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Questão de Português — Preposição — FUNDATEC 2025

PortuguêsPreposição
Código
qa669390
Banca
FUNDATEC
Órgão
IFFAR
Ano
2025
Cargo
Ass Adm ( )

Cabeceira Imaginária

Por Claudia Laitano

   

O mestre de cerimônias saudou a plateia avisando que aquela noite fria e chuvosa seria histórica. Para o pequeno grupo de leitores que consideram a crítica literária um gênero tão atraente quanto qualquer outro, era mesmo um acontecimento. Estavam ali, reunidos para um bate-papo, dois dos nomes mais influentes do circuito nova-iorquino das letras. De um lado, James Wood, crítico da New Yorker e autor do livro “Como funciona a(a) ficção”. Do outro, Edwin Frank, diretor do braço editorial da New York Review of Books e criador da coleção NYRB Classics, selo especializado em salvar do oblívio livros e autores de diferentes partes do mundo (nosso “São Bernardo”, sorte deles, está lá).

   

A conversa era sobre “Stranger Than Fiction — Lives of the Twentieth-Century Novel”, livro que Edwin Frank passou os últimos 10 anos escrevendo. O projeto de contar a história do romance do século 20 mais ou menos como aquela piada do cara que pretendia escrever uma tese sobre “Deus e o mundo”, mas, aconselhado pelo orientador, reduziu seu tema para “Deus e o mundo no século 19”. Era tão inabarcável seu objeto de estudo que Edwin Frank optou desde o início por escrever um ensaio assumidamente idiossincrático — guiado, sem culpa, pelos critérios que ele mesmo estabeleceu. Destacar romances que refletiram ou interpretaram a realidade da época em que foram escritos era um deles. Não menos importante eram as(a), (b) e (c) afinidades eletivas do próprio Frank como leitor.

   

Dos pouco mais de 30 títulos que o autor selecionou a(b) e (d) fim de que montasse sua constelação particular de livros e escritores essenciais para entender o romance do século 20, apenas três são óbvios: “Em Busca do Tempo Perdido”, de Marcel Proust, “Ulysses”, de James Joyce, e “A Montanha Mágica”, de Thomas Mann. O ponto de partida é um livro do século 19, “Memórias do Subsolo” (1864), de Dostoiévski. “Austerlitz” (2001), de W. G. Sebald, assinala o ponto final da jornada. (Não tão rápido. Em um apêndice, Frank lista outros 90 romances para que as empilhemos em nossa cabeceira imaginária. Haja vida.)

   

Mas o que eu queria contar mesmo é que Dostoiévski não é o único autor nascido na primeira metade do século 19 chamado a(c) e (e) compor a(d) e (e) seleção dos grandes romancistas do século 20. O outro talvez esteja na sua cabeceira agora mesmo, ou nas vizinhanças, e você pode ir se acostumando a(e) ensinar leitores estrangeiros a(e) pronunciar seu nome corretamente: Joaquim Maria Machado de Assis.

 

(Disponível em: gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas – texto adaptado especialmente para esta prova).

Assinale a alternativa cujas ocorrências da palavra “a(s)”, hachuradas no texto, representam apenas preposições.
  1. ALinhas 05 e 16.
  2. BLinhas 16 e 18.
  3. CLinhas 16 e 26. (2ª ocorrência).
  4. DLinhas 18 e 26 (2ª ocorrência).
  5. ELinhas 26 (1ª ocorrência) e (1ª e 2ª ocorrências).
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Linhas 26 (1ª ocorrência) e (1ª e 2ª ocorrências).

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Preposição ou artigo? A classificação do “a(s)” no texto

Gabarito: letra E. A alternativa E é a correta porque as ocorrências da palavra “a(s)” indicadas nela — a 1ª ocorrência da linha 26 e as 1ª e 2ª ocorrências da linha 26 — são apenas preposições, como se comprova pela análise sintática do trecho: em “a ensinar leitores estrangeiros a pronunciar seu nome corretamente”, o primeiro “a” é preposição exigida pelo verbo “acostumando” (quem se acostuma, acostuma-se a algo), e o segundo “a” é preposição que introduz o infinitivo “pronunciar” (locução verbal “a pronunciar”). As demais alternativas misturam ocorrências que são artigos definidos (como “a plateia”, “a conversa”, “a seleção”), o que as invalida.

O comando da questão

O enunciado pede que você identifique apenas as ocorrências em que “a(s)” funciona como preposição, e não como artigo definido. Isso é uma questão de análise morfológica contextual: a mesma palavra pode pertencer a classes diferentes dependendo da função que exerce na frase. A preposição liga dois termos, estabelecendo relação de sentido (direção, finalidade, modo etc.); o artigo define ou individualiza um substantivo. Para decidir, você precisa olhar o que vem depois do “a”: se vier um substantivo que ele determina, é artigo; se vier um verbo no infinitivo, um pronome ou um termo que completa o sentido de outro, é preposição.

O texto e as ocorrências hachuradas

O texto traz várias ocorrências de “a(s)” marcadas com hachura. Vamos localizá-las:

  • Linha 05: “a plateia” — “a” é artigo definido (determina o substantivo “plateia”).

  • Linha 16: “a conversa” — “a” é artigo definido (determina “conversa”).

  • Linha 18: “a fim de” — “a” faz parte da locução prepositiva “a fim de”, mas a questão pede apenas a palavra “a” isolada como preposição; aqui ela integra uma locução, não é preposição isolada.

  • Linha 26 (1ª ocorrência): “a ensinar” — “a” é preposição exigida pelo verbo “acostumando” (acostumar-se a algo).

  • Linha 26 (2ª ocorrência): “a pronunciar” — “a” é preposição que introduz o infinitivo “pronunciar”, formando locução verbal com valor de finalidade.

A técnica que decide

A regra prática: se o “a” puder ser substituído por “ao” + infinitivo ou por “para” + infinitivo, é preposição; se puder ser substituído por “aquela” ou “esta”, é artigo. No trecho da linha 26, “acostumando a ensinar” equivale a “acostumando para ensinar” (finalidade), e “a pronunciar” equivale a “para pronunciar”. Já em “a plateia”, o “a” equivale a “aquela plateia”, logo é artigo.

Análise das alternativas

Classificação do "a(s)"
  • 1Preposição
    • Antes de verbo no infinitivo
    • Ex.: "a ensinar", "a pronunciar"
    • Substituível por "para" + infinitivo
  • 2Artigo definido
    • Antes de substantivo
    • Ex.: "a plateia", "a conversa"
    • Substituível por "aquela"/"esta"
  • 3Locução prepositiva
    • Ex.: "a fim de"
    • Unidade, não preposição isolada
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa A indica as linhas 05 e 16. Na linha 05, “a plateia” — “a” é artigo definido (determina o substantivo “plateia”). Na linha 16, “a conversa” — “a” também é artigo definido. Portanto, nenhuma das duas é preposição. Erro: troca de classe — a banca tenta fazer você aceitar artigos como preposições.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B indica as linhas 16 e 18. Na linha 16, “a conversa” — artigo definido. Na linha 18, “a fim de” — o “a” integra a locução prepositiva “a fim de”, mas não é preposição isolada; a locução funciona como uma unidade. Portanto, a linha 16 não é preposição. Erro: troca de classe — confunde artigo com preposição e desconsidera a natureza da locução.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C indica as linhas 16 e 26 (2ª ocorrência). A linha 16 é artigo definido; a linha 26 (2ª ocorrência) é preposição. Como a linha 16 não é preposição, a alternativa está errada. Erro: troca de classe — mistura artigo com preposição.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D indica as linhas 18 e 26 (2ª ocorrência). A linha 18 é locução prepositiva (não preposição isolada); a linha 26 (2ª ocorrência) é preposição. Como a linha 18 não é preposição isolada, a alternativa está errada. Erro: troca de classe — confunde locução com preposição simples.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa E indica a linha 26 (1ª ocorrência) e as 1ª e 2ª ocorrências da linha 26. Vamos analisar:

  • Linha 26 (1ª ocorrência): “a ensinar” — preposição exigida pelo verbo “acostumando” (acostumar-se a algo).

  • Linha 26 (2ª ocorrência): “a pronunciar” — preposição que introduz o infinitivo “pronunciar”.

Ambas são preposições, e a alternativa indica exatamente essas ocorrências. Portanto, é a única que representa apenas preposições.

PEGA ESSA DICA!

Para classificar o “a”, pergunte: ele pode ser substituído por “para” ou “ao” + infinitivo? Se sim, é preposição. Se puder ser substituído por “aquela” ou “esta”, é artigo. Essa troca resolve a questão sem decoreba.

Gabarito: letra E.

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