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Questão de Português — Fatos da Língua Portuguesa (Porque, Por Que, Porquê e Por Quê; Onde, Aonde e Donde; Há e A, etc) — Quadrix 2025

PortuguêsFatos da Língua Portuguesa (Porque, Por Que, Porquê e Por Quê; Onde, Aonde e Donde; Há e A, etc)
Código
qa668659
Banca
Quadrix
Órgão
CRM MS
Ano
2025
Cargo
Ag Fisc ( )

Na Idade Antiga, a humanidade desconhecia os processos de contaminação que disseminavam as doenças, como a peste, a cólera, a varíola, a febre tifoide, entre outras. Na Idade Média, como a saúde era fortemente influenciada pela religião e pela medicina grega e romana, as doenças eram frequentemente vistas como punições divinas, e os tratamentos eram embasados em preces, penitências e remédios herbais.


Entretanto, desde o nascimento das cidades, mesmo sem o conhecimento de todo o processo de transmissão de doenças, havia registros das preocupações com a vigilância sanitária. Era sabido, por exemplo, que a água poderia ser uma via de contaminação e que os alimentos, de igual maneira, poderiam ser meios de propagação de doenças. Com as populações aglomerando‑se em cidades, esses problemas foram crescendo e se tornando mais complexos. Assim, as atividades vinculadas à vigilância sanitária surgiram em razão da propagação de doenças transmissíveis nas populações urbanas, onde o número de habitantes crescia em precárias condições sanitárias.


Observe‑se que o cuidado com a vigilância implicou a atividade profissional de especialistas voltados para o estudo da água e dos alimentos que eram consumidos e para a remoção do lixo produzido por cidades cada vez mais populosas, com diferentes condições econômicas. Desse modo, por volta dos séculos XVII e XVIII, na Europa, e dos séculos XVIII e XIX, no Brasil, surgiu a Vigilância Sanitária como área de estudo, e uma das mais antigas áreas no âmbito da saúde pública, em resposta a esse novo problema da convivência social.


Embora tenha maior destaque na atualidade, são relatadas ações de vigilância sanitária, como controle das impurezas nas águas, da salubridade nas cidades, da prática de barbeiros, boticários e cirurgiões, da circulação de mercadorias e pessoas. Surgiram, então, as regras e providências sanitárias, a exemplo do transporte da água para abastecer as cidades por meio de aquedutos, que se constituíam na tecnologia de ponta da época. O lixo produzido passou a ter um local próprio para depósito, e outras providências básicas passaram a compor a agenda pública, garantindo a higiene e evitando a propagação das epidemias.


Em suma, as preocupações com a saúde das populações, e especialmente com as ações de Vigilância Sanitária, emergiram do poder público desde as épocas mais remotas, ao mesmo tempo que o governo também se desenvolvia e se tornava complexo e diversificado em suas atribuições. De quem governa uma aldeia para quem governa um Estado, nos dias de hoje, vai uma grande diferença.


Internet: <www.bvsms.saude.gov.br> (com adaptações).

Texto para o item.

 

Acerca da estruturação linguístico‑gramatical do texto, julgue o item seguinte.

 

No trecho “Assim, as atividades vinculadas à vigilância sanitária surgiram em razão da propagação de doenças transmissíveis nas populações urbanas, onde o número de habitantes crescia em precárias condições sanitárias.”, sem prejuízo à correção gramatical do texto, o vocábulo “onde” poderia ser reescrito como aonde.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Uso de “onde” e “aonde”: regência e sentido no trecho

Gabarito: E (Errado). O vocábulo “onde” no trecho NÃO poderia ser reescrito como “aonde” sem prejuízo à correção gramatical, pois o pronome relativo “onde” retoma um antecedente com ideia de lugar estático (“populações urbanas”) e o verbo da oração relativa (“crescia”) não exige a preposição “a”. A troca por “aonde” exigiria um verbo de movimento ou que pedisse “a”, o que não ocorre no texto.

O comando

A questão pede um julgamento de reescritura sem alteração de sentido e com correção gramatical. Isso significa que a troca proposta deve manter tanto a regência quanto o sentido do trecho original. Não se trata de interpretação de conteúdo, mas de gramática aplicada ao texto: a relação entre o pronome relativo e o verbo da oração subordinada.

O texto e o trecho em análise

O trecho em questão é:

“Assim, as atividades vinculadas à vigilância sanitária surgiram em razão da propagação de doenças transmissíveis nas populações urbanas, onde o número de habitantes crescia em precárias condições sanitárias.”

Aqui, “onde” é um pronome relativo que retoma “populações urbanas” — um lugar físico (as cidades). A oração relativa é “onde o número de habitantes crescia em precárias condições sanitárias”. O verbo “crescia” é intransitivo e indica um estado/processo que ocorre em um lugar, não um movimento para um lugar. Por isso, a regência correta é com a preposição “em” (implícita em “onde”), e não com a preposição “a”.

A regra que decide: onde × aonde

A distinção clássica:

  • Onde: usado para indicar lugar estático ou permanência; equivale a “em que”, “no qual”, “na qual”. Exige verbo que peça a preposição “em”.

  • Aonde: usado para indicar movimento ou direção; equivale a “a que”, “ao qual”, “à qual”. Exige verbo que peça a preposição “a”.

No trecho, o verbo “crescia” não pede “a”. Quem cresce, cresce em algum lugar (as populações urbanas). Portanto, “aonde” seria inadequado, pois introduziria uma ideia de movimento que o verbo não comporta. A substituição quebraria a regência e alteraria o sentido.

Análise da alternativa

1Onde
Lugar estático / permanência
Equivale a "em que"
Verbo pede "em"
2Aonde
Movimento / direção
Equivale a "a que"
Verbo pede "a"
3No trecho
"crescia" pede "em"
Troca por "aonde" quebraria a regência
Onde × Aonde
LEVELsoulevel.com.br
Onde × Aonde: Onde (Lugar estático / permanência, Equivale a "em que", Verbo pede "em"); Aonde (Movimento / direção, Equivale a "a que", Verbo pede "a"); No trecho ("crescia" pede "em", Troca por "aonde" quebraria a regência)

Alternativa E — ❌ Errado ⟵ GABARITO

A afirmação de que “onde” poderia ser reescrito como “aonde” é incorreta. O pronome “onde” está corretamente empregado, pois retoma um lugar estático e o verbo da oração relativa não exige a preposição “a”. A troca por “aonde” exigiria um verbo de movimento (ex.: “aonde o número de habitantes ia crescer”), o que não é o caso. Portanto, a reescrita proposta alteraria a correção gramatical do texto.

Conclusão

A banca explora a confusão clássica entre “onde” e “aonde”. A regra de ouro: “onde” para lugar estático (verbo com “em”), “aonde” para movimento (verbo com “a”). No trecho, “crescia” pede “em”, logo “onde” é a forma correta. A troca por “aonde” seria um erro de regência. Gabarito: letra E (Errado).

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