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Questão de Português — Acentuação — Quadrix 2025

PortuguêsAcentuação
Código
qa668639
Banca
Quadrix
Órgão
CRM MS
Ano
2025
Cargo
Adv ( )

É provável que a Medicina tenha surgido com a humanidade. Vítima e testemunha do sofrimento, o ser humano deve, desde logo, ter‑se debruçado sobre os doentes, com o desejo de curá‑los. É possível que encarasse a doença como ocorrência sobrenatural, tal como os ventos, as tempestades ou as manifestações de deuses malévolos. A doença, com suas dolorosas consequências, seria obra de algum espírito, cuja ira importaria aplacar com os sacrifícios, ou seria obra de alguminimigo, dotado de poderes especiais, cuja animosidade haveria de ser combatida por meio de sortilégios.


Nesse quadro geral, a doença foi diversamente contemplada, ora como fruto de invasão do organismo por matéria estranha, ora como “perda da alma”, ora em termos de corpo possuído por fantasmas, ora como decorrência do rompimento de tabus, entre outras formas.


Povos primitivos entendiam a doença como algo que se devia à ação de projéteis: lanças, flechas, pedras atiradas por inimigos ou, talvez, ossos e espinhos que alguém engolia sem querer, em virtude da ação de forças adversas, humanas ou sobre‑humanas. Em alguns casos, o projétil é um organismo (um verme, por exemplo), cujos movimentos, na pessoa afetada, explicariam dores agudas ou o mal‑estar súbito. A terapia, nessas várias situações, resumir‑se‑ia à localização e à remoção do invasor, sem excluir, muitas vezes, a possibilidade de devolvê‑lo ao remetente.


A alma, para povos primitivos, não seria entendida em fundamentos teológicos ou metafísicos, mas como sombra ou duplo da pessoa. Esse duplo teria condições, às vezes, de separar‑se do corpo, graças à ação mágica dos deuses ou de eventuais inimigos humanos. A terapia aconselhável consistia em reencontrar a alma para devolvê‑la ao proprietário. No caso de invasão por demônio, a pessoa adoecia porque era possuída por espíritos ou almas estranhas, cuja terapia consistia em tratamentos psicológicos (exorcismo), em extrações mecânicas (alcançada por ingestão de substâncias ou por aspiração de vapores presumivelmente não apreciados pelo invasor) ou em transferências (procurando‑se enviar a alma estranha para outro corpo – animal ou objeto capaz de retê‑la).


Quando se alude à quebra de tabus, entendia‑se a doença como punição: o doente era castigado por haver‑se rebelado contra imperativos religiosos ou sociais. Deuses e almas de antepassados puniam os homens que não se curvavam diante dos mandamentos vigentes.


Em certas circunstâncias, era preciso distinguir a culpa individual da coletiva: males que afligiam a tribo eram associados a uma culpa coletiva, um erro ou uma desobediência generalizada, que dava origem aos males e às epidemias. Em qualquer caso, a terapia envolvia interrogatório e confissão de culpa. Confessada a culpa, as pessoas castigadas, prometendo fidelidade aos mandamentos em vigor, adquiriam condições de curar‑se.


HEGENBERG, Leonidas. Evolução histórica do conceito

de doença. In: L. Hegenberg (org.). Doença: um estudo filosófico. Rio de Janeiro: Fiocruz, 1998 (com adaptações).

Texto para o item.

 

Com referência ao texto e a seus aspectos linguísticos e gramaticais, julgue o item seguinte.

 

Os vocábulos “possível”, “projéteis” e “psicológicos” apresentam acento gráfico em razão da mesma regra de acentuação.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Acentuação gráfica: regras distintas para “possível”, “projéteis” e “psicológicos”

Gabarito: E (Errado). Os vocábulos “possível”, “projéteis” e “psicológicos” não recebem acento gráfico pela mesma regra: “possível” é paroxítona terminada em L, “projéteis” é paroxítona terminada em ditongo e “psicológicos” é proparoxítona (todas as proparoxítonas são acentuadas). Como a afirmação do item generaliza que os três seguem a mesma regra, ela está incorreta.

Para resolver esta questão, é essencial dominar a classificação das palavras pela posição da sílaba tônica e as regras específicas de acentuação de cada grupo. O comando pede um julgamento sobre a regra de acentuação que justifica o acento gráfico em três palavras específicas do texto. Não se trata de interpretação de conteúdo, mas de análise gramatical — precisamos identificar a tonicidade de cada vocábulo e a regra que o rege.

Vamos analisar cada palavra:

  • “possível”: a sílaba tônica é “sí” (pos-sí-vel), ou seja, a penúltima sílaba. É uma paroxítona. A regra das paroxítonas diz que se acentuam todas, exceto as terminadas em -a(s), -e(s), -o(s), -em(ens). Como “possível” termina em -L, ela se enquadra na regra geral das paroxítonas: acentuam-se as terminadas em L, N, R, X, PS, ão(s), um(ns), us, is, ditongo, etc.

  • “projéteis”: a sílaba tônica é “jé” (pro-jé-teis), também a penúltima. É uma paroxítona. A terminação é -eis, que é um ditongo (vogal + semivogal). A regra específica diz que se acentuam as paroxítonas terminadas em ditongo oral. Portanto, “projéteis” é acentuada por ser paroxítona terminada em ditongo.

  • “psicológicos”: a sílaba tônica é “ló” (psi-co-ló-gi-cos), a antepenúltima sílaba. É uma proparoxítona. A regra é absoluta: todas as proparoxítonas são acentuadas. Não há exceção.

Palavra

Classificação

Terminação

Regra aplicada

possível

Paroxítona

-L

Paroxítonas terminadas em L

projéteis

Paroxítona

-eis (ditongo)

Paroxítonas terminadas em ditongo

psicológicos

Proparoxítona

-os

Todas as proparoxítonas

Como se vê, embora “possível” e “projéteis” sejam ambas paroxítonas, elas se enquadram em sub-regras diferentes (terminação em consoante L vs. terminação em ditongo). Já “psicológicos” é de outra classe totalmente distinta (proparoxítona). Portanto, a afirmação de que os três seguem a mesma regra é falsa.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta fazer o candidato agrupar palavras que parecem semelhantes, mas que se enquadram em regras distintas. A armadilha é a generalização indevida: dizer que “apresentam acento gráfico em razão da mesma regra” quando, na verdade, cada uma tem sua justificativa específica.

PEGA ESSA DICA!

Ao julgar itens sobre acentuação, classifique cada palavra individualmente (oxítona, paroxítona, proparoxítona) e identifique a terminação. Só então compare as regras. Nunca agrupe palavras sem antes fazer essa análise individual.

Acentuação gráfica
  • 1Paroxítonas
    • Terminadas em L
      • possível
    • Terminadas em ditongo
      • projéteis
  • 2Proparoxítonas
    • Todas são acentuadas
      • psicológicos
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Alternativa C — ❌ Incorreta

A afirmativa de que os vocábulos “possuem acento gráfico em razão da mesma regra” está errada. Como demonstrado, “possível” é paroxítona terminada em L, “projéteis” é paroxítona terminada em ditongo e “psicológicos” é proparoxítona. São três regras distintas. A alternativa C, portanto, contradiz a análise gramatical correta.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa E afirma que o item está errado, e é exatamente isso que ocorre. A afirmação do enunciado é falsa, pois as três palavras não compartilham a mesma regra de acentuação. A alternativa E é a única que reflete corretamente a realidade gramatical.

Conclusão: a questão cobra o domínio das regras de acentuação gráfica. A chave é nunca generalizar: cada palavra deve ser analisada isoladamente quanto à tonicidade e à terminação. Como as três palavras seguem regras diferentes, o item é ERRADO.

Gabarito: letra E

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