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Questão de Português — Significação de Vocábulo e Expressões — Quadrix 2025

PortuguêsSignificação de Vocábulo e Expressões
Código
qa668630
Banca
Quadrix
Órgão
CRM MS
Ano
2025
Cargo
Adv ( )

É provável que a Medicina tenha surgido com a humanidade. Vítima e testemunha do sofrimento, o ser humano deve, desde logo, ter‑se debruçado sobre os doentes, com o desejo de curá‑los. É possível que encarasse a doença como ocorrência sobrenatural, tal como os ventos, as tempestades ou as manifestações de deuses malévolos. A doença, com suas dolorosas consequências, seria obra de algum espírito, cuja ira importaria aplacar com os sacrifícios, ou seria obra de alguminimigo, dotado de poderes especiais, cuja animosidade haveria de ser combatida por meio de sortilégios.


Nesse quadro geral, a doença foi diversamente contemplada, ora como fruto de invasão do organismo por matéria estranha, ora como “perda da alma”, ora em termos de corpo possuído por fantasmas, ora como decorrência do rompimento de tabus, entre outras formas.


Povos primitivos entendiam a doença como algo que se devia à ação de projéteis: lanças, flechas, pedras atiradas por inimigos ou, talvez, ossos e espinhos que alguém engolia sem querer, em virtude da ação de forças adversas, humanas ou sobre‑humanas. Em alguns casos, o projétil é um organismo (um verme, por exemplo), cujos movimentos, na pessoa afetada, explicariam dores agudas ou o mal‑estar súbito. A terapia, nessas várias situações, resumir‑se‑ia à localização e à remoção do invasor, sem excluir, muitas vezes, a possibilidade de devolvê‑lo ao remetente.


A alma, para povos primitivos, não seria entendida em fundamentos teológicos ou metafísicos, mas como sombra ou duplo da pessoa. Esse duplo teria condições, às vezes, de separar‑se do corpo, graças à ação mágica dos deuses ou de eventuais inimigos humanos. A terapia aconselhável consistia em reencontrar a alma para devolvê‑la ao proprietário. No caso de invasão por demônio, a pessoa adoecia porque era possuída por espíritos ou almas estranhas, cuja terapia consistia em tratamentos psicológicos (exorcismo), em extrações mecânicas (alcançada por ingestão de substâncias ou por aspiração de vapores presumivelmente não apreciados pelo invasor) ou em transferências (procurando‑se enviar a alma estranha para outro corpo – animal ou objeto capaz de retê‑la).


Quando se alude à quebra de tabus, entendia‑se a doença como punição: o doente era castigado por haver‑se rebelado contra imperativos religiosos ou sociais. Deuses e almas de antepassados puniam os homens que não se curvavam diante dos mandamentos vigentes.


Em certas circunstâncias, era preciso distinguir a culpa individual da coletiva: males que afligiam a tribo eram associados a uma culpa coletiva, um erro ou uma desobediência generalizada, que dava origem aos males e às epidemias. Em qualquer caso, a terapia envolvia interrogatório e confissão de culpa. Confessada a culpa, as pessoas castigadas, prometendo fidelidade aos mandamentos em vigor, adquiriam condições de curar‑se.


HEGENBERG, Leonidas. Evolução histórica do conceito

de doença. In: L. Hegenberg (org.). Doença: um estudo filosófico. Rio de Janeiro: Fiocruz, 1998 (com adaptações).

Texto para o item.

 

No que se refere às ideias do texto, julgue o item a seguir.

 

A partir da sentença “seria obra de algum inimigo, dotado de poderes especiais ou mágicos, cuja animosidade haveria de ser combatida por meio de sortilégios”, no primeiro parágrafo, depreende‑se a referência a feiticeiro, bruxo ou mago.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Depreensão de sentido: "inimigo dotado de poderes especiais" e a referência a feiticeiro, bruxo ou mago

Gabarito: letra C (Certo). A sentença citada no item permite, sim, depreender a referência a feiticeiro, bruxo ou mago, pois descreve um inimigo com poderes especiais ou mágicos, cuja animosidade se combate com sortilégios — práticas típicas da feitiçaria e da magia. A passagem que ancora essa leitura está no primeiro parágrafo do texto, quando o autor apresenta a concepção primitiva da doença como obra de forças sobrenaturais.

O comando pede uma inferência ("depreende-se"), ou seja, uma conclusão que o leitor tira a partir de pistas textuais, e não uma informação literalmente escrita. A pista decisiva é o conjunto de expressões que caracterizam o agente causador da doença: "inimigo, dotado de poderes especiais ou mágicos" e o combate por meio de "sortilégios". Esses elementos, no imaginário descrito pelo texto, remetem diretamente à figura do feiticeiro, do bruxo ou do mago — aquele que detém poderes sobrenaturais e utiliza encantamentos.

"seria obra de algum inimigo, dotado de poderes especiais ou mágicos, cuja animosidade haveria de ser combatida por meio de sortilégios"

A expressão "poderes especiais ou mágicos" qualifica o inimigo como alguém que age por meios sobrenaturais, e "sortilégios" são exatamente os encantamentos ou feitiços usados para combater essa ação. A inferência é legítima porque se apoia em pistas deixadas pelo próprio texto — não é uma suposição solta, mas uma conclusão que o vocabulário empregado autoriza.

A banca explora aqui a diferença entre compreensão literal e inferência. Se o texto dissesse explicitamente "feiticeiro", seria compreensão direta. Como ele descreve as características (poderes mágicos, uso de sortilégios) sem nomear o agente, a resposta exige que o leitor faça a ponte entre a descrição e o conceito. Essa ponte é exatamente o que caracteriza uma inferência válida.

NÃO CAIA NESSA!

A banca testa se o candidato reconhece que "inimigo dotado de poderes especiais ou mágicos" e "sortilégios" são pistas suficientes para identificar a figura do feiticeiro/bruxo/mago. Quem marca "Errado" geralmente exige que o texto nomeie explicitamente o agente, confundindo inferência com compreensão literal.

PEGA ESSA DICA!

Ao ver "depreende-se", procure no texto as pistas que sustentam a conclusão. Se as pistas existem e a conclusão é natural a partir delas, a inferência é válida — não é preciso que o texto diga a palavra exata.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A afirmativa está correta porque a sentença citada descreve um inimigo com "poderes especiais ou mágicos" e menciona o combate por "sortilégios". Esses elementos são características típicas da feitiçaria e da magia, o que permite depreender a referência a feiticeiro, bruxo ou mago. A inferência é ancorada no texto, não é uma suposição externa.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A afirmativa de que não se depreende a referência a feiticeiro, bruxo ou mago está errada, pois contraria a leitura natural do trecho. O texto fornece pistas claras — "poderes especiais ou mágicos" e "sortilégios" — que apontam diretamente para a figura do praticante de magia. Marcar esta alternativa exigiria ignorar o sentido das expressões utilizadas pelo autor.

Conclusão: a questão cobra a habilidade de inferir a partir de pistas textuais. O trecho citado descreve um agente com poderes mágicos combatido por sortilégios — elementos que caracterizam o feiticeiro, o bruxo ou o mago. Portanto, a depreensão é válida e o item está Certo.

Gabarito: letra C

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