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Questão de Português — Tipologia e Gênero Textual — FUNDATEC 2025

PortuguêsTipologia e Gênero Textual
Código
qa668996
Banca
FUNDATEC
Órgão
CBM RS
Ano
2025
Cargo
Sold Bomb ( )

História do surgimento do Corpo de Bombeiros

 

Por André Gustavo Possi Scamardi e Luciana Mayumi Nanya

 

Segundo registros históricos, uma das primeiras equipes organizadas para o combate ao fogo surgiu nas cidades do Império Romano no ano 22 a.C., quando a capital foi devastada por um grande incêndio. O Imperador Otávio Augusto ficou tão atribulado com este acontecimento que, no ano 27 a.C., decidiu criar o que se pode chamar de primeiro corpo de bombeiros organizado, nomeados de “Vigiles”, sendo responsáveis pela segurança de Roma.

 

Segundo o Corpo de Bombeiro de Goiás, com o passar dos séculos, essas organizações foram evoluindo, mas ainda eram poucas. A partir do século XVI, com o desenvolvimento da Europa, os incêndios se tornaram frequentes. Mais tarde, na metade do século XVII, os materiais utilizados para combate aos incêndios eram basicamente machados, enxadões, baldes e outros.

 

As regiões mais desenvolvidas contavam com máquinas hidráulicas que eram conectadas a poços de vizinhos e enchiam os baldes que eram passados de mão em mão até o fogo.

 

Por volta de 1657, o inventor alemão Hans Hautsch aperfeiçoou as bombas de incêndio existentes, que passaram a fazer ao mesmo tempo sucção e pressão, sendo que em 1672, outro inventor, um pintor holandês chamado Jan Van der Heyden, desenvolveu a primeira mangueira de combate a incêndio, confeccionada em couro e bronze nas extremidades, abrindo uma nova era na luta contra o fogo (Malutta, 2018).

 

Essas novas ferramentas colocaram fim à utilização de baldes. A aparição dessas bombas de incêndio fez com que se organizasse em Paris (França) uma companhia com homens chamados de “guarda-bombas”, que eram uniformizados, recebiam salário e estavam sujeitos à disciplina militar. Foi um dos primeiros corpos de bombeiros organizado, parecido com os atuais, e, em pouco tempo, todas as principais cidades do mundo ocidental já possuíam um, seja por disposição legal ou por iniciativa de companhias de seguros, como na Escócia e Inglaterra (Corpo de Bombeiros Militar de Goiás, 2016).

 

No ano de 1721, o inventor inglês Richard Newsham promoveu grandes melhoramentos nas bombas manuais, que passaram a ter alcance vertical de até 36 m, fazendo com que os grupamentos pudessem trabalhar em times de 4 a 12 homens (Malutta, 2018). Ao longo dos anos, após a civilização passar por grandes evoluções, surgiu em 1905, na Inglaterra, o primeiro caminhão de combate a incêndio com motor à combustão, otimizando de forma indescritível o serviço de combate a incêndios (Malutta, 2018).

 

O Corpo de Bombeiros no Brasil foi baseado em dois modelos europeus, o francês, formado por bombeiros militares, e o português, formado principalmente por bombeiros civis voluntários.

 

Em 02 de julho de 1856, surge o primeiro serviço público de combate a incêndios, fundado pelo Imperador Dom Pedro II, por meio do Decreto Imperial nº 1775, utilizando materiais e equipamentos dos Arsenais de Guerra e da Marinha, da Repartição de Obras Públicas e da Casa de Correção, que reunidos passaram a formar o Corpo de Bombeiros Provisório da Corte (Ortiz, 2003).

 

(Disponível em: revistas.unilago.edu.br/index.php/revista-cientifica/

article/view/538 – texto adaptado especialmente para esta prova).

Analise a charge abaixo e a relação proposta entre ela e o texto-base da prova nas asserções a seguir:

 

Imagem associada para resolução da questão

Fonte: Site Diário do Centro do Mundo – DCM (2019).

 

I. Tanto o texto quanto a charge versam sobre a profissão de bombeiro.

 

PORÉM

 

II. O texto-base desta prova é um texto informativo que traz a perspectiva histórica do surgimento da corporação, e a charge deixa implícita uma consideração a respeito da profissão.

 

A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta.

  1. AAs asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma ressalva correta da I.
  2. BAs asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma ressalva correta da I.
  3. CA asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa.
  4. DA asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira.
  5. EAs asserções I e II são proposições falsas.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma ressalva correta da I.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Charge e texto-base: profissão de bombeiro e a relação entre as asserções

Gabarito: letra A. As asserções I e II são verdadeiras, e a II é uma ressalva correta da I. A asserção I está correta porque tanto o texto-base quanto a charge tratam da profissão de bombeiro; a asserção II está correta porque o texto é informativo e histórico, enquanto a charge, por ser um gênero de crítica, deixa implícita uma consideração sobre a profissão. A relação entre elas é de ressalva, pois a II acrescenta uma distinção que não contradiz a I, mas a complementa com uma observação sobre a natureza de cada texto.

O comando da questão

A questão pede que se analise a relação entre duas asserções unidas pelo conectivo PORÉM. Esse conectivo é fundamental: ele indica que a segunda asserção apresenta uma oposição, ressalva ou contraste em relação à primeira. A tarefa é dupla: verificar se cada asserção é verdadeira ou falsa e, em seguida, avaliar se a relação estabelecida entre elas é adequada. Não basta que as duas sejam verdadeiras; é preciso que a segunda funcione como uma ressalva da primeira, e não como uma simples continuação ou uma ideia independente.

O texto-base e a charge

O texto-base é um texto dissertativo-expositivo (informativo) que narra a história do Corpo de Bombeiros, desde o Império Romano até o Brasil, com foco em datas, invenções e evolução da corporação. A charge, por sua vez, é um gênero textual que combina linguagem verbal e não verbal para fazer uma crítica ou reflexão sobre um tema. No caso, a charge citada (do DCM, 2019) aborda a profissão de bombeiro, mas de forma implícita, ou seja, o leitor precisa inferir a mensagem crítica ou a consideração que o autor faz sobre a profissão.

A técnica para resolver

  1. Verifique a veracidade de cada asserção: A asserção I afirma que ambos os textos versam sobre a profissão de bombeiro. O texto-base trata da história da corporação, logo, versa sobre a profissão. A charge, pelo título e pela fonte, também aborda o tema. Portanto, a I é verdadeira.

  2. Analise a natureza de cada texto: A asserção II afirma que o texto-base é informativo e histórico, e que a charge deixa implícita uma consideração. Isso é exatamente o que se observa: o texto é expositivo, com dados históricos; a charge é opinativa, com uma mensagem subentendida. Portanto, a II é verdadeira.

  3. Avalie a relação entre elas: O conectivo PORÉM indica que a II é uma ressalva à I. A I diz que ambos tratam do mesmo tema; a II ressalva que, apesar disso, eles o fazem de maneiras diferentes (um informa, o outro critica). Essa é uma relação de contraste válida, pois a II não nega a I, mas a qualifica. Logo, a II é uma ressalva correta da I.

Análise das alternativas

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa A afirma que as duas asserções são verdadeiras e que a II é uma ressalva correta da I. Isso está de acordo com a análise: a I é verdadeira (ambos tratam da profissão), a II é verdadeira (o texto informa, a charge critica) e a relação de ressalva é adequada, pois a II contrasta a forma de abordagem sem negar o tema comum.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B afirma que as asserções são verdadeiras, mas que a II não é uma ressalva correta da I. Isso é falso, pois a II é uma ressalva correta. O conectivo PORÉM estabelece exatamente essa relação de contraste: a I apresenta um ponto comum (o tema), e a II ressalva uma diferença (a abordagem). A alternativa B contradiz a relação lógica estabelecida pelo conectivo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C afirma que a I é verdadeira e a II é falsa. Isso é incorreto, pois a II também é verdadeira. O texto-base é claramente informativo e histórico, e a charge, por sua natureza, deixa implícita uma consideração sobre a profissão. A alternativa C contradiz o que se observa nos textos.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D afirma que a I é falsa e a II é verdadeira. Isso é incorreto, pois a I é verdadeira: tanto o texto quanto a charge versam sobre a profissão de bombeiro. A alternativa D contradiz o conteúdo do texto-base e da charge.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E afirma que ambas as asserções são falsas. Isso é incorreto, pois ambas são verdadeiras. A alternativa E contradiz frontalmente o que se observa nos textos.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre a veracidade das asserções e a relação entre elas. Muitos candidatos marcam a alternativa B por acharem que a II não é uma ressalva, mas sim uma continuação. No entanto, o conectivo PORÉM é a chave: ele marca oposição, e a II opõe a natureza dos textos (informativo × crítico) sem negar o tema comum.

PEGA ESSA DICA!

Ao resolver questões com asserções unidas por conectivos, grife o conectivo e pergunte: "que relação ele estabelece?" PORÉM = oposição/ressalva; PORTANTO = conclusão; PORQUE = causa. Isso evita erros de interpretação da relação.

Conclusão: A questão exige a leitura atenta do conectivo PORÉM e a distinção entre o caráter informativo do texto-base e o caráter crítico da charge. A alternativa A é a única que reconhece a veracidade de ambas as asserções e a relação de ressalva correta entre elas.

Gabarito: letra A

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