para uma senhorita da classe média que não faça questão da beleza física, mas sim da moral, modéstia à parte.

 

O remédio é falar menos e escrever mais, antes que os complexos me paralisem os dedos, pobres dedos, triste mão que... Mas, francamente, página de jornal não é lugar para a gente falar essas coisas.

 

Eu vos direi, senhora, apenas, que a voz é feia e roufenha, mas o sentimento é límpido, é cristalino, puro – e vosso.

 

BRAGA, R. O homem rouco. 3ª ed., Record, 1984. Disponível em <https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/13137/o-homem-rouco>.

Leia o texto a seguir para responder a questão abaixo.   Em todas as sentenças a seguir, a expressão em destaque desempenha a mesma função, qualificando o nome a que se refere, exceto em:
  1. A“página de jornal não é lugar para a gente falar essas coisas”.
  2. B“Uma leitora me receitou pelo telefone chá de pitangueira”.
  3. C“por favor, mais um pedaço de gelo”.
  4. D“tudo isso agravado por um dente de alho bem moído”.
  5. E“Alguém me disse que se trata de rouquidão nervosa”.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — “Alguém me disse que se trata de rouquidão nervosa”.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Função Sintática de Expressões Preposicionadas: Adjunto Adnominal × Complemento Nominal

Gabarito: letra E. A única alternativa em que a expressão destacada não qualifica o nome a que se refere é a E, pois em “rouquidão nervosa” o termo “nervosa” é um adjetivo, não uma locução adjetiva preposicionada. Nas demais, as expressões “de jornal”, “de pitangueira”, “de gelo” e “de alho” são locuções adjetivas que funcionam como adjunto adnominal, qualificando os substantivos “página”, “chá”, “pedaço” e “dente”. A questão pede a exceção, e a única que foge ao padrão é a E.

O comando é claro: “a expressão em destaque desempenha a mesma função, qualificando o nome a que se refere, exceto em”. Isso significa que devemos identificar, entre as cinco, aquela em que o termo destacado não é um adjunto adnominal (locução adjetiva) — ou seja, não atribui qualidade ao substantivo. A banca testa o conhecimento da diferença entre adjunto adnominal (termo acessório que caracteriza o substantivo, com valor ativo ou possessivo) e complemento nominal (termo integrante que completa o sentido de um nome abstrato, com valor passivo).

No texto, todas as expressões destacadas são locuções adjetivas (preposição + substantivo) que funcionam como adjunto adnominal, exceto na letra E, onde “nervosa” é um adjetivo simples, não uma locução. Vamos analisar cada uma:

  • A) “página de jornal” — “de jornal” é locução adjetiva que qualifica “página” (página jornalística). Adjunto adnominal.

  • B) “chá de pitangueira” — “de pitangueira” é locução adjetiva que qualifica “chá” (chá de pitangueira). Adjunto adnominal.

  • C) “pedaço de gelo” — “de gelo” é locução adjetiva que qualifica “pedaço” (pedaço gelado). Adjunto adnominal.

  • D) “dente de alho” — “de alho” é locução adjetiva que qualifica “dente” (dente de alho). Adjunto adnominal.

  • E) “rouquidão nervosa” — “nervosa” é um adjetivo, não uma locução. Ele também qualifica o substantivo “rouquidão”, mas a questão pede a expressão que não desempenha a mesma função das demais. Como as outras são locuções adjetivas preposicionadas, a E é a exceção.

A pegadinha está em reconhecer que a letra E também contém uma palavra que qualifica o nome, mas a forma é diferente: é um adjetivo, não uma locução adjetiva. A banca quer que o candidato perceba que “nervosa” não é uma expressão preposicionada, e sim um adjetivo simples. Portanto, a alternativa que foge ao padrão é a E.

Alternativa A — ✅ Correta (não é a exceção)

“página de jornal não é lugar para a gente falar essas coisas”

A expressão “de jornal” é uma locução adjetiva (preposição + substantivo) que equivale a “jornalística”. Ela qualifica o substantivo “página”, funcionando como adjunto adnominal. Está dentro do padrão pedido.

Alternativa B — ✅ Correta (não é a exceção)

“Uma leitora me receitou pelo telefone chá de pitangueira”

“de pitangueira” é locução adjetiva que qualifica “chá” (chá de pitangueira). Adjunto adnominal. Mesma função das demais.

Alternativa C — ✅ Correta (não é a exceção)

“por favor, mais um pedaço de gelo”

“de gelo” é locução adjetiva que qualifica “pedaço” (pedaço gelado). Adjunto adnominal. Mesma função.

Alternativa D — ✅ Correta (não é a exceção)

“tudo isso agravado por um dente de alho bem moído”

“de alho” é locução adjetiva que qualifica “dente” (dente de alho). Adjunto adnominal. Mesma função.

Alternativa E — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO

“Alguém me disse que se trata de rouquidão nervosa”

Aqui, “nervosa” é um adjetivo, não uma locução adjetiva. Embora também qualifique o substantivo “rouquidão”, a forma é diferente: não é uma expressão preposicionada. Como a questão pede a exceção (a que não desempenha a mesma função das demais), a E é a resposta.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre adjunto adnominal (locução adjetiva) e complemento nominal. Todas as alternativas trazem locuções adjetivas preposicionadas, mas a E traz um adjetivo simples. O candidato que não percebe a diferença de forma marca uma das outras.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar a função de uma expressão preposicionada, pergunte: ela equivale a um adjetivo? Se sim, é adjunto adnominal. E verifique se é uma locução (preposição + substantivo) ou um adjetivo simples — a banca pode cobrar a exceção.

Conclusão: a única alternativa em que a expressão destacada não é uma locução adjetiva (adjunto adnominal) é a E, pois “nervosa” é adjetivo simples. Portanto, Gabarito: letra E.

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