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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — Quadrix 2025

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
qa668648
Banca
Quadrix
Órgão
CRM MS
Ano
2025
Cargo
Ag Fisc ( )

Na Idade Antiga, a humanidade desconhecia os processos de contaminação que disseminavam as doenças, como a peste, a cólera, a varíola, a febre tifoide, entre outras. Na Idade Média, como a saúde era fortemente influenciada pela religião e pela medicina grega e romana, as doenças eram frequentemente vistas como punições divinas, e os tratamentos eram embasados em preces, penitências e remédios herbais.


Entretanto, desde o nascimento das cidades, mesmo sem o conhecimento de todo o processo de transmissão de doenças, havia registros das preocupações com a vigilância sanitária. Era sabido, por exemplo, que a água poderia ser uma via de contaminação e que os alimentos, de igual maneira, poderiam ser meios de propagação de doenças. Com as populações aglomerando‑se em cidades, esses problemas foram crescendo e se tornando mais complexos. Assim, as atividades vinculadas à vigilância sanitária surgiram em razão da propagação de doenças transmissíveis nas populações urbanas, onde o número de habitantes crescia em precárias condições sanitárias.


Observe‑se que o cuidado com a vigilância implicou a atividade profissional de especialistas voltados para o estudo da água e dos alimentos que eram consumidos e para a remoção do lixo produzido por cidades cada vez mais populosas, com diferentes condições econômicas. Desse modo, por volta dos séculos XVII e XVIII, na Europa, e dos séculos XVIII e XIX, no Brasil, surgiu a Vigilância Sanitária como área de estudo, e uma das mais antigas áreas no âmbito da saúde pública, em resposta a esse novo problema da convivência social.


Embora tenha maior destaque na atualidade, são relatadas ações de vigilância sanitária, como controle das impurezas nas águas, da salubridade nas cidades, da prática de barbeiros, boticários e cirurgiões, da circulação de mercadorias e pessoas. Surgiram, então, as regras e providências sanitárias, a exemplo do transporte da água para abastecer as cidades por meio de aquedutos, que se constituíam na tecnologia de ponta da época. O lixo produzido passou a ter um local próprio para depósito, e outras providências básicas passaram a compor a agenda pública, garantindo a higiene e evitando a propagação das epidemias.


Em suma, as preocupações com a saúde das populações, e especialmente com as ações de Vigilância Sanitária, emergiram do poder público desde as épocas mais remotas, ao mesmo tempo que o governo também se desenvolvia e se tornava complexo e diversificado em suas atribuições. De quem governa uma aldeia para quem governa um Estado, nos dias de hoje, vai uma grande diferença.


Internet: <www.bvsms.saude.gov.br> (com adaptações).

Texto para o item.

 

No que se refere à estruturação e às ideias do texto, julgue o item a seguir.

 

Deduz‑se do texto que as doenças da época medieval eram curadas por meio de rezas e orações, porque se acreditava que as enfermidades eram um castigo dos deuses.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Dedução sobre as doenças na Idade Média

Gabarito: E (Errado). O item extrapola o texto ao afirmar que as doenças eram "curadas" por rezas e orações. O texto diz apenas que os tratamentos eram embasados em preces, penitências e remédios herbais — não que houvesse cura. Além disso, o texto fala em "castigo dos deuses", enquanto o item diz "castigo dos deuses" — há uma troca sutil: o texto menciona "punições divinas", não "deuses". A dedução proposta não é autorizada pelo texto.

O comando pede uma dedução (inferência) a partir do texto. Inferência legítima exige uma pista no próprio texto que obrigue àquela conclusão. Aqui, a pista existe parcialmente (a crença em punição divina e o uso de preces), mas o item acrescenta a ideia de "cura" — que o texto não sustenta. O texto diz:

"as doenças eram frequentemente vistas como punições divinas, e os tratamentos eram embasados em preces, penitências e remédios herbais"

Observe: o texto fala em tratamentos, não em cura. Tratamento é o conjunto de medidas aplicadas; cura é o resultado (a eliminação da doença). O texto não afirma que esses tratamentos curavam — apenas que eram usados. O item, ao dizer "eram curadas por meio de rezas e orações", extrapola o que está escrito, transformando uma prática (tratar) em um resultado (curar).

Além disso, há uma segunda imprecisão: o texto fala em "punições divinas", e o item fala em "castigo dos deuses". Embora "divinas" e "dos deuses" sejam semanticamente próximos, a troca não é o problema central — o problema é a palavra "curadas", que não tem respaldo no texto.

A técnica para resolver: teste cada afirmação do item contra o texto. O item faz três afirmações: (1) as doenças eram curadas por rezas e orações; (2) acreditava-se que as enfermidades eram castigo dos deuses; (3) isso é uma dedução do texto. A afirmação (2) tem respaldo ("punições divinas"), mas a (1) não — o texto fala em tratamento, não em cura. Como o item é uma conjunção de ideias, basta uma delas ser falsa para o item inteiro ser Errado.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca "tratamentos" por "curadas" — uma palavra que parece equivalente, mas muda o sentido. Tratamento é o meio; cura é o fim. O texto não garante o fim.

PEGA ESSA DICA!

Em itens de "deduz-se", desconfie de palavras que adicionam informação (como "curadas"). A inferência legítima se apoia em pistas; a extrapolação inventa o que não está lá.

Item — ❌ Errado

O item afirma que "as doenças da época medieval eram curadas por meio de rezas e orações". O texto, porém, diz apenas que os tratamentos eram embasados em preces, penitências e remédios herbais. A palavra "curadas" é uma extrapolação: o texto não afirma que esses tratamentos curavam — apenas que eram usados. Além disso, o texto fala em "punições divinas", não em "castigo dos deuses", mas essa diferença é secundária; o erro fatal é a palavra "curadas".

Conclusão: como a banca pediu para julgar o item (Certo/Errado), e o item contém uma afirmação que o texto não sustenta (a cura), o gabarito é E (Errado). A regra de ouro: inferência exige pista; extrapolação é erro — e aqui o item extrapolou ao transformar "tratamento" em "cura".

Gabarito: E (Errado)

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