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Questão de Português — Significação de Vocábulo e Expressões — Quadrix 2025

PortuguêsSignificação de Vocábulo e Expressões
Código
qa668636
Banca
Quadrix
Órgão
CRM MS
Ano
2025
Cargo
Adv ( )

É provável que a Medicina tenha surgido com a humanidade. Vítima e testemunha do sofrimento, o ser humano deve, desde logo, ter‑se debruçado sobre os doentes, com o desejo de curá‑los. É possível que encarasse a doença como ocorrência sobrenatural, tal como os ventos, as tempestades ou as manifestações de deuses malévolos. A doença, com suas dolorosas consequências, seria obra de algum espírito, cuja ira importaria aplacar com os sacrifícios, ou seria obra de alguminimigo, dotado de poderes especiais, cuja animosidade haveria de ser combatida por meio de sortilégios.


Nesse quadro geral, a doença foi diversamente contemplada, ora como fruto de invasão do organismo por matéria estranha, ora como “perda da alma”, ora em termos de corpo possuído por fantasmas, ora como decorrência do rompimento de tabus, entre outras formas.


Povos primitivos entendiam a doença como algo que se devia à ação de projéteis: lanças, flechas, pedras atiradas por inimigos ou, talvez, ossos e espinhos que alguém engolia sem querer, em virtude da ação de forças adversas, humanas ou sobre‑humanas. Em alguns casos, o projétil é um organismo (um verme, por exemplo), cujos movimentos, na pessoa afetada, explicariam dores agudas ou o mal‑estar súbito. A terapia, nessas várias situações, resumir‑se‑ia à localização e à remoção do invasor, sem excluir, muitas vezes, a possibilidade de devolvê‑lo ao remetente.


A alma, para povos primitivos, não seria entendida em fundamentos teológicos ou metafísicos, mas como sombra ou duplo da pessoa. Esse duplo teria condições, às vezes, de separar‑se do corpo, graças à ação mágica dos deuses ou de eventuais inimigos humanos. A terapia aconselhável consistia em reencontrar a alma para devolvê‑la ao proprietário. No caso de invasão por demônio, a pessoa adoecia porque era possuída por espíritos ou almas estranhas, cuja terapia consistia em tratamentos psicológicos (exorcismo), em extrações mecânicas (alcançada por ingestão de substâncias ou por aspiração de vapores presumivelmente não apreciados pelo invasor) ou em transferências (procurando‑se enviar a alma estranha para outro corpo – animal ou objeto capaz de retê‑la).


Quando se alude à quebra de tabus, entendia‑se a doença como punição: o doente era castigado por haver‑se rebelado contra imperativos religiosos ou sociais. Deuses e almas de antepassados puniam os homens que não se curvavam diante dos mandamentos vigentes.


Em certas circunstâncias, era preciso distinguir a culpa individual da coletiva: males que afligiam a tribo eram associados a uma culpa coletiva, um erro ou uma desobediência generalizada, que dava origem aos males e às epidemias. Em qualquer caso, a terapia envolvia interrogatório e confissão de culpa. Confessada a culpa, as pessoas castigadas, prometendo fidelidade aos mandamentos em vigor, adquiriam condições de curar‑se.


HEGENBERG, Leonidas. Evolução histórica do conceito

de doença. In: L. Hegenberg (org.). Doença: um estudo filosófico. Rio de Janeiro: Fiocruz, 1998 (com adaptações).

Texto para o item.

 

Com referência ao texto e a seus aspectos linguísticos e gramaticais, julgue o item seguinte.

 

O termo “sortilégios” poderia ser substituído por sacrilégios, sem prejuízo gramatical ou aos sentidos do texto.

  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Substituição de "sortilégios" por "sacrilégios" — sentido preservado?

Gabarito: letra E (Errado). A substituição de "sortilégios" por "sacrilégios" altera o sentido do texto, pois são palavras com significados distintos: sortilégio refere-se a feitiço, encantamento, prática mágica, enquanto sacrilégio designa profanação de coisas sagradas, ofensa religiosa. No texto, o termo aparece no contexto de combate à animosidade de inimigos por meio de práticas mágicas, como se lê no 1º parágrafo: "cuja animosidade haveria de ser combatida por meio de sortilégios". Portanto, a troca não é possível sem prejuízo aos sentidos.

O comando da questão é de julgamento de substituição vocabular: pede-se para avaliar se a troca de um termo por outro mantém o sentido original. Esse tipo de questão exige conhecimento lexical (significado das palavras) e análise do contexto em que o termo está inserido. Não basta saber o significado isolado; é preciso verificar se a palavra substituta é sinônima no contexto específico.

O texto trata da evolução histórica do conceito de doença, mencionando que, para povos primitivos, a doença poderia ser causada por espíritos ou inimigos, cuja animosidade seria combatida "por meio de sortilégios". O termo "sortilégios" está claramente ligado a práticas mágicas (feitiços, encantamentos), coerente com o contexto de combate a forças sobrenaturais. Já "sacrilégios" refere-se a atos de profanação (violação do sagrado), o que não se encaixa no sentido pretendido: não se combate a animosidade de um inimigo com atos de profanação, mas com feitiços.

A pegadinha central é a semelhança fonética e ortográfica entre as duas palavras (parônimas), que leva o candidato a tratá-las como sinônimas. No entanto, são palavras diferentes com significados distintos. A banca explora exatamente essa confusão.

1Sortilégio
Feitiço
Encantamento
Prática mágica
2Sacrilégio
Profanação do sagrado
Ofensa religiosa
3Substituição no texto
Altera o sentido
Parônimos
LEVELsoulevel.com.br
Parônimos: Sortilégio (Feitiço, Encantamento, Prática mágica); Sacrilégio (Profanação do sagrado, Ofensa religiosa); Substituição no texto (Altera o sentido)

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C afirma que a substituição seria possível "sem prejuízo gramatical ou aos sentidos do texto". Isso está errado porque, embora a troca não cause prejuízo gramatical (ambas são substantivos masculinos e se encaixam na mesma posição sintática), altera o sentido. O texto fala de combate à animosidade de inimigos por meio de práticas mágicas (sortilégios), não por meio de profanações (sacrilégios). A substituição introduz uma ideia estranha ao contexto, rompendo a coerência.

"cuja animosidade haveria de ser combatida por meio de sortilégios"

O termo "sortilégios" está associado a feitiços e encantamentos, usados para combater inimigos. "Sacrilégios" (profanação do sagrado) não tem essa função no contexto. Portanto, a alternativa C contradiz o sentido do texto ao afirmar que não haveria prejuízo.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa E afirma que a substituição não poderia ser feita sem prejuízo aos sentidos. Isso está correto, pois "sortilégios" e "sacrilégios" são parônimos (palavras parecidas na forma, mas com significados diferentes). A troca alteraria o sentido do texto, pois o contexto exige a ideia de prática mágica, não de profanação religiosa.

"cuja animosidade haveria de ser combatida por meio de sortilégios"

A passagem mostra que os sortilégios são meios de combate à animosidade de inimigos, o que remete a feitiços, encantamentos. "Sacrilégios" não se presta a esse sentido, pois designa atos de desrespeito ao sagrado. Assim, a substituição não preserva o sentido.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a paronímia entre "sortilégio" e "sacrilégio" — palavras parecidas na escrita e na pronúncia, mas com significados distintos. O candidato desatento pode tratá-las como sinônimas e marcar "Certo".

NÃO CAIA NESSA!

Ao julgar substituições vocabulares, sempre confira o significado da palavra no dicionário e verifique se o novo termo se encaixa no contexto. Palavras parônimas (como sortilégio/sacrilégio, descriminar/discriminar, emergir/iminente) são armadilhas clássicas.

Conclusão: a substituição de "sortilégios" por "sacrilégios" altera o sentido do texto, pois são palavras com significados diferentes. A alternativa E está correta ao afirmar que há prejuízo aos sentidos.

Gabarito: letra E

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